Correio do Minho

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Sobre as novas formas de empregabilidade

O espantalho

Escreve quem sabe

2015-04-19 às 06h00

Manuel Barros Manuel Barros

No passado dia 8 de abril, proferi uma comunicação, na Escola Superior de Estudos Industriais e Gestão Instituto Politécnico do Porto, aos alunos da licenciatura em Gestão de Recursos humanos, no âmbito da unidade curricular sobre a Empregabilidade e Inserção Profissional. Um tema complexo, em torno das novas formas de empregabilidade, e uma reflexão aliciante, que condensa a problemática central de promoção do emprego jovem na região, no país e em toda a Europa.
A crise económica e o crescente número de desempregados por toda a Europa fizeram despertar a consciência de que não é possível trabalhar em educação e formação profissional, sem o envolvimento de representantes do mundo empresarial. Se a educação e formação devem preparar para uma transição para o mercado de trabalho com sucesso, então é preciso perceber o que pode potenciar essa transição e, sobretudo, ajudar a manter a condição para ser “empregável”.
As competências necessárias também não são sempre as mesmas. Têm vindo a alterar-se com as mudanças verificadas, ao longo dos tempos, no nosso mercado de trabalho Esta condição está hoje, intrinsecamente, relacionada com o conceito de competência. Sendo cada vez mais assumido o princípio de que “ser empregável é ser competente”.
Hoje, por exemplo, é mais relevante ser-se competente no que respeita ao relacionamento interpessoal e aos aspetos associados à comunicação, trabalho em equipa, resiliência e adaptabilidade. Amanhã, fruto de novas exigências provenientes do mercado de trabalho, as competências mais relevantes poderão ser outras. Por esse motivo, é fundamental que os sistemas sejam capazes de fornecer aos jovens competências que se ajustem, a cada momento, ao que é valorizado pelo mercado de trabalho.  
Este ajustamento não é uma tarefa nada fácil, porque pressupõe que as instituições de ensino e formação sejam capazes de antecipar, o que vai ser requerido pelo mercado de trabalho quando os alunos/formandos concluírem os seus percursos formativos. Uma preocupação em trabalhar, ao nível das unidades curriculares dos cursos, e das dinâmicas que desenvolvem competências técnicas e, outras de natureza mais transversal - as chamadas soft skills -, que se encontram muito mais associadas aos recursos comportamentais  (capacidade de trabalhar em equipa, comunicação, adaptabilidade, resiliência) e que, de acordo com estudos mais recentes, são as que mais vantagens conferem à sustentabilidade dos empregos.
Pressupõe ainda, uma articulação cada vez mais estreita entre a escola e o mercado, por exemplo, por via do reforço da formação em contexto de trabalho ou de um maior envolvimento dos representantes dos empregadores na elaboração dos percursos formativos), é ainda fundamental que as qualificações produzidas, sejam percebidas pelo mercado de trabalho. Ou seja, que permitam a um empresário perceber o que pode esperar de alguém que seja detentor de determi- nadas qualificações.
Neste sentido, importa responder à questão: “com esta formação, com esta licenciatura, com esta qualificação, o que é que um jovem que sai do ensino profissional ou superior sabe fazer?” E, o que deve ser feito para potenciar a empregabilidade, tendo em linha de conta que o mercado de trabalho não se confina ao espaço geográfico nacional, sendo necessário que a resposta a esta questão, seja evidente para os empregadores nacionais ou de qualquer Estado-Membro.  
Atualmente, a questão da empregabilidade não aparece apenas associada à relação entre o sistema de educação e formação e o mercado de trabalho, mas também centrada em duas condições de suporte que residem nos fatores de inclusão social e na aprendizagem ao longo da vida. Devendo as competências ser percebidas pelos empregadores.
Competências que devem estar espelhadas nos conhecimentos, aptidões e atitudes, associados aos diferentes níveis de qualificação que o sistema de educação e formação permite alcançar, desde o nível 1 correspondente ao 2º ciclo do ensino básico, até ao nível 8 que é conferido pelo grau de doutoramento, conforme prevê o Quadro Nacional de Qualificações em vigor desde 2010.
Uma Estratégia a favor de um sistema de educação e formação profissional modernos e de qualidade, para dotar os jovens das competências necessárias para encontrar emprego numa economia em rápida mutação. Procurando melhorar a qualidade do ensino e da formação, incentivando a criatividade e o espírito empreendedor, e facilitar a aprendizagem em todas as etapas da carreira académica e profissional, e dos mecanismos e dinâmicas de educação não formal. Desenvolvendo uma estratégia eficaz, tendo como principal objetivo efetuar uma avaliação da forma como elas são adquiridas e usadas, para melhorar o ajustamento entre a oferta e a procura de competências.
Sendo no conjunto dos seus fatores estruturantes das tendências futuras do mercado do sistema de ensino, de formação e qualificação profissional, que as novas formas de empregabilidade devem ser problematizadas. Um tema que não se esgota aqui, e ao qual vamos regressar oportunamente.

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