Correio do Minho

Braga, sábado

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Ser político

E no fim poderá ganhar (sempre) a Europa!

Ideias

2014-09-08 às 06h00

Felisbela Lopes Felisbela Lopes

Sempre olhei para a política como um labirinto de percurso ardiloso. Ocupar-se da coisa pública seria certamente algo grandioso, mas as lógicas que atualmente presidem ao campo político parecem engenhadas para afastar os melhores e multiplicar os caciques.

Acompanhando de perto o discurso jornalístico, é normal que siga diariamente a atividade política. Aí, dou comigo a interrogar-me frequentemente o que faz correr certas pessoas para cargos partidários. Na verdade, é preciso muita persistência e resignação para aguentar uma corrida partidária. Percebo, por isso, que aqueles que apresentam uma carreira profissional exigente não tenham paciência, nem disponibilidade para essas encruzilhadas.

Reunir assinaturas, acumular jantares aqui e ali, reunir com este e com aquele para coisa nenhuma a não ser atrair o seu voto, percorrer infindáveis quilómetros apenas para garantir simpatias não é, na verdade, para qualquer um.

De quem falo concretamente? Do PS? Do Bloco de Esquerda? Da atual coligação governamental? Daquilo que aconteceu nas últimas eleições autárquicas? Das europeias? Não existem, como vemos, exceções. Há uma lógica que está enraizada em todos os partidos e que está agarrada a cada escrutínio eleitoral. Daí, termos uma crise sistémica que atravessa todo o campo político. Precisamos de outros políticos, disso não tenho dúvida. Mas precisamos, acima de tudo, de outro modo de funcionamento do sistema político. Precisamos de políticas e de políticos que coloquem o bem público à frente de tudo. Nem sempre é assim. Frequentemente não é assim.

Claro que há gente competente na política. Dedicada também. Que gere a coisa pública com princípios de rigor. O pior é que os outros mascaram este grupo cada vez mais restrito. Os outros são aqueles que desenvolvem uma gestão política segundo lógicas mediáticas e de notoriedade pública. São também aqueles que tomam conta das instituições que representam invadindo-as com uma clientela partidária de curriculum duvidoso. São aqueles que constroem um discurso público de austeridade, mas que não têm qualquer cuidado com os gastos que fazem. Conhecemos muitos assim.

Por estes dias, cada partido assinala a sua rentrée. No PS assistimos a uma luta fratricida da qual resultará um partido socialista certamente muito diferente daquilo que hoje conhecemos. Quem, na verdade, estará empenhado na mudança que sempre se proclama? É esta a questão que sempre me coloco.

A mudança profunda, aquela que provocará um efeito visível na nossa vida, não acontece assim, miraculosamente. No entanto, este é o tempo de exigir mais dos políticos. É de baixo para cima que a revolução se tornará possível. Somos nós, cada um de nós, que temos de dar sinais de não querer políticos medíocres, interesseiros, incompetentes. É preciso tolerância zero para aqueles que não fazem política, mas a colocam permanentemente ao seu serviço.

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