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Será que a distribuição de vacinas da UE está atrasada em relação a outros países?

Decisões que marcam

Será que a distribuição de vacinas da UE está atrasada em relação a outros países?

Ideias

2021-02-04 às 06h00

Alzira Costa Alzira Costa

Nos últimos dias, tem surgido uma corrente de opinião pública que tem aproveitado o atraso na distribuição de vacinas para a luta contra a COVID-19 para atacar a União Europeia (UE) com a justificação de que esta não está a fazer o suficiente para assegurar uma entrega e distribuição rápida de vacinas pelos respetivos Estados-Membros (EM). Em face do surgimento desta corrente, parece-nos importante esclarecer os cidadãos do que a UE tem vindo a fazer para conseguir obter as respetivas doses prometidas, controlar o surto pandémico e, consequentemente, devolver a normalidade e a respetiva rotina a todos.
Importa referir que é natural que quando a humanidade se vê confrontada com um certo desafio à escala mundial que poderá comprometer a sobrevivência do ser humano, procure uma solução efetiva o mais rapidamente possível. Ora, espera-se que a resposta a este problema, que neste caso concreto se trata de uma pandemia, fique resolvida através da vacinação de toda a população mundial, de forma a aumentar a imunidade de grupo. Vacinas essas que são criadas e produzidas por empresas farmacêuticas com largos anos de experiência e de trabalho nesta área. Logo, é compreensível que todas as nações do planeta estejam de “olhos voltados” com extrema ansiedade e espectativa para as empresas farmacêuticas, o que leva a um aumento exacerbado da procura nos bens e serviços que as mesmas oferecem. Podemos dizer até que as vacinas contra a COVID-19 são a “corrida ao ouro” da atualidade pela sua extrema importância para um retorno normal à saúde!
Desde o surgimento da pandemia, a UE tem sido um importante parceiro das empresas farmacêuticas. Não nos podemos esquecer que foi a UE que liderou a resposta europeia ao coronavírus, que doou milhões de euros para o COVAX e lançou diversos programas de apoio a toda a comunidade científica. Além disso, a UE, em nome de todos os EM, assinou contratos com 6 fabricantes mundiais para a obtenção de 2,3 mil milhões de doses de vacinas (o que dá, em média, aproximadamente 5 vacinas a cada cidadão europeu). Importa referir também que, aquando do contrato assinado com a UE, os moldes e objetivos dos contratos foram estabelecidos através das aspirações logísticas das respetivas empresas e não por megalomanias cientificamente infundadas provenientes a partir dos líderes europeus.
Até ao momento, verificamos que há, de facto, um atraso face aos objetivos iniciais estabelecidos pela UE, mas não há um atraso evidente em relação a outros países. Tal facto, leva-nos a concluir que os motivos para tal atraso são completamente alheios à UE. A partir da plataforma “Our world in data”, uma plataforma da Universidade de Oxford, verificamos que até ao dia 1 de fevereiro, a maior parte dos países a nível mundial não vacinou nenhuma pessoa. Para além deste fator, no que diz respeito à vacinação total de pessoas, a UE (como comunidade agregadora de 27 EM) estava em terceiro lugar no mundo com 12,74 milhões de doses tomadas, sendo apenas ultrapassada pelos Estados Unidos da América (32 milhões de pessoas) e a China (24 milhões de pessoas), respetivamente. Em 4º lugar, aparecia o Reino Unido com 9 milhões de vacinas.
Estes dados evidenciam que a distribuição de vacinas teve início a um bom ritmo, contudo é normal que esta quantidade não seja tão evidenciada na sociedade pela quantidade da população europeia aproximada de 440 milhões de pessoas. No entanto, a distribuição interna compreende critérios de distribuição de igualdade e equidade entre os EM que têm sido zelosamente cumpridos. Por isso, convém referir também que, no que diz respeito ao número total de vacinação por 100 pessoas ao nível europeu, Portugal não tem razões para criticar a UE, uma vez que se encontra, atualmente, dentro da média do bloco europeu – algo inimaginável se Portugal tivesse que celebrar um acordo sozinho com as restantes empresas farmacêuticas. Porque não estamos a falar apenas de vacinas! Estamos a falar de vacinas de elevada qualidade, com resultados devidamente comprovados cientificamente, e com segurança certificada pelas diversas agências supranacionais, nomeadamente a Agência Europeia dos Medicamentos – uma das mais reconhecidas a nível mundial.
É verdade que ainda nos falta um longo caminho para percorrer até atingirmos a imunidade de grupo, mas a UE tem estado sempre do lado dos cidadãos e de quem mais precisa ao longo deste processo, reforçando a solidariedade europeia, e mostrando que as críticas direcionadas contra si são injustas. É evidente e inegável que a força do bloco europeu em ajudar os povos que mais precisam tem sido uma mais-valia para todos e é uma prova de que o sentimento de união entre os povos está mais vivo que nunca. Com a ajuda de todos, poderemos ter um final feliz mais rápido do que pensamos.

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