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Voz às Bibliotecas

2019-01-24 às 06h00

Aida Alves Aida Alves


Paul Goodman, pensador norte-americano, diz:“Nunca ouvi falar de nenhum método para ensinar literatura (humanities) que não acabasse por matá-la. Parece que a sobrevivência do gosto pela literatura tem dependido de milagres aleatórios que são cada vez menos frequentes.”

Fazer com que a criança e o jovem tomem o gosto pela leitura é um dos desafios que pais, educadores, professores do século XXI se deparam. Fazer com que adultos leiam mais é um desafio ainda maior, que carece de muita persistência, incentivo, motivação e mediação.
Em Portugal há um elevado número de edições impressas e digitais (em especial no âmbito da literatura) da autoria de inúmeros autores, que dificilmente são conhecidas e lidas pela população portuguesa. Com inúmeras publicações editadas, imensos espaços criados nas escolas, bibliotecas públicas, livrarias, superfícies comerciais, por que razão não se lê mais literatura em Portugal, uma vez que há um compromisso profundo de muitas famílias, das escolas, de bibliotecas, Administração Central e Local? Uma questão que levantamos aqui para reflexão dos leitores. Dá para desenvolvimento de um estudo.

Na família, há desde tenra idade, existe o compromisso de muitos pais de introduzir momentos de leitura em família, onde lêem para os filhos; os filhos leitores para os pais, avós ou irmãos mais novos. Um momento de partilha e de salutar convívio. Estes momentos deviam ser prolongados no decurso do desenvolvimento da criança, para além dos 8 a 10 anos. Pais e filhos leitores, numa interação permanente.
Tornar a leitura mais prazerosa é uma tarefa de parceria entre a família e a escola, já que a atitude dos pais influencia a postura dos filhos. Por isso, em casa, é importante os pais também mostrarem aos filhos que têm o hábito de ler e que a leitura está presente no seu dia a dia. Atividades como ler uma história antes do filho dormir ou convidá-lo para ir a eventos animados em torno da leitura a bibliotecas públicas, livrarias, espaços culturais, são iniciativas que podem fazer a diferença e formar, no futuro, leitores mais críticos e apaixonados pela leitura. Pais, tomem nota destas práticas. É bom para todos.
Na escola, o trabalho com a leitura inicia-se na no ensino pré-escolar, através da narração de histórias em voz alta, com a leitura de imagens e interação com livros brinquedo, pop up, como forma de despertar o interesse das crianças pelos livros e estimular a sua imaginação. São momentos deliciosos. Esse processo tem continuidade nos níveis de ensino seguintes, com foco na ampliação dos conhecimentos e no sentido crítico. Um dos maiores desafios das escolas é desenvolver competências básicas da leitura e da escrita, desenvolvendo paralelamente competências na área dos média, da literacia científica, tecnológica e comunicacional.

As bibliotecas de escola têm feito um trabalho profundo, ao mediar a leitura orientada em sala de aula, estimulando à requisição de livros sugeridos pelos professores, sugerindo outros títulos e atividades estimulantes que as crianças e jovens possam escolher de acordo com os seus gostos. Também ajudam a ampliar o interesse pela leitura. Certo é que para os estudantes que têm maior resistência à leitura, a liberdade de escolha é fundamental. Nesta etapa de incentivo, vale a pensa dar liberdade à leitura da banda desenhada, revistas juniores, jornais de desporto, livros de contos (com poucas páginas). Quando o próprio aluno menos esperar, ele estará a ler com maior prazer outras publicações, tornando-se um hábito na sua rotina escolar e pessoal. Os jovens, por exemplo, são cativados à leitura de um livro quando assistem a um determinado filme. Filmes e livros fazem sucesso e emparelham muito bem. Uma boa dica para incentivar ainda mais a leitura, passa pelos professores convidarem os alunos a lerem em casa determinados textos com os pais e conversarem sobre a leitura que fizeram, numa excelente oportunidade de interação.

As Bibliotecas de Leitura Pública são locais/equipamentos culturais por excelência da leitura. Espaços onde a animação cultural e promoção da leitura andam, assim, inevitavelmente, de par em par. As bibliotecas têm desenvolvido junto da comunidade, em paralelo às bibliotecas de escola, um conjunto de programas continuados de leitura para famílias, crianças, jovens, adultos, adultos, em contexto informais, que muito têm contribuído para dar a conhecer melhor livros, autores, promovendo a leitura, o encontro social e a partilha de experiências.
O Plano Nacional de Leitura 2027 (http://www.planonacionaldeleitura.gov.pt) tem lançado vários desafios às escolas, bibliotecas públicas, municípios, comunidades intermunicipais, instituições da Administração Central, sociedade civil, para um comprometimento coletivo. Todos devem dar as mãos e incentivar crianças e jovens do 1º ciclo ao secundário a ler mais, assim como adultos em geral.

Destacamos hoje o exemplo uma das iniciativas do PNL em articulação com a Direção Geral do Livro, Arquivos e Bibliotecas, Rede de Bibliotecas Escolares, Instituto Camões, RTP, o Concurso Nacional de Leitura (CNL) 2018/2019, 13.ª Edição. O objetivo central do Concurso Nacional de Leitura é “estimular o gosto e os hábitos de leitura e melhorar a compreensão leitora”. Iniciou a 3 de outubro de 2018, data oficial de abertura, e encerrará a 25 de maio de 2019, dia da grande final, em Braga, no Altice Foram Braga. Este concurso decorre em várias fases: escolas, seguidamente bibliotecas de leitura pública, Comunidades Intermunicipais/Bibliotecas Públicas e final. A festa da leitura, a festa do convívio pela leitura.

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