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Sonhar na velhice

Bernardo Reis: um nome para a história de Braga

Sonhar na velhice

Voz aos Escritores

2024-02-16 às 06h00

Fabíola Lopes Fabíola Lopes

Sim, na velhice. Não na terceira idade, que isso é muito estratificado, enquadrado e encaixotado. Velhice, que é para essa fase que caminhamos todos os dias, melhor ou pior.
Voltando ao sonho, acto incontornável e incontrolável desde a mais tenra idade, involuntário e revelador de angústias ou desejos profundamente instalados. Mundanos ou voláteis, por vezes, saem disparados conforme o momento e a circunstância em que nos é pedido.
Egoísta ou ingenuamente consideramos que temos a vida toda para os realizarmos. A vida activa, pelo menos.
Envelhecemos e a vida cumpriu-se. Com ela os sonhos e as conquistas. O que alcançámos.
Na medida paralela e de mão dada com a perda de autonomia, os sonhos vão desaparecendo como nuvens fugidias na linha do horizonte. Farrapos de uma existência ténue. Miragens.
Como todas as outras dependências, há sonhos que se sustentam nos outros. Outros são impossíveis, mas latejam continuamente na última camada de consciência. Mas para tudo é necessário primeiro que alguém queira saber. Que alguém se lembre e pergunte.
Na Ascredno, logo à entrada, um mural com as fotografias dos residentes com um quadro de lousa e os desejos escritos a letra legível e bonita. “Sonho ser mais feliz”, “sonho voltar a ver o meu marido e irmãos”, “sonho ter vida e saúde”, “sonho colocar os pobres melhores”, “sonho voltar a andar de comboio”, “sonho voltar a andar sozinha”, “sonho voltar à Índia”, “sonho voltar à minha casa e ter a visita dos meus filhos”, “sonho estar sossegado e em paz”, “sonho ir para junto da minha mulher”, “sonho voltar a ver os meus pais”, entre outros.
A minha madrinha terá dito “sonho ir a Lisboa visitar um amigo”. A minha filha reparou e no Sábado passado realizou o sonho do ano. Pelo menos este. Falta descobrir qual será o que se segue, como as ideias. Espero que seja tão fácil de realizar como este.

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