Correio do Minho

Braga, sábado

Tolerância para aceitar e paixão para promover - o desenvolvimento acontece!

Pavilhão do Atlântico distinguido com o MasterPrize em Los Angeles

Escreve quem sabe

2016-01-26 às 06h00

Cristina Palhares

“O que nos torna infelizes não é a inteligência, mas a dimensão autodestrutiva do pensamento”, diz Pedro Mexia, num texto editado na revista Expresso esta semana e que nos transporta ao livro de George Steiner Dez Razões (Possíveis) para a Tristeza do Pensamento.

Nas suas reflexões Pedro Mexia equaciona, de forma simétrica, um dos muitos mitos associados à inteligência, e por consequência à sobredotação, que já em 2000 o Professor Javier Tourón da Universidade de Navarra, Espanha equacionava: As crianças sobredotadas estão melhor ajustadas, são mais populares e felizes que os alunos médios. Este mito, e o seu diametralmente oposto: As crianças sobredotadas estão pior ajustadas, são menos populares e felizes que os alunos médios, vai de encontro à reflexão que sempre surge quando falamos de inteligência.

“Há quem acredite que a inteligência conduz à infelicidade” como diz Pedro Mexia, mas nem sempre é verdade que estas duas componentes são variáveis correlacionadas ou de causa-efeito. Podemos sim perceber que há variáveis intelectuais e/ou cognitivas que nos permitem avaliar positiva e/ou negativamente as emoções revertendo-as em experiências mais ou menos positivas, mais ou menos negativas, às quais atribuímos uma maior ou menor grau de felicidade ou infelicidade.

Não querendo psicologizar ou, tal como fez Pedro Mexia de forma brilhante, “conceptualizar o pensamento”, mas antes desmistificar um pouco a preocupação que muitos pais e professores têm quando falamos de sobredotação.
“Era melhor que o meu filho não fosse sobredotado, porque assim era mais feliz na escola”. O mito mais associado à sobredotação e que os professores interiorizaram.

E aqui está claramente o valor ou “(des)valor” da diversidade. O ajuste pessoal, social e escolar dependerá do grau de aceitação das suas diferenças, em primeiro lugar, por ele(a) próprio(a), e quando são tidas em conta no âmbito social, familiar e escolar em que se desenvolvem.
Tudo passa então pela aceitação (própria e dos outros) de se ser diferente. Interessa pensar na felicidade na escola enquanto realidade diária, de satisfação de uma paixão grande pela aprendizagem, de uma curiosidade pelo mundo que os rodeia sedenta de explicações e de saberes.

“O que aprendeste hoje na escola?” “Nada, nada de novo” dir-me-á. Então sim… então atrevo-me a dizer que a escola não é o lugar dos sonhos destes meninos.
Atrevo-me sim… a dizer que eles não são felizes, porque a escola não soube, e ainda muitas vezes não sabe, aceitar a diferença.

E aceitar a diferença é acima de tudo promovê-la. Tolerância para aceitar, e paixão para promover. Qualquer diferença. Seja ela qual for. E neste caso promover a diferença é ir de encontro à profundidade e nível de desenvolvimento, à complexidade e ao repto intelectual.
É ir de encontro ao ritmo de aprendizagem, conceito que implica, entre outras coisas, o avanço do aluno pelo currículo à velocidade que convenha ao seu ritmo de aprendizagem, evitando as tarefas repetitivas sobre assuntos já dominados e longe do desenvolvimento intelectual.

É ir de encontro às suas curiosidades e necessidades de saber para além do currículo.
É dar o novo. É dar o espanto.
É dar… para que ele chegue ao fim do dia e quando lhe perguntarmos “o que aprendeste hoje na escola?” ele possa responder “Tanta coisa…. Tanta!”

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