Correio do Minho

Braga,

- +

Segundas jornadas da viola Braguesa

A sabedoria do cuidar no Alzheimer

Segundas jornadas da viola Braguesa

Escreve quem sabe

2019-03-13 às 06h00

Alfredo Machado Alfredo Machado

No próximo sábado dia 16 vamos ter as segundas jornadas da viola braguesa no mercado cultural do Carandá com a participação de músicos profissionais e amadores a participação de construtores bem como uma palestra de José Alberto Sardinha.
Teremos a apresentação de um novo grupo de violas braguesas bem como a orquestra de cordofones da nossa cidade, por esse motivo decidi publicar algo sobre a viola braguesa que foi objeto de recolha de um amigo do museu de cordofones e exímio tocador de viola braguesa, por isso passo a contar a história da viola em Portugal. Desde finais do século XIII mais concretamente no cancioneiro da ajuda (1280) que se encontram representadas em oito das suas dezasseis iluminuras, violas de mão tocadas por jograis são violas de quatro cordas simples, podendo ser classificadas como guitarras latinas que prefiguram a forma essencial de vihuela ou viola quinhentista, cuja a essência está na ordem da viola atual.

Até cerca do século XVI a estrutura básica das guitarras latina e mourisca, era composta de corpo braço e carvelhal. Em Portugal o termo viola (é usado desde os meados do século XV) para caraterizar instrumentos de corda com braço. No entanto, foi também a partir do século XV que a viola se vulgarizou, difundindo-se entre os polos mais ocidentais de Portugal, sempre a acompanhar cantares amorosos (romances)e coreográficos, com toque rasgueado: uma parte melódica cantada sobre acompanhamento de acordes (E. Pujol).
Gil Vicente (1465- 1536) na sua obra literária faz referências à viola como sendo instrumento de escudeiros.
Os procuradores da câmara de Ponte de Lima, numa carta as cortes de Lisboa (1459) mencionam os malefícios causados ao reino pelos tocadores de viola.

Em 1582 Philipe de Cavaral faz referências a (dez mil guitarras) que acompanharam a campanha militar de Alcácer Quibir no Norte de África, e que lá ficaram com despojos de guerra.
Fernão Mendes Pinto na sua obra peregrinação (1538) apresenta Gaspar Meireles como tocador de viola.
O frade espanhol Guan Bermudo, na sua declaração de instrumentos musicals (1555), apresenta extensa informação a cerca de viola de mão. Refere de a vihuela e guitarra são dereivados da guitarra latina, tendo a forma de oito, com enfraque pouco pronunciado, fundo chato paralelo ao tampo, escala com dez trastes rentes ao tampo com quatro ou cinco ordens de corda sendo de tripa o bordão na vihuela destinada a música erudita o bordão é de metal sendo esta guitarra destinada ao reportório popular. No entanto é no regimento dos violeiros de Lisboa (1512) que nos chega a informação mais completa sobre técnicas de construção da viola de mão de cordas dedilhas e rasgueada.

O único exemplar da viola portuguesa quinhentista chega até nós foi construída em Lisboa no ano de 1581 a famosa viola de Belchior Dias, que presentemente está no museu do Royal College off Music (Londes).Esta viola possui cinco ordens de cordas escala rasa ao tampo e com dez trastes.
No norte de Portugal a indústria violeira localizou-se outrora na região de Guimarães fato noticiado desde 1632 pela obrigatoriedade de acompanhamento nas procissões religiosas, sob pena de multa, contudo só em 1799 é publicado o regimentos dos violeiros de Guimarães onde há menção da viola de vários tamanhos.

O primeiro método de ensino de viola data de 1789 chamando-se nova arte, d autoria de Manuel Paixão Ribeiro. Em 1826 é ditado o método prático de preencher acordes na viola, de Simplício M. M. Pinto, vocacionado para o ensino da viola como instrumento de acabamento. Na obra, os músicos portugueses de 1870 de Joaquim Vasconcelos é referido pela primeira vez o termo viola de arame devido à natureza das suas cordas em aço não que antes não as houvesse já de metal.

A viola de arame portuguesa que chegou até nós é da autoria do violeiro Português José Sanhudo data 1876 e trata-se de uma viola de cinco ordens de doze cordas, dez trastes com escala rente ao tampo muito tipíca e muito usada no meio popular.
Lambertini em 1902 também refere a viola de arame de cinco ordens de cordas com as mesmas doze cordas.
Tudo isto pode ser observado no disco Moda Velha de Chico Gouveia tendo estes dados sido recolhidos pelo nosso amigo Doutor Luís Silva.

Deixa o teu comentário

Últimas Escreve quem sabe

Usamos cookies para melhorar a experiência de navegação no nosso website. Ao continuar está a aceitar a política de cookies.

Registe-se ou faça login

Com a sessão iniciada poderá fazer download do jornal e poderá escolher a frequência com que recebe a nossa newsletter.




A 1ª página é sua personalize-a

Escolha as categorias que farão parte da sua página inicial.

Continuará a ver as manchetes com maior destaque.