Correio do Minho

Braga, sábado

Sinais de esperança

O nível de vida português pode ser ultrapassado pelos países do leste europeu

Ideias Políticas

2014-05-27 às 06h00

Carlos Almeida

Feito o rescaldo do dia de eleições, importa agora perceber como votaram os portugueses para o parlamento europeu.
Em primeiro lugar, penso que ninguém pode ignorar a subida, ainda que ligeira, do número de abstencionistas. Um país em que cerca de dois terços dos eleitores abdicam de expressar a sua opinião, só pode ser um país que vai no mau caminho.

E não, não me iludo com a tese de que quem não vota está também a manifestar uma opinião. Penso que quem o faz, não só reduz as suas possibilidades de participação democrática, como condena todos os outros a opções e lógicas minoritárias. Estar descontente com o sistema político ou com os políticos que nos governam, não pode ser motivo para o alheamento popular, desde logo porque tem como consequência mais directa a perpetuação desses mesmos nos espaços de poder.

Por isso mesmo, o valor da abstenção no acto eleitoral do passado Domingo deve ser, na minha opinião, o primeiro elemento de reflexão. A partir dele, cada um que prescindiu de exercer um direito, que é também um dever, e que tanto custou a ser conquistado pelo povo, deve meter a mão na consciência e avaliar se essa forma de “protesto” serviu de alguma coisa. Se esse acto de “indignação” teve como consequência o castigo daqueles que trouxeram o país à situação miserável em que se encontra.

Ou, pelo contrário, se permitiu que os responsáveis pela nossa desgraça colectiva possam agora escudar-se na ideia de que destas eleições não se podem tirar ilações, pois grande parte dos portugueses nem sequer foi votar. Atentem nas palavras do ministro do CDS Paulo Portas, um dos grandes derrotados, a par de Passos Coelho, no Domingo à noite: “numa eleição em que dois terços ficaram em casa, não creio que haja aqui um voto a pedir eleições antecipadas”. Fica mais claro a quem serve a abstenção, não fica?

Outro elemento de análise, também ele longe de constituir novidade, foi o resultado alcançado pelo MPT, partido que teve como cabeça de lista Marinho Pinto. Este fenómeno, que já havia sido protagonizado pelo Coelho da Madeira nas últimas Presidenciais, tem agora como rosto o que de mais perigoso o populismo tem. Radicado numa conversa grosseira, Marinho Pinto fez o caminho mais fácil, o do ataque a tudo que mexe, metendo tudo no mesmo saco: políticos, criminosos, corruptos, etc… Resultado: foi promovido e passou de comentador de náuseas matinais televisivas a deputado ao Parlamento Europeu.

Uma nota agora para a CDU, para o reforço da sua expressão eleitoral. Subindo o número de votos, aumentando de 2 para 3 o número de deputados, a CDU garantiu a evolução positiva que tem vindo a registar nos últimos anos, contrariando o discurso da inevitabilidade e da falta de alternativas. Nestas eleições e com o resultado alcançado, a CDU confirma-se como a opção de confiança, a mais consistente e a que melhor dá corpo à luta dos mais desfavorecidos social ou economicamente.

Associado ao crescimento da sua votação está, obviamente, a pesada derrota dos partidos subservientes à troika. PSD e CDS perdem em conjunto cerca de meio milhão de votos, resultando na mais baixa votação de sempre obtida por estes partidos. O PS, que se apresentava como o “natural” reservatório do voto de descontentamento, ficou também muito aquém dos objectivos, vendo reduzida a sua expressão eleitoral.

A condenação desses partidos e da sua política de empobrecimento e exploração sobressai por isso destas eleições. Aqueles que se deslocaram às urnas foram claros, e mesmo que alguns se tenham manifestado pelo apoio a um novo produto mediático, a mensagem é inequívoca: os portugueses estão fartos desta política e querem ver devolvido tudo o que lhes foi retirado: salários e pensões, direitos, soberania e independência. Dignidade.

Correspondendo a essa vontade, assumindo o seu papel e os seus compromissos, dando continuidade ao contacto que estabeleceu com os cidadãos antes das eleições, aí está o PCP a apresentar uma moção de censura ao governo. Censura que não se fica pelo debate e votação na Assembleia da República, antes continua a crescer nas ruas.

Deixa o teu comentário

Últimas Ideias Políticas

Usamos cookies para melhorar a experiência de navegação no nosso website. Ao continuar está a aceitar a política de cookies.

Registe-se ou faça login

Com a sessão iniciada poderá fazer download do jornal e poderá escolher a frequência com que recebe a nossa newsletter.




A 1ª página é sua personalize-a

Escolha as categorias que farão parte da sua página inicial.

Continuará a ver as manchetes com maior destaque.