Correio do Minho

Braga, segunda-feira

Ter ciúmes não é sinónimo de amar

Uma ideia de humano sem história e sem pensamento?

Escreve quem sabe

2016-10-02 às 06h00

Joana Silva

Há medida que desenvolvemos a maturidade afetiva emocional, uma maior atenção é dada a comportamentos “pouco comuns” relacionados com o ciúme. O ciúme não é um “sentimento” só de adultos. Ao contrário de um adulto, a sintomatologia depressiva infantil pode revelar-se assim, no mau comportamento (chamar nomes ofensivos, birras, fúria e destruição de objetos etc.), enquanto, por sua vez, num adulto esta se enquadra mais em comportamentos apáticos e de isolamento.
Já no mercado de trabalho, o ciúme experiencia sentimentos ambivalentes. Os (As) ciumentos (as),projetam nos(as) colegas os seus recalcamentos.Movidos pelo ciúme, receiam a visibilidade de terceiros, todavia reconhecem competências e qualidades nos outros só que não verbalizam porque não as aceitam. Temos por ultimo, o ciúme talvez numa das dimensões mais importantes da vida do ser humano, no relacionamento afetivo.
O ciúme desenvolve-se a partir de uma atitude ou resposta afetiva/emocional face a um acontecimento possível ou não de acontecer, basicamente o medo de perder o(a) companheiro(a). É como se existisse uma trilogia: o(a)ciumento(a), o(a)companheiro(a) (“vitíma”) e a suposição (i)real da pessoa que deseja ou pretende o(a)companheiro(a). Os ciúmes conduzem interpretações ou suposições que posteriormente desencadeiam mal entendidos e discussões desmesuradas e desgastam a relação e nem uma parte, nem outra se sente feliz. Controlar redes sociais, mensagens ou chamadas de telemóvel, horas de chegada a casa após o trabalho, questionários subsequentes a uma saída com os(as) amigos(as), eventos sociais onde o divertimento é nulo, porque o foco de atenção é observar ao pormenor eventuais sinais de interesse face ao companheiro(a) são alguns dos comportamentos de alguém que tem muitos ciúmes. O(A) ciumento(a), tem a perceção que determinados comportamentos comprometem a si, pois a sua integridade mental é afetada (o cansaço psicológico de “Cismar” negativamente). Compromete igualmente o (a) companheiro(a), que a curto e médio prazo não aguenta o “peso” de sujeitar-se a um conjunto de dinâmicas quotidianas que não quer. Reconhecer é diferente de lidar com os ciúmes. O ciúme incide nas vivências menos positivas durante a infância (carência afetiva); baixa autoestima (“Todos (as) são melhores do que eu!”); insegurança e o medo. Certamente que já ouviu que “ter ciúmes” é sinónimo de gostar” . É uma conceção irrealista, porque quem ama não impõe. Como lidar com os ciúmes? Guardar para si não é a atitude mais adequada, se algo incomoda, fale no momento através de um dialogo sincero e assertivo, explique ao companheiro(a) todos os receios que o(a) preocupam. Se considerar que não é o momento adequado para o dialogo, dê um passeio, com certeza voltará mais calmo(a) e com maior capacidade de discernimento. Discussões que se pautam por gritos, acusações mutuas, insultos não conduzem à solução de problemas, pelo contrário afasta ainda mais o casal. Não permita que o seu imaginário transforme como real, por exemplo, tentativa de traição uma simples conversa entre o(a) seu (sua) companheiro(a) com um(a) colega de trabalho. Sempre pode utilizar o seguinte truque, conte os números até 30 de forma decrescente (“ao para trás”). O seu cérebro vai estar tão concentrado para não se enganar a contar os mesmos e assim esses pensamentos negativos ficam em segundo plano. Evite discussões em casa ou no carro, isto porque associamos lugares a memórias boas e más. Imagine o que é associar a casa a “cansaço” após o regresso de um dia árduo de trabalho que deveria de ser o oposto. Quando os ciúmes já condicionam o dia-a-dia (domínio patológico) de um casal o mais correto é procurar ajudar especializada. Por último, tal como diz a expressão popular “Olhar não tira pedaço” e não tira mesmo. Portanto deixe olhar, porque ele (a) é que está ao pé de si e não dos (as) outros (as).

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