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Ricardo Rio: 7 anos de Governação/7 Pecados Capitais (Parte III)

O espantalho

Ricardo Rio: 7 anos de Governação/7 Pecados Capitais (Parte III)

Ideias Políticas

2020-06-16 às 06h00

Pedro Sousa Pedro Sousa

No meu último artigo, publicado no passado dia 02/06, e sob o título “Ricardo Rio: 7 Anos de Governação/7 Pecados Capitais (Parte II), faço uma avaliação dos 7 anos de liderança de Ricardo Rio e seus pares, dando nota que já esgotaram, sem deixar marca, 60% do máximo do máximo de doze anos que os Bracarenses lhe podem permitir nas funções de Presidente da Câmara.

Assim, e porque no espaço de apenas um artigo de opinião, seria impossível explanar o balanço de sete anos de Governação, esta reflexão ocupou um primeiro artigo no passado dia 20 de Maio, o segundo, já aqui referido, e publicado no dia 02 de Junho e termina, hoje, na peça que está a ler, procurando nesta espécie de trilogia demonstrar o quão inconseguida tem sido a actual governação municipal e o quanto, à generalidade dos Bracarenses, tem deixado a desejar.

Neste exercício, abordo aqueles que considero os 7 Pecados Capitais da Actual Gestão Municipal nestes 7 Anos de Governação, dedicando-me, hoje, depois de no primeiro artigo ter abordado os temas: “1. A Falência dos Serviços Municipais” e “2. A Educação como Motor de Desenvolvimento” e no segundo ter versado sobre a “3. A Mobilidade Urbana” e “4. As Sete Fontes”, aos restantes três pecados que enformam esta reflexão, a saber, “5. A Fábrica Confiança”, “6. O Urbanismo” e “7. O Investimento/Desenvolvimento”.

5. A Fábrica Confiança: A venda da Fábrica Confiança, comprada, anos antes, com o apoio de Ricardo Rio como líder da Oposição, diz também muito da actual Governação Municipal. Convém lembrar que mais do que pelo que é actualmente, a Confiança tinha e tem uma importância estratégica pelo que foi e, sobretudo, pelo que, com um projecto de reabilitação e de utilização adequado, pode significar para a cidade. Convenhamos que a ideia absurda de alienar a Confiança, numa cidade cujo Presidente da Câmara diz querer ser Capital Europeia da Cultura em 2027, sobretudo pelo tanto que esta poderia significar como âncora, como motor, como casa da criatividade, da arte, do talento e da livre criação, numa cidade e num concelho que, neste segmento, alberga já bastantes associações, movimentos informais e independentes que carecem de um espaço comum, de um espaço de partilha, de troca de experiências e de estabelecimento de sinergias, é um absoluto disparate que muito desqualifica a actual Gestão Municipal;

6. O Urbanismo: As intervenções, danosas para o espaço público e nada transparentes, do Continente da Rua 25 de Abril, ajudando a desqualificar e desvalorizar uma das zonas da Cidade com melhor desenho, assim como a Quinta das Portas, o McDonalds de Maximinos, foram terríveis para o espaço público e nada transparentes. A somar a isto, entre muitas outras coisas, soma-se o não funcionamento do Sector do Urbanismo na CMBraga no seu todo, fazendo desesperar quer privados, quer empresas que esperam anos, sim anos, pela atribuição de licenças que, em qualquer município, demoram semanas ou, no pior dos cenários, alguns meses a ser analisadas e atribuídas. A culpa destas questões é exclusivamente do Presidente da Câmara, pois a respectiva Divisão Municipal não tem, de todo, os recursos humanos e técnicos necessários para realizar em melhores condições as suas atribuições. Aliás, é desolador comparar os recursos humanos e técnicos alocados ao sector do Urbanismo, um Sector estruturante, em Câmaras de dimensões semelhantes às de Braga e com os recursos de que dispõe esta Divisão Municipal na Câmara de Braga.

7. Investimento/Desenvolvimento: Ricardo Rio queixa-se, regularmente, dos esqueletos do armário, das contas da Câmara, disto e daquilo. É verdade que o PS sempre trabalhou, em Braga, no limite do endividamento permitido? Sim, é verdade. O PS trabalhou sempre numa lógica de máximo investimento/máximo desenvolvimento, guindando Braga ao lugar de terceira cidade do país e concelho líder em muitas métricas de desenvolvimento económico, social e humano. Por isso, por mais que Ricardo Rio repita a história dos esqueletos, a verdade é que herdou um excelente Concelho, com óptimas infraestruturas e pronto para o nível seguinte de políticas públicas.

Outra verdade inatacável é que, mesmo no limite do endividamento, o PS nunca deixou de ter uma visão de desenvolvimento para o Concelho, cumprindo-a, executando-a, ao mesmo tempo que assumia, em pleno, o serviço da dívida.

Hoje Braga não tem um projecto de desenvolvimento e isso fica claro nas grandes intervenções da actual Câmara Municipal que, nestes sete anos, têm um mote comum. Requalificação. Requalificação do Parque de Exposições de Braga, requalificação do Parque da Rodovia e requalificação do Mercado Municipal.

Ora bem, segundo o dicionário Priberam, da Porto Editora, requalificação significa: “acto ou efeito de tornar a qualificar, de qualificar de novo” e, que eu saiba, ainda não é possível requalificar algo que não exista, não é possível requalificar o que ainda não foi feito.

E esta é a realidade, a triste realidade da acção política do actual executivo, em termos daquelas que foram as três maiores intervenções que fez na cidade. Está apenas, e porque o natural devir do tempo a isso obriga, a requalificar o que já existia, o que já havia sido feito, nalguns casos bastante à frente do seu tempo, se comparado com a realidade da esmagadora maioria das cidades portugueses.

Não merecerá Braga melhor do que isto?

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