Correio do Minho

Braga, terça-feira

Saber ser e os valores cívicos

O seu a seu dono!

Escreve quem sabe

2016-10-30 às 06h00

Joana Silva

O saber ser é um dos requisitos mais poderosos da personalidade humana. Socialmente verificámos uma mudança de comportamento do foro relacional com alguma inversão papeis como de valores. Mais do que o a significação propriamente do conceito de respeito, verificam-se abordagens inespecificas cujo o objetivo pode não ser propriamente o “lesar”, no entanto, “deixam a desejar”, algum tato comunicacional. É um contexto comum e relevante a todas as faixas etárias. O impacto emocional das palavras tem o mesmo peso ou conotação, seja numa situação, em que nos deparamos com um jovem ao apresentar a mãe a um colega que expressa, “João, esta é a minha cota.” (mesmo que o adulto releve e considere até que é uma forma carinhosa de trato por parte do seu educando), comparativamente com outra situação em que alguém se dirige a um estabelecimento de prestação de serviços, por exemplo um café, e que pela demora do serviço destrata o colaborador de forma “gratuita”.
“Muito obrigado.”, “Por favor…”, “Não se importa…”, “Seria possível…”, “Deixe estar, eu entendo…”, “Desculpa (e)!”, “Vá em primeiro…”, são valores cívicos que parecem estar em vias de extinção. São valores que compram. Evidenciam-se nos pormenores, na forma de falar, nos gestos e na atenção ininterrupta que prova interesse e boa vontade. Certamente que já foi surpreendido com alguma situação em que sem esperar, alguém foi gentil consigo, por exemplo, a cedência do lugar numa fila ou lugar no transporte publico; abrir a porta; prestação de suporte ou ajuda numa situação especifica como ajudar a atravessar a passadeira ou a transportar as compras. Não maioria das vezes, estas ações, atitudes ou cortesia não tem nome, pois ou não se conhece a pessoa ou se sim, não se tem grande afinidade. Mas tem um rosto e uma personalidade “diferente” daquilo que é habitual observar-se no quotidiano. Surpreendem assim, pelo impacto positivo sobretudo quando não se espera de tal. Todavia, há quem garanta que quem o faz é um manipulador, é na verdade ou por “deseja algo”, ou “é tudo encenado, para ficar bem perante os outros”. Trata-se do ponto de vista pessoal de alguém com um registo mais negativo da personalidade. É uma interpretação pessoal mas de análise pouco realista que resulta da toxicidade de um dia-a-dia e do contacto permanente e direto com pessoas que não mostram o que são verdadeiramente: pouco éticas, calculistas e mal-intencionadas mas que ao mesmo tempo camuflam em boas intenções. Perante estes comportamentos, instala-se a desconfiança e assim adotam uma interpretação generalista e não acreditam em ninguém. Na verdade, há muitas pessoas “que fazem o bem, sem olhar a quem” por coração e altruísmo. A opinião ainda não é consensual entre os Especialistas que se debruçam sobre esta temática dos valores. Há quem afirme que a ausência de valores se prende a estilos de educação parental, pais que não são sensíveis a estes valores no dia -à-dia. Há também quem reitere que a incidência (probabilidade de ocorrência) é em grande escala nas famílias disfuncionais (problemáticas). Uma resposta é clara e certa, a eminencia da perda de valores é bilateral, seja para uma família funcional que está sempre presente, é atenta e carinhosa e tem a preocupação de instruir civicamente, como também, nas famílias disfuncionais em que os filhos diariamente têm como companhia a solidão emocional e infelicidade mas que apesar das vicissitudes da vida são pessoas excelentes e muito humanas. Aponta-se o dedo aos pais mas na realidade há um outro fator que escapa e é merecedor de atenção, a sociedade. A sociedade é um agente que modela a personalidade humana.

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