Correio do Minho

Braga, quinta-feira

Se te sobram razões, não te vai faltar coragem

A União Europeia e os Millennials: um filme pronto a acontecer

Ideias Políticas

2012-11-13 às 06h00

Carlos Almeida

Começo a escrever este texto no preciso momento em que Angela Merkel - figura imperial dos no-vos tempos - aterra em território português. A chanceler alemã representa o que de pior aconteceu ao povo português nos últimos tempos. É dela o rosto que anuncia mais austeridade, novos sacrifícios e, por conseguinte, mais miséria.

Embora reconheça o seu particular gosto pelo futebol - quem não se lembra da comovente choradeira depois da recente derrota da sua Alemanha perante a Itália? - a verdade é que Merkel não vem a Portugal para ver a bola. Sabe muito bem ao que vem. Merkel não vem a Portugal para tomar conhecimento da realidade do povo português. Pelo contrário, vem elogiar a subserviência do Governo de coligação PSD/CDS, ao passo que, no contexto de uma palmadinha nas costas, convida Passos e Portas a continuarem no bom caminho, rumo ao desastre final.

Passos Coelho, na qualidade exemplar gentleman, sabe receber bem uma senhora. Melhor ainda, sabe fazê-la feliz, cumprindo todas as suas disposições com elevada superação. Ela diz corta, ele ceifa. Ela diz acaba, ele destrói. É deveras uma relação ideal, em perfeita sintonia. Passos compreende os mais profundos desejos de Merkel. O que os une é uma agenda política de favorecimento dos magnatas europeus, de conluio com os grandes grupos económicos e financeiros.

Sinceramente, a vinda de Merkel não me agradou. Os motivos do meu desagrado estão já expostos. Ainda assim, já que veio, podia ficar mais uns dias. Se ficasse podia assistir a uma pode-rosa manifestação de força e resistência dos trabalhadores portugueses. Veria a dimensão da luta do povo português que, ao contrário do seu governo, não se verga nem rende às imposições da União Europeia, da qual a chanceler é a protagonista.

Se Angela Merkel se dispusesse a ficar em Portugal até amanhã, teria uma óptima oportunidade para levar de recordação belas imagens das dezenas de manifestações que vão decorrer em todo o país a propósito da greve geral convocada pela CGTP-IN.

No entanto, e apesar da aversão que me causa, não é Merkel quem mais me indigna. São, isso sim, os responsáveis políticos em Portugal. Os que ontem e hoje entregaram a nossa soberania. Os que subjugam os interesses do país e do povo aos interesses de grupos monopolistas. Os que há 36 anos governam o país sempre no mesmo sentido, mais e mais sacrifícios para quem vive dos rendimentos do trabalho, e benefícios para os mesmos de sempre, para os que vivem da exploração dos trabalhadores, da fuga e evasão fiscal, da especulação e da política de casino.

É perante estes responsáveis políticos, perante os governos das últimas três décadas de responsabilidade dos partidos do arco da troika - PS, PSD e CDS -, que nos devemos insurgir.
As razões para aderirmos em massa à greve geral de amanhã chegam-nos todos os dias a casa, no recibo de vencimento, na carta de despedimento, no indeferimento de apoio social,no talão das compras no supermercado, na carta do banco ou na ameaça de corte de água ou luz.

A coragem para aderirmos sem medo à greve geral de amanhã está na razão que nos assiste, na convicção de que se nada fizermos os nossos filhos viverão ainda pior do que no tempo dos nossos pais.
Coragem, amanhã, escreve-se greve geral!

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