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Sistema Politico e Comunicação Social

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Ideias

2012-05-25 às 06h00

J.A. Oliveira Rocha J.A. Oliveira Rocha

Não é linear a relação entre o poder político e a comunicação social e a opinião pública. Segundo o modelo dos efeitos diretos o governo seria uma máquina neutra do processamento dos sentimentos populares.

A comunicação social teria como função agregar os movimentos da opinião pública e converte-los em propostas políticas concretas. Nesta conceção os mass media afirmam-se como quarto poder que não apenas fiscalizam o executivo, como colaboram ativamente na construção da agenda politica.

Embora Anthony Downs (1973) apresente uma versão melhorada desta teoria, não existe uma relação direta entre a opinião pública e o governo. Este, em muitos casos, toma a iniciativa, tendo em conta naturalmente a opinião pública que não é completamente moldada pelos meios de comunicação social.

Existe uma dialética neste processo, já que a opinião pública não é apenas uma variável independente; pode ser também uma variável dependente. Na verdade, os governos não são atores neutros e recetores da opinião pública, já que têm um papel ativo da formatação da mesma.

Os governos usam instrumentos destinados a influenciar a opinião pública, como sejam a informação, a propaganda e as campanhas de consciencialização. Ultimamente os governos têm adotado formas mais agressivas de influenciar a opinião pública, como sejam os gabinetes de imprensa, os assessores de imagem e as ligações às redações dos jornais e das televisões. Por outro lado, os jornalistas deixaram de ser os cavaleiros andantes da verdade para se transformarem em empregados de grandes grupos económicos que têm interesses no Estado.

Trabalhos como o de Kickert, Klijn e Koppenjan (1997) sublinham a forma como os governos tentam formatar as políticas públicas, recorrendo a instrumentos cada vez mais complexos e que envolvem uma multiplicidade de atores.

É neste contexto que deve ser vista a criação da Entidade Reguladora da Comunicação Social (ERC). Trata-se de uma entidade independente, cujo objetivo consiste em assegurar o livre exercício á informação e garantir o respeito pelos direitos, liberdades e garantias.
Ora, à ERC que compete apreciar este caso em que o ministro Miguel Relvas terá tentado controlar a opinião pública com ameaças á divulgação da vida privada da jornalista, bem assim como blackout ao próprio jornal o Público.

Mas este caso não é o único. Muito recentemente publicou o Diário de Notícias, durante uma semana, um dossier sobre o BPN. Pouca repercussão teve na opinião pública, apesar da sua importância para o julgamento do cavaquismo. Não se tratou de um fato colateral. Resulta da própria essência do cavaquismo que anunciava um mundo novo de sucesso, que o BPN demonstrou ser de arrivistas, aventureiros e vigaristas.

Miguel Relvas tem um papel difícil, pois todos sabem que José Sócrates perdeu a batalha com a comunicação social. Além disso, embarcou na proposta da reforma da administração local de forma atabalhoada a mal preparada. Relvas deveria saber que a sua tentativa de reforma em 2004 foi um completo fracasso. Relvas deveria saber ainda que a redução dos concelhos de 800 para 300 no tempo de Passos Manuel só foi possível pelo garrote financeiro.

Independentemente do grau de responsabilidade neste caso do Público, Relvas é hoje um homem cercado pelo lobby autárquico e presa fácil da comunicação social. Deveria demitir-se ou ser demitido, para bem do governo que integra.

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