Correio do Minho

Braga, sábado

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Smart Retail numa Smart City

Como se faz uma amizade permanecer?

Escreve quem sabe

2016-05-13 às 06h00

Rui Marques Rui Marques

Imagine que, no futuro, é possível saber, em tempo real, quantas pessoas visitam o centro de Braga. Que é possível saber que lojas visitam e os percursos fazem. Que, para além disto, ainda é possível saber quanto tempo demoram em cada ponto do seu percurso e que é possível determinar as suas nacionalidades.
Agora imagine que a recolha desta informação, valiosíssima, é possível de realizar sem colocar em causa a privacidade dos visitantes. Ou seja, que tudo acontece mantendo o anonimato dos visitantes.

Imagine também que a informação recolhida é processada por um software poderoso, que trata a informação de forma imediata e nos permite aceder aos dados estatísticos de uma ou mais variáveis analisadas e que isso nos permite padronizar os comportamentos dos visitantes. Que conseguimos saber quantos visitantes entram por dia, na área monitorizada, por cada uma das ruas de acesso ao centro; que conseguimos saber quais as ruas com maior e menor tráfego pedonal em determinado horário ou dia; que conseguimos saber a que loja(s) vão os visitantes da Sé de Braga após visita à Catedral (ou a partir de qualquer outro ponto de interesse na área monitorizada); que conseguimos hierarquizar as lojas e os pontos de interesse turístico mais visitados de Braga (as âncoras do centro de Braga); que conseguimos saber as lojas mais visitadas pelos turistas internacionais, podendo ir ao detalhe dos resultados por cada país de origem; entre outras consultas de variáveis que podem ser correlacionadas e analisadas.

Imagine o impacto num processo de gestão coletiva das atividades económicas instaladas no centro da cidade que um sistema organizado de informação deste género permitiria. Lembre-se que em gestão, diz-se, comummente, que só pode gerir o que se pode medir. E que quanto melhor é a qualidade da informação medida, mais bem preparados estamos para decidir melhor.
Do que estamos a falar é de uma solução de “Business Intelligence” para o comércio de proximidade, que pode estar mais próxima do que, aparentemente, se poderia julgar.

A Associação Comercial de Braga, no âmbito do acordo de parceria Portugal 2020, apresentou uma candidatura a um sistema de ações coletivas com o objetivo de implementar uma solução de “rastrear consumidores”, a título de experiência piloto, que acreditamos poderá revolucionar a forma de fazer comércio em centro cidade, em Braga e no resto do país.
Trata-se de uma solução inovadora que assenta num processo de captura, por sensores, de radiofrequências de dispositivos móveis (telemóveis e tablets), sendo a informação gerida de forma completamente passiva, segura e anónima, garantindo o cumprimento de todas as regras e legislação aplicáveis em Portugal e na União Europeia.

A partir da análise da informação recolhida, tornar-se-á muito mais fácil e eficaz desenvolver ações individuais e coletivas de melhoria da oferta, como sejam: articular ofertas entre os vários estabelecimentos; ajustar horários de funcionamento; prever fluxos de pessoas e medir o impacto de eventos; colocar informação em locais mais adequados; planear ações de comunicação e marketing e conhecer melhor o seu impacto; ou lançar alertas em tempo real para a entidade “gestora”.

Mas o projeto não termina aqui. Se a obtenção de informação acerca dos movimentos de pessoas no centro é de uma extraordinária importância, a conversão dos dados recolhidos em oportunidades de negócio é ainda mais relevante para os operadores económicos. E esta é a segunda parte do projeto - a implementação de uma plataforma de “customer engagement”, que, com a autorização expressa dos visitantes da cidade, permitirá passar a identificar os mesmos, com campos como nome, email ou contacto telefónico, o que possibilitará a realização de uma gestão de relacionamento com o cliente, um a um, em função dos seus reais interesses e hábitos de consumos.

Trata-se de uma grande revolução na forma de gerir e potenciar o comércio em centro cidade, que a Associação Comercial de Braga espera implementar em breve, caso esta candidatura seja aprovada e alvo de comparticipação dos fundos comunitários.

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