Correio do Minho

Braga, terça-feira

Todos temos uma Cruz

Tancos: falta saber quase tudo

Escreve quem sabe

2016-03-27 às 06h00

Joana Silva

Qualquer ser humano deseja uma vida perfeita, onde não cabem tristezas ou problemas. Uma vida que se paute por sorrisos e concretizações bem-sucedidas. Na realidade ocorre o inverso. Certamente que já ouviu a expressão “É a Cruz da minha vida!”. Uma expressão popular que parece vincar a ideia que a vida afinal tem na verdade os seus “Quês”.

Numa análise imediata, esta expressão popular remete-nos para algo que “carregámos”. Faz sentido, na medida em que somos seres que nos afirmámos de memórias, de ações , decisões que carregam um “sem fim” de emoções e sentimentos.

Nesse sentido, talvez seja a razão pela qual todos nós perante determinado problema comum, reagimos de forma diferente não existindo soluções ou resoluções universais. Partindo-se deste prossuposto cada pessoa tem a sua “Cruz”, uma infância dolorosa pautada pela negligência ou maus tratos, uma família disfuncional (“doente” onde nenhum dos seus membros se entende), um casamento ou união de facto instável ou conflituosa, o desejo de ter um(a) companheiro(a) que tarda em surgir, uma doença muito grave, insucesso e desencantamento profissional, um(a) filho (a) problemático(a) que conduz à exaustão emocional, sucessivos problemas económicos etc. Existem pessoas que não tem nenhum dos problemas atrás descritos e aos olhos da sociedade parecem felizes mas no mais íntimo do seu ser, sentem um profundo vazio. Estes são apenas alguns dos ciclos de vida que deixam marcas, normalmente irreparáveis.

Há uma forte predisposição para as pessoas se auto compararem, no sentido em que “o meu problema é muito mais grave do que o teu.” Na verdade, todos os obstáculos, sem exceção causam desesperança e tristeza. Se para uns determinada situação seria espontaneamente resolvida, existe algum outro campo nas suas vidas que os vulnerabilizam e que na mesma proporção para outras pessoas seriam de desfecho imediato. A forma como se analisa um dado problema externamente (o chamado “de fora”) não é a mesma coisa de quando se está envolvido, porque muitas vezes não se consegue separar o racional do emocional.

Clarificando e tomando como exemplo uma infância dolorosa. Se determinada pessoa com uma infância traumática escuta de alguém “águas passadas não movem moinhos”, não está de todo a ser compreendida. O que pode ser linear para a pessoa que verbaliza “passado é passado” pode não o ser para a pessoa que vive o problema. Isto porque as emoções à situação estão associadas e no caso de terem sido tão marcantes não são facilmente esquecidas.

Cada pessoa está focada em algum aspeto mal resolvido da sua vida mas é importante que os medos e inseguranças desenvolvidas por esses problemas não interfiram negativamente ou bloqueiem o futuro ou a realização emocional. Os receios adiam a felicidade. Nesta linha de reflexão, a memória não pode eliminada como quando se rediz uma carta e perante um erro apagámos. O ser humano precisa de perdoar-se primeiro a si próprio desde decisões mal tomadas, ações afinal ninguém é perfeito, não é verdade?!.. nem muito menos nascemos ensinados.

Perdoar alguém que nos causou sofrimento não é uma tarefa fácil, mas não é impossível. A vida faz-nos avaliações contantes, e acaba sempre por recompensar os que tem “bom coração”. Perdoar é libertador.

Deixa o teu comentário

Últimas Escreve quem sabe

23 Outubro 2018

Três razões

Usamos cookies para melhorar a experiência de navegação no nosso website. Ao continuar está a aceitar a política de cookies.

Registe-se ou faça login

Com a sessão iniciada poderá fazer download do jornal e poderá escolher a frequência com que recebe a nossa newsletter.




A 1ª página é sua personalize-a

Escolha as categorias que farão parte da sua página inicial.

Continuará a ver as manchetes com maior destaque.