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SNS – As medalhas de cortiça

Os amigos de Mariana (1ª parte)

SNS – As medalhas de cortiça

Voz à Saúde

2022-06-28 às 06h00

Joana Afonso Joana Afonso

Sou médica especialista em Medicina Geral e Familiar. Para “cá” chegar foram precisos seis anos de estudo universitário, um ano de internato geral, quatro anos de especialidade e muitos mais de coragem, resiliência, superação e luta. Defendo o Serviço Nacional de Saúde (SNS) pelos conceitos de universalidade, gratuitidade, integração de cuidados, equidade, qualidade, sustentabilidade e proximidade que, atualmente, se veem cada vez menos assegurados.
A cada concurso nacional, milhares de médicos são colocados em vagas distantes, sem qualquer apoio ou incentivo. Muitos, em consciência, optam por não o fazer. Outros acabam por desistir. Ainda há os que acreditam no SNS e arriscam, a qualquer custo.

Os médicos não querem trabalhar! Não. Os médicos não são números que servem para preencher vazios. Espante-se aquele que não escolhe ficar perto da sua família, trabalhar menos horas semanais e ganhar o mesmo (ou até mais) ao final do mês, aquele que não prefere a proximidade ao conforto da sua casa… “Egoísmo” daquele que escolher tais opções. E, quando falo de médicos, falo de enfermeiros, professores e todas as outras infindáveis profissões que possam existir. Desamparado, ninguém arriscará o certo pelo incerto.
Tendo por base um horário semanal de 40 horas de trabalho, são raras as semanas em que, em medicina, este não seja excedido em, pelo menos, 10 horas. Somam-se os segundos, os minutos e as horas de entrega, no final servirão para ganhar a esperada “medalha de cortiça”.

Em ano de pandemia, a comunidade médica viu as suas férias congeladas. Não houve quem batesse pé porque a causa era maior, era nobre, era a saúde no combate à doença.
Atualmente, os médicos sofrem a ameaça de verem as suas férias ou folgas canceladas mas, o que está em causa é a poupança na contratação de substitutos ou, simplesmente, o pagamento justo de quem se desdobra para colmatar essa falha. Desde cedo as necessidades de recursos humanos foram expressas, mas ignoradas por quem de maior e agora é exigida a exaustão dos profissionais para que cada um faça o trabalho de dois.
O profissional de saúde deve estar sempre disponível porque a doença não escolhe dias ou horas.

Não tem que ser premiado por isso. Só tem que ter o direito de ser, justamente, compensado pelo seu trabalho. Porque o médico é filho, é neto, é pai ou mesmo avô e tem direito à vida que se expressa além da sua profissão.
Quando nos dizem que o melhor é não adoecer em agosto, se continuarmos a lutar sozinhos, então o melhor é guardarmos apenas saúde para os restantes onze meses do calendário.

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