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São Francisco e o Sínodo Amazónico

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São Francisco e o Sínodo Amazónico

Escreve quem sabe

2019-10-11 às 06h00

Carlos Alberto Pereira Carlos Alberto Pereira

Louvado sejas, meu Senhor,
Por nossa irmã a mãe Terra,
Que nos sustenta e governa,
E produz frutos diversos
E coloridas flores e ervas.
São Francisco de Assis
in, Cântico das Criaturas

Ao iniciar esta crónica com a citação da oração de Francisco, o inspirador do Papa, do mesmo nome, para a célebre carta encíclica Laudato Sí, sobre o cuidado da casa comum (24-05-2015), é porque ao pretender lembrar o santo patrono da I Secção, do CNE, a unidade dos Lobitos, cujo dia, do calendário litúrgico, se celebrou no passa dia 4, deste mês, e um outro evento, este da iniciativa papal o Sínodo para a Pan-Amazónia, cuja convocação data de 15 de outubro de 2017, que se iniciou no pretérito dia 6 do corrente mês.
No Escutismo Católico Português, os Lobitos (crianças dos seis aos dez anos) são inspirados pelo “Livro da Selva” de Rudyard Kipling e por São Francisco de Assis, que os desafiam a olhar cuidadosamente a selva e os seres que a habitam para descobrirem a beleza do ato criador de Deus. Desta forma, a Natureza: flora e fauna, transforma-se no ambiente enquadrador das atividades das crianças, os Lobitos que se identificam com Máugli1 o menino que foi acolhido pela alcateia, que o aceitou como um dos seus e que o defendeu do tigre que o perseguia.

Francisco de Assis tem esta particularidade do acolhimento pelo amor, como irmã ou irmão, como se pode verificar em todo o Cântico das Criaturas, mas também na célebre história do lobo de Gúbio2. O ideário de vida deste santo pode ser encontrado na chamada Oração de São Francisco (ou Oração de Paz): Senhor, fazei-me instrumento de vossa paz.
Onde houver ódio, que eu leve o amor;
Onde houver ofensa, que eu leve o perdão; (...)
Ó mestre, fazei que eu procure mais consolar que ser consolado;
Compreender, que ser compreendido;
Amar, que ser amado. (...)

É com este enfoque que o Lobito aprende e se compromete a escutar e a dar importância aos outros, a pensar primeiro no seu semelhante, a saber ver e ouvir, a ser asseado, verdadeiro e alegre. Mas também, a ser amigo de Jesus, amando os outros, a respeitar a Lei da Alcateia e a praticar diariamente uma boa ação.
Relativamente ao Sínodo Especial para a Amazónia, aquando da sua convocatória, o Papa fixou como finalidade principal “encontrar novos caminhos para a evangelização daquela porção do Povo de Deus, sobretudo dos indígenas, muitas vezes esquecidos e sem a perspetiva de um futuro sereno, também por causa da crise da floresta Amazónica, pulmão de importância fundamental para o nosso planeta”. Lembrou também que, “esta região, importante fonte de oxigênio para toda a Terra, concentra-se mais de um terço das florestas primárias do mundo. É uma das maiores reservas de biodiversidade do planeta, abrigando 20% da água doce não congelada”.

Este documento termina afirmando:
“Durante este longo percurso do Instrumentum Laboris, ouviu-se a voz da Amazónia à luz da fé (I Parte), com a intenção de responder ao clamor do povo e do território amazónico por uma ecologia integral (II Parte) e por novos caminhos para uma Igreja profética na Amazónia (III Parte).Estas vozes amazónicas exortam a dar uma resposta renovada às diferentes situações e a procurar novos caminhos que possibilitam um kairós (tempo) para a Igreja e o mundo.”
e concluindo: “sob o amparo de Maria, venerada com vários títulos na Amazónia inteira. Esperemos que este Sínodo seja uma expressão concreta da sinodalidade de uma Igreja em saída, para que a vida plena que Jesus veio trazer ao mundo (cf. Jo 10, 10) chegue a todos, especialmente aos pobres.”
Esperemos que, neste mês de São Francisco de Assis, também o Santo da “ecologia integral”, inspire os participantes do Sínodo Amazónico a encontrarem caminhos que conduzam a uma nova visão e a novas vivências, marcadas pela sã convivência do ser humano com a Natureza, para sermos capazes de deixar como legado aos nossos vindouros um mundo muito mais humano e ambientalmente limpo - um verdadeiro Éden.
1Grafia utilizada por José Francisco dos Santos, tradução do livro publicado pela editora Livros do Brasil, Lisboa, em outras traduções também é usada a grafia Mogli.
2Pe. José Artulino Besen, São Francisco. O Poeta da Criação, Editora: Mundo e Missão.

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