Correio do Minho

Braga, terça-feira

Tempo de mudança... tempo de adaptação

Desprezar a Identidade, Comprometer o Futuro

Voz às Escolas

2011-01-17 às 06h00

Maria da Graça Moura

“… o ensino e a aprendizagem do Português determinam irrevogavelmente a formação das crianças e dos jovens, condicionando a sua relação com o mundo e com os outros. Se muitas vezes designamos o Português como língua materna, não o fazemos certamente por acaso: naquela imagem representa-se bem a noção de que a língua que aprendemos (e que a escola depois incorpora como matéria central) está directamente ligada à nossa criação e ao nosso desenvolvimento como seres humanos. Naturalmente que são diferentes destas as vivências dos alunos que não têm o Português como língua materna, alunos cuja integração na língua de acolhimento se processa em termos que, como é óbvio, são distintos e para os quais existem orientações”.
(Programas de Português do Ensino Básico, DGIDC).

A escola é palco de alte-rações que acarretam um esforço acrescido de todos os intervenientes no processo educativo, no sentido de darem uma resposta competente às exigências de um presente que perspectiva um futuro mais promissor, no que diz res-peito às relações estabelecidas com o mundo global em que nos inserimos.

É preciso vencer resistências puristas focando a análise nas vantagens capazes de suplantar os constrangimentos. É nesta perspectiva que os docentes de Língua Portuguesa do Agrupamento de Escolas André Soares se preparam para a aplicação, já em Setembro, dos novos programas que integram nova terminologia gramatical nos 1.º, 5.º e 7.º anos.

Ao longo dos últimos anos implementou-se um programa de formação, no âmbito dos novos programas de português. O Agrupamento integrou um formador residente que, durante dois anos, desenvolveu essa formação para todos os docentes do 1.º ciclo. Posteriormente alargou-se a formação aos 2.º e 3.º ciclos de escolaridade, ainda que em formato diferente.

Pelo faseamento na sua implementação, as alterações aos programas causarão dificuldades acrescidas aos docentes. Se no 1.º ciclo um professor é titular de uma turma, nos restantes ciclos o professor alterará a terminologia várias vezes, conforme se encontre perante uma turma do 5.º ou 6.º ano, do 7.º, do 8.º ou do 9.º ano. Será grande o trabalho de preparação!

No processo de organização do próximo ano será importante ter em conta critérios específicos para minimização destes problemas, ao que o Conselho Pedagógico estará atento. E, se para os professores será difícil, para os alunos talvez ainda mais! Alguns terão que reaprender tanto!

Será fundamental a colaboração empenhada e articulada de todos os professores, independentemente da sua disciplina ou área disciplinar, tendo todos a responsabilidade da promoção do uso rigoroso da língua portuguesa. E, claro, fundamental a colaboração e compreensão dos Encarregados de Educação, aqueles a quem pretendemos chegar com este artigo, com o objectivo de alertar para este tempo de mudança… tempo de adaptação…

Passados alguns anos, serão esquecidos os obstáculos e lembradas as vitórias alcançadas com o esforço que todos teremos de empreender para atingir, em pleno, a compreensão e aceitar, definitivamente, o que agora parece romper com o que teimamos em não querer abandonar.

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