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Tempo que se aproxima…

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Tempo que se aproxima…

Escreve quem sabe

2021-04-05 às 06h00

Filipe Fontes Filipe Fontes

Escrevo estas palavras ainda dia primeiro do mês de abril, dia igual a tantos outros se não fosse ser tido como “dia das mentiras”.
Não me servindo desse contexto para lançar ou parodiar como tal, apoio-me neste facto para relacionar a causa da designação deste dia – dia das mentiras – com a actualidade. Afinal , foi a mudança, a resistência à mudança e amenização da mudança através do disfarce e da invenção, ou seja, da mentira que estiveram na base deste “cognome” para o primeiro dia de abril, algures, alguns séculos atrás.
Mudança é palavra cada vez mais repetida e constatada, sendo progressiva e generalizadamente consensual, que esta mudança é cada vez mais presente, rápida e surpreendente.

Hoje, vivemos um tempo de mudança, não só por força dos acontecimentos excepcionais que enfrentamos, como também por força daqueles fenómenos ou realidades que, ciclicamente, se repetem e se traduzem como oportunidade de reafirmação do nosso funcionamento enquanto sociedade e comuni- dade e como expõem a oportunidade de ruptura, de alteração, de escolha diferente e oposta.
As eleições autárquicas que se avizinham, e que em tantos sítios e instituições já são motivo de azáfama e debate, simbolizam essa oportunidade de mudança, quer pela confirmação de quem está e que, continuando, pode introduzir alterações no sentido da melhoria do seu desempenho, quer pela chegada de novos actores e, com eles, novos projectos e ideias.
E é sobre estas eleições que se pretende focar a atenção, não tanto para tomar posição ou reflectir sobre a sua natureza e projecção, antes para as expor como uma oportunidade. Oportunidade para debater e descrever, fazer e confirmar, focar e resultar.

Em editorial de jornal nacional, cita-se livremente “as próximas autárquicas serão um momento excepcional para voltar a discutir o modelo de desenvolvimento das nossas cidades, esvaziadas pela especulação imobiliária, quando nos confrontamos com a importância da habitação, dos transportes ou do espaço público neste longo período pandémico. Será excelente momento para olharmos para o interior e discutirmos o que deve ser um país descentralizado”.
Acrescenta-se que deverá, ousa-se com atrevimento, terá mesmo de ser, uma obrigação de discussão, debate e partilha de ideias, no aproveitamento de uma circunstância e de um contexto que, por mais contraditórios que pareçam, conjugam duas constatações reais e expectáveis: um momento pandémico que abriu portas (inclusive à disponibilização das pessoas) para introdução de mudanças na cidade, condicionamento de usos e valorização de opções , de exposição do valor e significado do espaço público, da importância da habitação e do comércio de proximidade, dos efeitos ambientais benéficos que diferentes mobilidades potenciam, conjugado com uma remessa financeira (ainda perspectiva) farta e que possibilitará múltiplos projectos e obras, mas que obrigará a rigor e assertividade.

E tal leva à fixação do texto num excerto de entrevista a Sérgio Sousa Pinto. Disse “… tinhamos pressa. O essencial era sempre enfrentar e resolver. O acessório ficaria para outra oportunidade”.
Não se aborda aqui a necessidade, dir-se-á, obrigação, de “gastar bem o dinheiro” (no sentido moral e ético da expressão), mas sim de perceber que o serviço público não visa apenas , e tão só, a representaitividade institucional ou o legado deixado, mas (sim) que a sua existência resulta da necessidade de resolução dos problemas das pessoas. Porque são estas o fim de todo o serviço público. E é ao serviços das mesmas que estão todos aqueles que desempenham funções autárquicas. Significa tal que, antes de mais, é necessário falar verdade, dir-se-á, verdade nua e crua, expondo as situações como elas são e não amaciadas com analgésico à reacção e ao ruído, apontando caminhos concretos e realistas e não utopias mascaradas em imagens e frases empáticas. E, depois, ser consequente. Ou seja, e como escreveu Miguel Esteves Cardoso “aliás, de muita gente forma-se uma opinião muito melhor observando-se o que faz e descontando o que diz”. E que bom seria se fossemos julgados pelo que fazemos e produzimos. E qualificados pela coerência de tal acção com a nossa palavra. E não se fosse tantas vezes mal sucedido no exercício comparativo “do que disse antes e fez depois”.

Acredita-se que será esta constância da verdade e da consequência que solidificará a acção e o “fazer caminho” na direcção certa, ou seja, na mudança sempre para melhor. Nunca esquecendo que esta mudança pode produzir resultados imediatos e visíveis ou longos e não materializáveis no “nosso tempo”. Mas que tal é secundário porque, afinal, a Cidade é um processo (e não um produto). E, por isso, importante é contribuir para a qualidade desse processo, independentemente do que se visibilizará momentaneamente, importando fundamentalmente com “o que tem que ser feito e fazer bem feito o que se faz”.
Se assim for, acredita-se que a paixão pelas cidades, pelas nossas cidades e pela Cidade acabará por sair beneficiada e reforçada… e, assim, melhor ainda regressaremos a este espaço que “é de todos nós e para todos nós”!

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