Correio do Minho

Braga, quarta-feira

- +

Sonho de verão

A avaliação pedagógica...

Conta o Leitor

2020-08-13 às 06h00

Escritor Escritor

Não há estação do ano que mais nos toque com a sua chegada do que o verão, assim pensava o sr. Braga, que estava incumbido de escrever para o seu jornal, um artigo especial a propósito de Verão, calor e férias. O verão leva-nos a sair do sofá e ir para a varanda ou jardim para procurar os recantos mais frescos e agradáveis.
Adormeceu na sua varanda, na casa na praia da Apúlia. Estava muito cansado do seu dia preenchido pois precisava de escrever uma boa história de verão. Acordou mais tarde, com o ar fresco da praia e dirigiu-se aos seus aposentos. A casa estava fresca e acolhedora ao mesmo tempo. O cheiro do mar e do pinhal percorriam a casa. Deitou-se, mas antes foi beber um sumo de laranja fresco do frigorífico. Acordou a meio da noite e foi beber sumo de maracujá, com duas pedras de gelo. Andava à procura da sua história... Voltou a adormecer.

Acordou bastante cedo. O relógio marcava 7:00h, bebeu o seu café Delta acompanhado de sumo de laranja, do Algarve. Correu para a praia e caminhou ao longo da mesma, sempre à beira mar. A praia já estava um pouco movimentada, com toda a espécie de pessoas a caminharem ou a praticarem algum desporto.
Avistou ao longe uma rapariga interessante, bonita, que além de correr também apanhava pequenas pedras ou conchas na areia. Cada vez se aproximava mais da mesma e tentou falar com ela argumentando que a iria ajudar a apanhar as pequenas conchas.

- Agradeço a sua amabilidade. Os meus sobrinhos vão adorar. Disse com um sorriso nos lábios.
- Não se preocupe. Faço-o com todo o gosto.
Para a acompanhar o Sr. Braga teve que inverter a sua marcha, mas fê-lo de boa vontade. Caminharam para lá dos moinhos da Apúlia. Havia muitas rochas, sargaço, algas muito verdes e algumas vermelhas. As gaivotas apareciam aqui e ali e podiam admirá-las. Sentia os seus pés confortáveis nas águas do Atlântico e a sua acompanhante também era da mesma opinião. Despediram-se e prometeram encontrar-se no dia a seguir.
Aproximava-se o fim de tarde e encontrava-se na sua varanda, bebericando o seu chá preferido, de maracujá, reflectia que já tinha mais ideias para a sua história no jornal. O pôr-do-sol estava a acontecer no horizonte e era maravilhoso.

Na manhã seguinte, no mesmo horário correu para a praia. Tinha um compromisso com esta interessante rapariga que ainda não conhecia pelo nome. Avistou-a ao longe de cabelos loiros ao vento, com uma fita de cor vermelha e um vestido azul marinho. Estava divina! Cumprimentaram-se e ela apresentou-se:
- O meu é Margarida e o seu?
- Pode chamar-me Braga!
- Interessante, Braga, da cidade de Braga?
- Sim, embora tenha realmente nascido em Braga, chamam-me Braga (apelido), o meu primeiro nome é Dionísio.
- Estou encantada. – Disse Margarida. Gosto desses nomes todos!

O sr. Braga riu-se, pois estes comentários aos seus nomes não eram muito comuns. Caminharam bem junto ao mar, apanhando as pedrinhas e conchas mais originais. Cumprimentaram alguns banhistas conhecidos de um e de outro. Falaram dos seus gostos pelo mar, pela praia, concretamente pela Apúlia. Margarida falou dos sobrinhos, em especial do mais pequeno, que iria receber uma prótese pois tinha um problema no pé esquerdo. Estava preocupada com ele, pois só tinha 5 anos, era o filho da sua irmã mais velha. O sr. Braga confortou-a dizendo que tudo iria correr pelo melhor.
Margarida decidiu ir para a água, gostava de mergulhar e sentir a fescura da água no seu corpo. Mesmo à beira mar encontrou algum sargaço, contudo isso não a impediu de aproveitar o seu banho de água salgada. O sr. Braga admirado, não sabia o que dizer. Estava fascinado com a delicadeza e beleza de Margarida. Ele, de tão reservado que era, não se atreveu a ir a banhos. Preferiu passear ao longo da praia, mas sempre próximo de Margarida. De repente saiu da água e colocou a toalha nas costas, chinelos na mão, saco de praia a tiracolo e estava pronta para caminhar.

Disse:
- Venha, vou secar-me naturalmente enquanto passeamos à beira mar e poderei ficar mais morena.
- O sr. Braga concordou. Também ele gostava de passear pela praia, especialmente de manhã, onde se sente muito o cheiro de maresia, ouve-se o barulho das ondas, sente-se o calor da areia nos dedos. É uma terapia.
Margarida colocou o seu braço no do sr. Braga, ao que este reagiu, suavemente, mas depois aceitou. Caminharam até onde a vista poderia alcançar e depois despediram-se.
Sozinho na sua varanda e sentado confortavelmente, sentia-se muito feliz por conhecer uma pessoa tão simpática e bonita como a Margarida. Era uma bênção para ele. Não esperava encontrá-la!
No dia seguinte e sem encontros marcados, ele avistou-a perto dos barcos dos pescadores e dirigiu-se para ela e cumprimentou-a. Estavam ambos muito felizes. Trocaram palavras, passearam pela Vila e Margarida comprou vasos de flores (hortênsias e plantas suculentas).

Caminharam lado a lado e Margarida disse que era natural de Viana do Castelo e que morava mesmo no centro da cidade numa casa muito antiga, embora restaurada e datava do tempo do seu avô paterno, Manuel Oliveira.
De repente disse:
- Tem de vir visitar-me, concorda?
- Sim, gostaria de conhecer a sua família.
- Então fica combinado. Disse Margarida, com um grande sorriso.
Deram as mãos, trocaram sorrisos e as faces ficaram rosadas de tanta alegria que pairava no ar. Partiram, cada um para o seu espaço.
No calor da noite de verão perguntou a si próprio se tudo isto não seria um sonho… Depois disse:
- Encontrei a minha história para o artigo do jornal, vai ser a minha história e vou chamar-lhe ‘Sonho de verão’.

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