Correio do Minho

Braga, terça-feira

Theatro Circo: venham mais cem

Repensar a Lógica do Livro de Instruções

Ideias Políticas

2015-04-21 às 06h00

Pedro Sousa

Theatro Circo. O dia 21 de Abril será, sempre, uma data maior para a cultura e para o património no que à cidade de Braga diz respeito.
Completam-se, hoje, cem anos desde que o nosso “muy” nobre e querido Theatro Circo abriu, pela primeira vez, as suas portas ao público. Coube à companhia do Éden Teatro de Lisboa, com a opereta, de Ruggero Leoncavallo, “La Reginetta Delle Rose (A Rainha das Rosas), onde, no papel, principal pontificava Palmira Bastos, uma das grandes actrizes portuguesas da época que se destacou, sobretudo, no Teatro mas, também, no drama, na comédia, na opereta e na revista, tendo dedicado aos palcos setenta e cinco dos seus noventa e um intensos anos de vida.
Sendo esta a data oficial da inauguração do Theatro Circo, convém, por imperativo da mais elementar justiça, recuar mais alguns anos e contextualizar o “como” e o “porquê” da construção, em Braga, de um novo Teatro.

Estávamos nos primeiros anos do século XX, respirava-se no País uma certa urgência por mais conhecimento, mais cultura, mais abertura; movimento, este, que haveria de resultar, em 1910, na instauração da I República. É neste contexto que, em 1906, um grupo de homens, bracarenses, liderados pelo na altura Presidente da Câmara, Artur José Soares, idealizam o que viria a ser o Theatro Circo. Naquele tempo, Braga tinha, apenas, o pequeno Teatro São Geraldo, pelo que este projeto respondia aos anseios da cidade, que assistia a um grande desenvolvimento teatral, a exemplo do que acontecia no resto do país.

O projecto é encomendado a João Moura Coutinho, um dos mais insignes arquitectos portugueses e um dos que mais deixou a sua assinatura em Braga em obras como o Ateneu Comercial, o lar Conde de Agrolongo (1914), o edifício dos Correios, “o Nosso Café”, o edifício do Banco de Portugal e, naturalmente, a jóia da coroa, o Theatro Circo.
A construção do TC, aproveitando parte do espaço anteriormente ocupado pelo extinto Convento dos Remédios, inicia-se, assim, em 1911 estando concluído três anos mais tarde e tendo, como vimos acima, aberto portas pela primeira vez em 1915.

Foi em torno do Theatro Circo e tendo, sempre, este como centralidade que se desenhou grande parte da vida cultural de Braga e do Minho.
Foram décadas de incríveis produções e realizações de onde se podem destacar Madame Butterfly de Puccini e Aida de Verdi. Lembrar, ainda, que coube, também, ao Theatro Circo, papel de impulsionador, de locomotiva que despoletou o surgimento de algumas revelações artísticas locais, como o Orfeão de Braga, a Orquestra Sinfónica de Braga e, mais tarde, a Companhia de Teatro de Braga.

Na década de oitenta, após o advento dos cinemas mas, sobretudo, após mais de três décadas de ditadura fascista, nada amiga da cultura, como sabemos, o Theatro Circo vivia a sua pior época, perdendo, à imagem do que aconteceu com a maioria dos Teatros pelo País fora, destaque e expressão no panorama cultural local e nacional e entrando numa fase de definhamento quer ao nível do edificado, quer ao nível programático.

Como reacção a este contexto e a estas circunstâncias, já após a Câmara Municipal, em 1988, ter comprado o Theatro Circo, o Município empreendeu, entre 1999 e 2006, um projeto de profunda requalificação e regeneração do Theatro Circo.
Aqui, importa recordar, que estas obras foram, por todos os quadrantes políticos e sociais, amplamente criticadas e repudiadas, rejeitando-se o muito tempo que demoraram.

O facto é que as obras, sob a superior liderança política do Partido Socialista na Câmara Municipal de Braga, foram feitas como tinham de ser, com o devido cuidado pela preservação da traça e da matriz original do Theatro Circo, numa empreitada complexa mas em que foram usadas as melhores técnicas de conservação e de regeneração, sem pressas, com a sobriedade, o cuidado, a segurança e o detalhe que uma obra desta tecnicidade exigia.

Em seguida, equipou-se o Theatro Circo com a melhor tecnologia, com as melhores ferramentas e com os melhores instrumentos do mercado para que o Theatro Circo voltasse a ocupar um lugar de destaque no panorama cultural nacional, como uma das maiores e a mais bela sala de espectáculos do País.

Hoje, data em que se inicia um novo centenário, temos um Theatro Circo que se apresenta de cara lavada, vivaz, pleno de energia sadia, garboso da sua história, ciente do seu papel presente e confiante no seu futuro e nós, Bracarenses, orgulhosos por tudo isso cá estamos para o saudar.

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