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Também já fui rapaz!

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Também já fui rapaz!

Escreve quem sabe

2021-09-17 às 06h00

Carlos Alberto Pereira Carlos Alberto Pereira

Quando, na passada quarta-feira dia 15 de setembro, me sentei para escrever esta crónica passei em revisa as notas que juntara e, de repente, um telefonema obrigou-me a consultar a minha agenda. Reparei num lembrete que me recordava que fizera a minha promessa de dirigente, no dia 15 de setembro de 1972, tinha na altura 18 anos de idade, no Agrupamento 208 de Ferreiros, a cujos quadros ainda hoje pertenço.
A imaginação rapidamente me transportou para esses tempos e a nostalgia envolveu-me, qual denso nevoeiro, que me isolou das notas que meticulosamente recolhera para dar origem à crónica desta quinzena, sumiram como o D. Sebastião, e assim decidi deixar as notas em repouso e embarcar nesta viagem pelos tempos idos carregados de emoções e de aventuras.

Regressemos, pois, ao ano de 1962, ano em que entrei para a Alcateia (a Unidade ou Secção formada pelos Lobitos – crianças dos 6 aos 10/11 anos) do Agrupamento 208. Lembro-me que o Chefe António foi pedir à minha mãe se poderia ir para os Lobitos, a mãe acedeu, mas ressalvou que a continuidade dependeria exclusivamente de mim, se gostasse continuaria, caso contrário tomaria outro caminho e “amigos na mesma”. O chefe Cândido Braga, chefiava a Alcateia, era, e continua a ser, graças a Deus, o que poderemos chamar de um Homem Bom e de Bem. Marcou-me com a sua bondade e compreensão, tenho bem presente um acampamento (os lobitos não dormiam em Campo) realizado no monte do Sr. Vale, que aventura, não porque fosse um monte desconhecido, pois muitas vezes íamos para lá apanhar grilos, mas porque ganhava uma vida nova, ficava mais belo com o recorte das tendas no horizonte e ao anoitecer alumiado pelo fogo de conselho onde dávamos aso à nossa criatividade e aos nossos dotes artísticos, que punham os nossos familiares a necessitarem de uma baba. Nessa época tivemos a sorte de participar no acampamento realizado para a inauguração do Campo Escola de Fraião, os Lobitos, como de costume, não dormiram em campo. Aos meus olhos de menino o acampamento parecia enorme, havia gente de todos os lados, de terras cuja existência desconhecia por completo. O jogo de seguir uma pista era algo de empolgante, seguíamos em Bando, com o Guia à frente e o Subguia a trás, sempre por caminhos, nunca pelas estradas. Com naturalidade, fiz a Promessa de Lobito no dia 14 de setembro de 1962. A Ida para França, no final do primeiro ciclo, quebrou esta vida de alegres aventuras e só nas férias grandes, que sempre passamos em Ferreiros, é que tinha a oportunidade de regressar à Alcateia.

Depois de três anos em França e outros tantos no Seminário de Nossa Senhora da Conceição, mais conhecido como Seminário da Tamanca, regressei ao Agrupamento, embora, nas férias escolares dos tempos do Seminário, ia visitando os meus amigos da Alcateia, agora já no Grupo 104 e aos 16 anos de idade, no dia 5 de setembro de 1970, fiz a minha promessa de Explorador.
A vida na II Secção era muito diferente da que conheci na Alcateia, havia mais autonomia e muito mais trabalho, faltava a presença amiga do Chefe Cândido Braga, que sempre resolvia os problemas que surgiam. Agora, eramos nós próprios que tínhamos de os resolver em Patrulha. Nos dirigentes havia uma alta rotação, o Chefe Zeca – José Araújo, ao fim de alguns meses foi mobilizado para a guerra colonial, sendo substituído pelo “Chefe” Francisco Lopes, que era, até então, o Guia da Patrulha Rola, que, por causa disso, teve um novo Guia, o António Cerqueira e eu fui escolhido para Subguia da Patrulha. Claro que o Chefe de Agrupamento, António Fernandes Ferreira Gomes, que também era o Chefe de Grupo, supervisionava, de perto, a nossa atividade escutista e orientava, na sua iniciação tanto o Chefe Zeca como o Francisco e, mais tarde, os que lhes sucederam. Era o “pronto Socorro” desta Secção, ele que já era escuteiro desde a fundação do Agrupamento em 1943.

Claro que não tenho presente todas as atividades realizadas, mas ainda hoje revejo na minha memória os acampamentos no monte da Quinta do Anjo, em Ferreiros; as atividades de São Jorge, o patrono mundial de escutismo; as imensas caminhadas, onde o caminho mais curto era sempre o escolhido, tipo “voo de pássaro”, e lá íamos pelo cansativo “monte acima” e “monte abaixo” e por vezes pelo repousante caminhar pelo vale, até chegar ao objetivo definido, sempre antes da Patrulha Lobo, claro está! Os acampamentos de Verão no “Campo de férias da Apúlia”, como era chamado, à época, o Centro Escutista da Apúlia, cuja duração variava entre os 8 e os 15 dias.
Foram momentos marcantes nas nossas vidas e ainda são recordados com saudade e com uma admiração profunda por aquele que, ainda hoje, é “o Chefe de Agrupamento”, o Chefe António, a pesar de já há vários anos está no eterno acampamento.

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