Correio do Minho

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Sois a minha referência

Amigos não são amiguinhos

Conta o Leitor

2012-08-19 às 06h00

Escritor

Por Maria Natália Ribeiro de Sousa

Era uma vez...
Algures, numa aldeia minhota... Uma moçoila e um mancebo, que se conheceram, namoram e casaram (no dia 3 de Janeiro de 1952), uma quinta-feira.
Tiveram muitos filhinhos, todos vivos, felizmente. Eu sou a 3.ª dos nove rebentos nascidos.
Foram tempos muito difíceis.
Os meus pais eram lavradores em solteiros, e, assim continuaram durante alguns anos após o casamento.
Um dia, o meu pai, que nunca frequentou a escola, pois nasceu em 1920 e nunca tinha saído da terra (mas queria mais e melhor para a sua família), largou os campos, e, procurou trabalho algures neste país que não tinha quase nada para oferecer aos seus filhos.
Estava instalado um regime fascista, que protegia um certo patronato, sem escrúpulos (que por sua vez, afastava os operários de casa), a fim de poder dispor deles quando quisesse. - E o meu pai deixou de ser lavrador e passou a trabalhador da construção civil, até à sua reforma (que é de miséria), dentro do país mas sempre longe da família, embora, muitas vezes, as empresas onde trabalhou, tivessem obras na sua zona de residência.
Passou os seus melhores anos da sua vida, afastado de nós. Às vezes vinha a casa aos oito dias, aos quinze dias, ao mês - e, aconteceu muitas vezes que nos visitava de três em três meses, ou só nas férias, pois esteve deslocado no sul do país; havia poucos transportes, poucas ligações entre estes, e eram muito caros.
Por isso, fomos todos educados pela minha mãe, que para além de toda a adversidade, - foi para nós (na maior parte do tempo), mãe e pai.
Pela solidão e afastamento da família, pela dureza de vida a que se submeteu por nós. Pelo seu incansável espírito de sacrifício, este testemunhado e compartilhado por dois irmãos que entretanto se lhe juntaram.
Obrigado meu pai!
Pela solidez de carácter, pela sua generosidade e bondade. Pela inteligência e visão da vida e das coisas. Pela sua firmeza na nossa educação, pois naquele tempo, e apesar das estremas dificuldades económicas, pôs todos os filhos (rapazes e raparigas), a estudar.
Obrigada minha mãe!
Porque nos educaram mais pelo exemplo e com o bom exemplo, do que por palavras. Porque nos deixaram sempre expor os nossos pontos de vista e permitiram que houvesse um diálogo salutar entre todos.
Por tudo isso, uso-vos como exemplo - para orientar os meus filhos e falo da vossa luta para nos educar e guiar nos caminhos pedregosos do mundo.
Também eu vos tento imitar, para conduzir a minha família, nesta estrada, cheia de armadilhas, que é afinal, a vida; com a mesma tenacidade e espírito de sacrifício que me foi incutido por VOCÊS!
Muito, muito obrigado a ambos!

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