Correio do Minho

Braga, segunda-feira

TPC, exigências não eficientes

Uma ideia de humano sem história e sem pensamento?

Escreve quem sabe

2013-05-19 às 06h00

Joana Silva


Existem rotinas escolares que “estacionam” ao longo de décadas, como por exemplo, os TPC (trabalhos de casa), denominação mais “moderna”, comparativamente, com gerações anteriores que designavam de deveres as tarefas extra curriculares. As crianças são bastante criativas e satíricas na utilização da sigla TPC, entre muitas, apontam “trabalho p’ra nos cansar mais”, o que remete imediatamente para uma reflexão critica, acerca da funcionalidade ou não dos TPC. Dentro da sala de aula, por vezes, distraem-se com facilidade, desenham nos cadernos ou riscam as mesas, descuram o trabalho escolar, olhando para o tecto e o vazio, “enganam” os pedagogos afirmando que já cumpriram o trabalho proposto quando na realidade não o terminaram, as sucessivas idas ao W.C. , a focagem para outros assuntos que “nada tem a ver” com a tarefa entre outras. De facto, se arranjam toda uma panóplia de desculpas para não executarem a tarefa na sala de aula então que se dirá dos TPC .Muitas das tarefas propostas às crianças , após o término da aulas passam por realizar cópias de textos, , memorizar “ de trás para a frente” ou “de cor e salteado” as tabuadas, seja através da escrita ou da verbalização, exercícios de contas e problemas etc. Basicamente, estas tarefas, na sua maioria circunscrevem-se à reprodução ou cópia dos conteúdos dos manuais ou do que fora leccionado dentro da sala de aula. É neste sentido, que a pertinência e eficácia dos TPC tem vindo a ser tema discutido na actualidade. Uma das razões apontadas, entre muitas, é de que os TPC não estimulam para a criatividade, ou pesquisa de temas, é sim uma continuidade ou como se diz na sabedoria popular “mais do mesmo” do que fora trabalhado na sala de aula. Por conseguinte, tem consequências directas na criança, com efeitos contrários ao desejado. Normalmente o objectivo dos TPC é consolidar aprendizagens e conhecimentos, mas de facto a criança tomam- nas como tarefas pouco agradáveis ou estimulantes e monótonas, chegando mesmo a verbalizar em múltiplas expressões “estou cansado ou cheio”, “doí-me a mão”. Tal como os adultos tem a sua actividade profissional que remete para as suas responsabilidades, as crianças não são excepção, também codificam as escola como “ um trabalho” , neste sentido , assim como o adulto tem o seu timing para descansar a criança ou jovem também o necessita e o que se verifica é que quase não tem tempo para brincar. Os TPC também se repercutem no quotidiano dos pais, após um dia extenuante de trabalho, chegar a casa, a ter que desempenhar mais conjunto de acções, encontram-se também à espera os filhos igualmente com obrigações a cumprir. Uma situação que não é “tão surreal” de acontecer no decorrer da realização dos deveres, é aquela em que se vê a “pertinência e eficácia” dos trabalhos, onde pais e as crianças, ambos cansados, em que as crianças dizem que “já não conseguem, ou então que não sabem fazer”, entre choro e birras, eis que os pais começam a dar a respostas correctas… Por outro lado as crianças tem medo das consequências do não cumprimento das obrigações, “se eu não fizer os trabalhos de casa, o professor vai chamar a atenção e vai escrever na caderneta”. Muitos dos professores já tem vindo a ajustar outro tipo de estratégias de aprendizagem que não pela realização dos deveres, pratica esta ainda bastante enraizada na sociedade que a vê como medida contra o insucesso escolar. De referir e de pensar que se assim fosse, Portugal não registaria tanto insucesso e abandono escolar.

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