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Só desisto se for eleito

Vai casar? Que regime de casamento escolher?

Só desisto se for eleito

Ideias

2021-06-08 às 06h00

João Marques João Marques

Tal como os pratos, também os Pires quebram quando se estatelam no chão, ou na parede. E não é por serem mais pequenos que os cacos se deixam de notar. Esta premissa simples não deve ser descurada por quem, em vestes de candidato, ousa “ser quem não é”.
Vem isto a propósito da reação pouco substanciada de Hugo Pires a propósito das críticas certeiras, de ignorância e falta de coragem, que o PSD Braga apontou às promessas de ocasião que o candidato socialista avançou sobre gratuitidade de transportes públicos e intermunicipalização da rede e gestão dos mesmos.
Bem sabemos que a campanha eleitoral é ávida em episódios cómicos de compromissos irrealizáveis, só assumidos por quem tem a certeza de que não terá a oportunidade de os concretizar, mas não é por isso que devem deixar de ser denunciados, sobretudo quando provêm de um candidato de um partido de poder como é o PS.
Já tínhamos percebido que o leitmotiv da campanha de Pires –Agora o futuro – era de natureza humorística e precária. Humorística porque não pode o rosto do passado, agrilhoado aos 37 anos de presidência de Mesquita Machado, apresentar-se como a solução do futuro. Precária porque o próprio PS não acredita que seja agora o momento para ganhar o que quer que seja a não ser balanço para daqui a quatro anos. Como já aqui sublinhei, o próprio líder da bancada do PS na Assembleia Municipal já “encomendou as faixas” para Ricardo Rio, ao reconhecer que, a partir de outubro, se inicia o último mandato do atual presidente.
Subitamente, porém, abre-se um novo capítulo na descabelada candidatura de Hugo Pires, com recurso ao absurdo para ganhar atenção, notoriedade e, quem sabe, um esfregar de olhos pelo espanto gerado.
Todos nos lembramos das brilhantes iniciativas políticas de Manuel João Vieira, que só não chegaram a ser candidaturas à Presidência da República pelo incumprimento do requisito das assinaturas.
“Um Ferrari para cada português e alcatifar o país” eram as duas grandes promessas de uma campanha que só queria que os portugueses se rissem seriamente do candidato que “só desistia se ganhasse”.
Ora, Pires não lhe quer ficar atrás e como que tacitamente assumindo que, também ele, “só desiste se ganhar”, avança com a gratuitidade dos transportes públicos no concelho, bem sabendo que tal é legalmente improvável (na melhor das hipóteses) e financeiramente irresponsável.
É que os transportes públicos não se gerem a olho e a contratualização do serviço público exige prazos, termos e compromissos sérios.
Tudo o que já foi feito pelos Transportes Urbanos de Braga, resultando na contratualização com esta empresa municipal, pelo prazo de 10 anos, desse mesmo serviço.
O mesmo se diga sobre a gestão e ligação intermunicipal da rede de transportes. Não é que se não possa vir a fazê-lo no futuro, só que tal não é resultado da ordenação unilateralmente proclamada por um candidato autárquico e muito menos se admite sem um rigoroso estudo de viabilidade acompanhado por medidas sequenciais e demoradas de integração das redes, dos tarifários, das frotas e, naturalmente, das receitas e despesas.
Como bem notou Hugo Pires, na reação ao comunicado do PSD, “Não basta fazer grandes soundbytes para os jornais se não meter o pé ao caminho”. E o pé, neste caso, não saiu da bancada parlamentar, onde Pires assentou arraiais há mais de cinco anos, já que não consta que tenha tido uma única iniciativa para reclamar os apoios financeiros que os TUB e outras empresas municipais ou autarquias que giram transportes públicos merecem, nos mesmos termos em que são atribuídos em Lisboa e Porto.
Bem sabemos que, desde 2015, a palavra de ordem no PS é reverter, mas o imperativo da governação negativa nacional, de que o deputado socialista estará profusamente imbuído, não pode significar a cegueira da anulação da boa governação da coisa pública, apenas porque protagonizada por partido distinto.
E isto deveria ser particularmente claro para Hugo Pires, ele que fez parte do último executivo municipal socialista, o tal que deixou à cidade, em matéria de transportes públicos, uma frota envelhecida, uma empresa municipal com um passivo acumulado de mais de sete milhões de euros e dívidas à ADSE de mais de 880 mil euros.
A falta de vergonha não pode servir de desculpa para a irresponsabilidade, mesmo quando acompanhada do burlesco que caracteriza as mais recentes propostas da candidatura socialista.
É um imperativo ético, político, mas sobretudo cívico lembrar aos bracarenses quem é esta gente, o que fez no concelho e o que deixou como tenebroso legado para que, independentemente de quem venham a escolher nas próximas eleições autárquicas, não voltem a optar pelo pior caminho possível.

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