Correio do Minho

Braga, segunda-feira

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Ser cidadão (escuteiro) nos nossos dias

O sentido da técnica e do humano e a política científica

Escreve quem sabe

2013-01-18 às 06h00

Carlos Alberto Pereira Carlos Alberto Pereira

Muitas vezes se coloca, sob o ponte de vista da reflexão, a questão: qual deve ser comportamento cívico, social e cristão do escuteiro nestes tempos de crise.
Em primeiro lugar não podemos esquecer que Baden-Powell fundou o escutismo como um instrumento para responder à pobreza material, social e espiritual dos tempos do pós industrialização, nem do princípio que nos legou na sua última mensagem - o seu verdadeiro testamento escuteiro:

“Creio que Deus nos colocou neste mundo encantador para sermos felizes e apreciarmos a vida. A felicidade não vem da riqueza, nem simplesmente do êxito de uma carreira, nem dos prazeres (...). Mas o melhor meio para alcançar a felicidade é contribuir para a feliidade dos outros. Procurai deixar o mundo um pouco melhor de que o encontrastes.”

Esta é a verdadeira missão do escuteiro - construir um mundo melhor, alicerçado no Serviço aos outros. Sabemos que o verdadeiro Amor só se manifesta pelas obras e que ninguém pode, por si só, mudar o mundo, mas cada um de nós pode contribuir para esta mudança, tão desejada. Esta é uma das mensagens simples mas sublime de Madre Teresa de Calcutá. “não podemos fazer grandes coisas; apenas pequenas coisas com muito amor”, por muito que a nossa ação possa parecer uma insignificante gota de água no imenso oceano, não podemos esquecer que este seria menor se lhe faltasse uma só gota.

Este ideal escutista, primordialmente definido, pelo Santo Padre João Paulo II, na sua homilia dirigida às guias e caminheiros em Piani de Pezza (Itália), em 9 de Agosto de 1986: “Numa sociedade que vive frequentemente dramas profundos no contexto da falta de confiança, do hedonismo e da violência, vós tendes que fazê-los sentir a beleza da fé, da amizade, da solidariedade e do serviço, como também o ideal de uma consagração total a Cristo e aos homens. (...) Conseguireis assim que o mundo mude, tornando-se melhor: com vantagem para a justiça e para a paz, para a solidariedade e promoção de cada homem”. Estas afirmações, na paisagem dos Apeninos, atraem o nosso coração, de forma permanente, para o evoluir constante da sociedade e para os novos desafios que o Escutismo terá de enfrentar, sem nunca esquecer que só com Justiça se promove a Paz que se realiza na comunhão da Caridade (do Amor, no dizer de São Paulo).

No escutismo, os jovens são os artífices do seu próprio destino que não os envolve apenas a eles próprios, mas também a todos os seus concidadãos e ao mundo onde vivem. É nesta cultura de autonomia e de responsabilidade individual e social que o escutismo faz emergir novamente os conceitos de “Construtor de Paz” e de “Semeador de Esperança” entrelaçados polo nobre sentimento do Amor e da dignidade do ser humano, dando, desta forma, uma nova dimensão às suas vidas e às dos outros, tal como afirma o escritor francês, Gustavo Flaubert: “O amor é um modo de viver e de sentir. É um ponto de vista um pouco mais elevado, um pouco mais largo; nele descobrimos o infinito e horizontes sem limites”.

Desta forma, o escuteiro, protagonista da sua vida, é encorajado a ser líder na vida da sua comunidade, sabendo que se julgar as pessoas, não tem tempo para amá-las (MTC) e esta sua ação tem como finalidade contribuir para a felicidade dos outros, que, como o perdão, tende a beneficiar tanto quem o concede como quem o recebe (B-P).

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