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S. Bento da Porta Aberta e o turismo

Decisões que marcam

S. Bento da Porta Aberta e o turismo

Ideias

2020-06-16 às 06h00

Jorge Cruz Jorge Cruz

A Comunidade Intermunicipal do Cávado (CIM Cávado), que é constituída pelos municípios de Amares, Barcelos, Braga, Esposende, Terras de Bouro e Vila Verde, está a desenvolver no terreno um conjunto de acções de valorização dos Caminhos de São Bento da Porta Aberta. O plano, já iniciado com a distribuição da nova sinalética dos Caminhos pelos 6 municípios associados que integram esta unidade territorial (NUT III Cávado), desenrola-se em parceria com a entidade directamente responsável pelo santuário, a Irmandade de São Bento da Porta Aberta.
Nesta primeira fase do projecto “caminhar em segurança” foi definida a rede de itinerários, a qual integra um percurso principal com cerca de 70 quilómetros de extensão, unindo o território do vale do Cávado desde Esposende até São Bento da Porta Aberta (Terras de Bouro), e 3 itinerários variantes, que unem os seis municípios, num total de cerca de 120 km de trajectos identificados.

Esta valorização dos Caminhos de S. Bento da Porta Aberta que a CIM Cávado está a executar, é uma iniciativa muito meritória que apenas peca por tardia. E nesse particular, creio que as próprias entidades religiosas, afinal as primeiras interessadas e aquelas que mais benefícios directos poderão obter, já deveriam ter avançado há anos com esta e outras medidas visando uma maior dignificação do templo. É que não nos podemos esquecer que estamos a falar do “segundo maior santuário português”, um local de culto que “atrai anualmente centenas de milhares de peregrinos”. Aliás, a própria Irmandade reconhece com indisfarçável orgulho que “depois de Fátima, (S. Bento) lidera as estatísticas, mesmo não gozando de uma situação geográfica favorável, nem ser beneficiado por grandes vias de comunicação”.

É um facto que a localização periférica deste templo não o tornará tão atraente, sob esse ponto de vista, como a de outros, e também se torna perfeitamente claro que as vias de comunicação que o servem não integram a rede das melhores. Contudo, creio que o seu enquadramento territorial, a sua envolvência com a natureza, constituem factores extra para a atractividade de visitantes, os quais ali encontram fartos motivos de interesse.
Na verdade, implantado no concelho de Terras de Bouro, em pleno Parque Nacional da Peneda-Gerês, o templo atrai anualmente centenas de milhares de visitantes, entre peregrinos e simples turistas, constituindo por essa razão um importante polo de atracção turístico-religioso. E é este tipo de turismo, um turismo de natureza, bem diverso daquele que invade as nossas praias, que ao descobrir as enormes belezas paisagísticas da região também encontra e rejubila com o vasto património cultural, com o artesanato e com a gastronomia, o que contribui para dinamizar uma economia que, sem tais fluxos turísticos, estagnaria.

É também por essa razão que faz todo o sentido o envolvimento da CIM do Cávado neste processo, sendo certo que essa ligação não se esgotará no conjunto de soluções de sinalética dos caminhos de peregrinação. A aprovação da candidatura ao programa comunitário “Interreg Espanha-Portugal”, que está na base desta acção, permite também o desenvolvimento da imagem de marca da rede dos caminhos bem assim como a elaboração de um guia dos mesmos. Ora, se a uniformização da sinalética assume compreensível importância, designadamente enquanto meio de orientação dos peregrinos por percursos seguros, o Guia do Caminho poderá ter um papel complementar de grande relevância, quer do ponto de vista da informação ao visitante, quer no plano da promoção do território junto de potenciais turistas.

Não nos podemos esquecer que enquanto associação que representa um território heterogéneo, que se estende desde o mar até à fronteira espanhola, a CIM Cávado tem o foco da sua acção precisamente no desenvolvimento territorial do espaço destes seis municípios que a integram. E, conforme consta das linhas programáticas, esta NUT III “tem por objectivo conjugar, promover e articular interesses comuns aos municípios associados, na área dos serviços colectivos de proximidade e dos investimentos municipais.
Convirá recordar, a propósito, que também a futura Ecovia Cávado e Homem irá envolver os seis concelhos desta Comunidade Intermunicipal, o que permitirá a ligação das duas áreas protegidas do Cávado – o Parque Natural Litoral Norte, em Esposende, e as portas do Parque Nacional da Peneda Gerês, em Terras de Bouro.

Será agora legítimo esperar idêntico empenho da parte do Turismo do Porto e Norte de Portugal (TPNP), entidade que conhece como ninguém as mais-valias que o fluxo turístico pode aportar à economia regional. Aliás, aquando da apresentação no Porto do projecto “Facendo Caminho”, um programa que se destina a consolidar os itinerários do Caminho de Santiago na euro-região Galiza-Norte de Portugal, Luís Pedro Martins salientou, e muito bem, a dimensão económica destas acções.
No caso concreto dos Caminhos de S. Bento da Porta Aberta, e para além da ajuda à sua promoção, que poderia perfeitamente inserir-se numa campanha mais vasta que envolvesse o Parque Nacional da Peneda-Gerês e outros polos de atracção, creio que seria de equacionar o lançamento de programas de turismo religioso. Nesse âmbito, poderiam avançar, por exemplo, para a criação de uma rota dos santuários envolvendo os inúmeros exemplares de templos de grande valia patrimonial, para além dos santuários do Sameiro e de S. Bento da Porta Aberta.

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