Correio do Minho

Braga,

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Sim, mas... não é a mesma coisa

Onde está o meu peixe

Sim, mas... não é a mesma coisa

Escreve quem sabe

2020-12-22 às 06h00

Vítor Esperança Vítor Esperança

Tempos estranhos os que agora vivemos em que nos vemos obrigados a viver com uma série de limitações que alteram substancialmente, umas mais que outras, o nosso estilo de vida corrente.
Confinados e limitados lá vamos andando. Podemos ir às compras mas distanciados, protegidos, desinfetados, a determinadas horas e sem mexer muito nem perder demasiado tempo, o que retira todo o sabor e sentir que as compras nos trazem no contacto com os demais, na observação do que é oferecido e nas interrogações das escolhas que devemos fazer perante o dinheiro disponível. As compras on-line permitem isso. Sim, mas …não é a mesma coisa.
Podemos ir ao café e ao restaurante, igualmente protegidos e respeitando medidas de distanciamento, comportando-nos de forma contrária ao habito de nos juntarmos em convívio, ou seja: falar, cumprimentar, partilhar espaço, sentir e ser sentido.
Vamos ali para estar com alguém, que está com outros e com todos, vivendo momentos de confraternização coletiva de seres sociais que somos. Tomar café sozinho é matar um vício a que se retira o prazer de sentirmos sons, cheiros e momentos de relaxe que só conseguimos obter enquanto parte dum coletivo que procura o mesmo. Almoçar ou jantar num restaurante sem a companhia que quem desejamos, ou faze-lo num espaço vazio dos outros, sem o diálogo com quem nos serve, sem o olhar dos demais e o troco que lhe retribuímos, é como retirar o sal a uma comida que se quer “saborosa”. Não se vai a estes locais apenas para nos alimentarmos mas para estarmos com a vida dos outros. Com o takeaway mantemos sabores da boa comida. Sim, mas … não é a mesma coisa.
Somos gente e não apenas pessoas. O grupo é parte da nossa individualidade. Não sou, somos. Os atos culturais e qualquer evento que se note maior, só tem valor quando apreciados e sentidos por muitos no meio da multidão anónima. A música sem concertos sentidos e vividos perde a essência da vibração coletiva. Assistir a uma atividade desportiva, que cultiva o sabor antropoide da vitória sobre os outros, não gera as mesmas emoções aos membros da tribo. Vistos em casa, na TV ou noutra tela, não se deixam de se apreciar e sentir. Sim,… mas não é a mesma coisa.
Amar! Sempre. Quem não ama não vive, não sente, não conta. A amizade e o amor não existem sem os outros. Os ausentes só existem nas imagens. Estar com os outros implica proximidade física. Precisamos de ouvir as suas vozes, sentir-lhes os cheiros, os movimentos e posturas. A mensagem transmite-se melhor se acompanhada pelo olhar e o gesticular livre do corpo. Felizmente hoje temos facebook, skipe, zoom e outras formas de reunião à distância. Sim, … mas não é a mesma coisa.
O Natal está aí. Festa da família por excelência, que requer beijos e abraços, mesas compostas e prendas para quem pode. O Natal é sentido na rua, na iluminação da cidade, no embelezar das montras, na música natalícia que ameniza e conforta o bulício dos ajuntamentos típicos da época.
O Natal é festa aqui e ali, onde as crianças são a atenção e para elas levamos o prazer e a alegria dos espetáculos de rua, dos circos, das festas de escola onde eles próprios são atores, quiçá o momento de maior orgulho que tem em si para o demonstrar aos pais.
Festa é sinónimo de gente. Os adultos não se dispensam delas nos jantares de natal de amigos ou das empresas. O Natal é também momento de olhar para os mais desafortunados da saúde e dos confortos da vida. Unem-se vontades para os ajudar, seja numa festa, almoço jantar ou prenda solidária que damos ao outro, ao estranho que apenas sabemos ser um de nós menos favorecido do sentir-se vivo. Para uns e par os outros somos agora um perigo potencial.
O Natal tem duas palavras marcantes: Família e Solidariedade, ambas embrulhadas noutra; Festa
O Natal de 2020 não será o mesmo, mesmo para quem o quer manter quase igual. Não facilitem. A vontade é tanta que colocamos em risco todo o sacrifício já feito. Não vale a pena estragar tudo agora, justamente quando a esperança aumenta no valor dado agora aos anúncios das vacinas salvíficas. Não arrisquem. Pensemos nos que partiram, nos que sofreram e sofrem perdas de familiares, amigos, empregos, rendimentos, oportunidades e vontades. Cada dia que passa há muita mais gente a sofrer. O risco da perda aumentará na proporcionalidade inversa à pressa do regresso ao passado. Calma. Está quase, mas ainda lá não chegamos.
Vivamos o Natal de forma diferente, pois o amor e os afetos não se alteram com o confinamento. Sim, … mas não é a mesma coisa.
Cuidem-se. BOM NATAL.

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