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Sem arrasar

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Sem arrasar

Ideias

2022-04-22 às 06h00

José Manuel Cruz José Manuel Cruz

Há unanimidade em torno do triunfo de Macron no debate de quarta à noite. Personalidade estimável, Olivier Giesbert, sugere que Le Pen haja ganho, porque meritoriamente tenha aguentado o embate sem derrapar, sem se expor a luz desfavorável.
Compara Giesbert, como todos, aliás, a prestação presente com a de 2017, em que Le Pen foi grotesca. Porque o tenha ensaiado, ou porque tenha subido a plateau sob o efeito de pilula benfazeja, Le Pen defendeu-se de se sobrepor ao oponente, raramente comentando por cima, e mais raramente recorrendo ao pequeno truque achincalhante. Sinteticamente, foi Le Pen de placidez elefantina, contra um diabrete em gesta auto-heroica.
Tão para esquecer foi o consulado de Macron que, entre voltas eleitorais, profissão de fé fez de retocar prioridades, e creem-no com a o ânimo com que acreditam nos perigos e inépcias de Le Pen.
Contrariamente a Le Pen, em Macron tudo passa. Nestas páginas fiz eco da presidencial grosseria da vontade de «emmerder jusqu’au bout» os renitentes à vacinação anti-covid. Confrontado com o dito em terreno hostil, foi Macron homem para dizer, seraficamente, que o proferira de forma carinhosa, e em finíssima areia se fez a pedra do sapato.
Será Macron presidente e em Junho se saberá com que suporte parlamentar.
Em todo o caso, ganhando por conciliação de rejeições, terá sempre uma maioria da população contra o que quer que intente, por exemplo no plano da idade da reforma. Ganhará, Macron, e refém ficará da sua vitória, de modo que, ou vai ao encontro daqueles contra quem governou no primeiro mandato, ou tem as rotundas em polvorosa.
Ganhará, Macron, com os votos de Mélenchon, por assim dizer.
Mélenchon, que se aventava que se retirasse, para se consagrar à condução do Instituto La Boétie, disposto se diz a candidatar-se às Legislativas, visando a condução do próximo governo.
Duvido que o vejamos como primeiro-ministro, como pouco crível é que ao cargo ascenda a derrotada Le Pen, ou Zemmour, ou qualquer fantasma oriundo dos Socialistas ou dos Républicans. Mas são muitos do avesso.
Em suma, a vitória de Macron é um cabo de trabalhos.

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