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Rotinas e computadores

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Ideias

2012-05-04 às 06h00

Margarida Proença Margarida Proença

Embora não pareça, o título deste breve apontamento tem a ver com desemprego. A figura que aqui se apresenta resume a evolução do emprego em Portugal entre 2007 - antes do início da crise, e no final de 2011; os dados correspondentes para o primeiro trimestre de 2012 só serão divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística a 16 deste mês. Como se pode ver, a população residente aumentou ligeiramente, 49,30 mil pessoas.

Mas a população activa diminuiu quase 2%, dada a forte redução no número de pessoas empregadas (8,4%). Cerca de 434 mil pessoas que deixaram de estar empregadas neste período; a maior parte passou a estar no desemprego (mais de 322 mil indivíduos), e os restantes tornaram-se inactivos. Em 2011, o número de pessoas inactivas, isto é, que não estão nem empregadas nem desempregadas nem a cumprir o serviço militar, seja qual for a idade que tenham , e que portanto não podem ser considerados como economicamente activas, era superior ao número de pessoas a trabalhar; em 2010 este desequilíbrio já se manifestava também, como mostra Peixoto (2011). E no entanto, em 2010, a economia portuguesa cresceu.

Alguns autores têm vindo muito recentemente a discutir as razões por detrás das alterações que estão a ocorrer nos mercados de trabalho nas economias ocidentais. É importante que as economias cresçam, porque só dessa forma se assegura uma maior riqueza e se permitem mecanismos de redistribuição do rendimento, mas o tipo de crescimento económico, as suas características, parecem ser de grande importância também.

O mercado de trabalho na Europa tem vindo a tornar-se cada vez mais polarizado; de um lado, profissões bem pagas, e que exigem níveis qualificacionais muito elevadas; do outro lado, profissões com níveis salariais baixos, e com tendência mesmo para diminuir. A taxa de desemprego cada vez mais elevada atinge profissões que estão no meio. Por outro lado, tem vindo a tornar-se claro o aumento da percentagem de pessoas com formação académica de nível superior em profissões com níveis salariais mais baixos.

Um trabalho publicado em 2003 está a ser utilizado para perceber o que se passa e para prever evoluções futuras. Argumentam os seus autores que os computadores, enfim, este mundo em que vivemos marcado pelas novas tecnologias de informação e comunicação tornaram pouco relevantes as profissões onde a rotinização das tarefas eram importantes.

Ou seja, tarefas rotineiras desempenhadas habitualmente por trabalhadores rotinizados podem já, e estão já, a ser efectuadas por computadores. Independentemente da formação académica de quem as desempenha, este tipo de profissões tenderá a ter salários mais baixos, por oposição a funções de natureza mais abstracta, e se porventura o processo de globalização e o offshoring persistir ou seja a produção peças e partes do produtos noutros países, com custos de trabalho inferiores, o desemprego aumentará.

Embora a necessidade de crescimento económico seja fundamental para permitir a absorção do desemprego, é importante como se cresce e em que sectores. Embora seja difícil, e arriscado, fazer previsões hoje em dia, parece que a única via passa por maior reforço da sofisticação tecnológica ao nível da produção, e por um investimento continuado na educação em termos públicos. Do ponto de vista privado continua a justificar-se o investimento adicional em educação, ponderando as características das funções que se poderão vir a desempenhar.

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