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Trabalhar noutro país

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Ideias

2011-05-19 às 06h00

Margarida Marques Margarida Marques

Cerca de dez meses depois de ter lançado o programa 'Juventude em Movimento', a Comissão Europeia acaba de publicar um estudo de opinião (Eurobarómetro) sobre aquela iniciativa, destinada a criar oportunidades aos jovens que lhes permitam, num contexto de mobilidade, adquirir conhecimentos, competências e a experiência necessários para conseguir o seu primeiro emprego.
Este estudo vem agora mostrar-nos que mais de metade (53%) dos jovens europeus estão dispostos a trabalhar noutro país europeu. E que 43% gostariam de criar a sua própria empresa. Apesar dessa manifesta vontade, o estudo mostra-nos que a falta de recursos financeiros é bloqueadora para muitos jovens da concretização desse objectivo. O que significa que entre o desejo dos jovens em saírem e trabalharem no estrangeiro e a sua mobilidade real, há uma longa distância. Actualmente, menos de 3% da população europeia activa vive fora do seu país de origem. Uma percentagem muito baixa? Sim, ainda é uma percentagem muito baixa. Mas é também para contrariá-la que está aí o 'Juventude em Movimento'.
Integrado na estratégia 'Europa 2020', a estratégia da União Europeia para 2020 que visa o crescimento inteligente, sustentável e inclusivo da Europa, este programa propõe um conjunto de 28 medidas destinadas a adequar melhor os sistemas de ensino e de formação às necessidades dos jovens de forma a aumentar a sua mobilidade entre os países da União Europeia. Objectivo: aumentar o seu nível de emprego e o seu acesso ao mercado de trabalho.
Num contexto de crise económica, a União Europeia não tem dúvidas de que os jovens altamente qualificados, com conhecimentos sólidos e com capacidade empreendedora e de inovação, serão fundamentais para relançar a economia da União. A ideia é, assim, criar maiores sinergias entre as instituições nacionais mas também entre estas e as instituições de outros países de forma a fornecer aos jovens os instrumentos e as ferramentas de que necessitam para realizarem os seus projectos.
Não nos podemos esquecer que, desde o início da crise financeira são cerca de 5 milhões os jovens que neste momento se encontram desempregados. É a todos estes que a União Europeia quer dar as oportunidades, qualificações e experiências para poderem dar um passo em frente. E é por isso que dois dos objectivos estabelecidos visam a redução do abandono escolar precoce de 15 para 10% e o aumento do número de jovens a ingressar no ensino superior. Os objectivos não foram definidos por acaso; estudos da Comissão Europeia mostram que até 2020, 35% dos novos empregos exigirão qualificações de alto nível e 50% exigirão qualificações de nível médio.
Mas de uma forma concreta o que prevê o 'Juventude em Movimento'? Entre outras medidas, a Comissão lançou uma página Web (www.youthonthemove.eu) onde os jovens poderão encontrar informação sobre as oportunidades de estudo ou trabalho no estrangeiro, incluindo informações sobre as bolsas da UE e os direitos individuais. Foi também lançado o projecto piloto, «O teu primeiro emprego EURES» que dá conselhos, apoio na procura de emprego e apoio financeiro aos jovens candidatos a emprego interessados em trabalhar no estrangeiro e às empresas, em especial às pequenas e médias empresas. A criação de um mecanismo europeu de empréstimos, em cooperação com o Banco Europeu de Investimento, para apoiar os estudantes que pretendam frequentar um programa de estudos ou de formação no estrangeiro está igualmente a ser estudada. A Comissão quer ainda criar um cartão «Juventude em Movimento» (neste momento está aberta uma consulta pública on-line sobre a sua criação) que dará vantagens e descontos aos jovens e vai lançar o Instrumento de Microfinanciamento Europeu «Progress» para apoiar financeiramente os jovens empresários a criarem ou a desenvolverem as suas actividades.
Todas estas medidas visam contrariar os obstáculos com que se defrontam os jovens quando querem trabalhar no estrangeiro. E que foram agora revelados no inquérito do Eurobarómetro. Realizado entre Janeiro e Fevereiro deste ano junto de 57 mil jovens entre os 15 e os 35 anos, o inquérito mostra que apenas um em cada sete (14%) jovens europeus prosseguiu estudos ou actividades de formação no estrangeiro. Entre os que declararam ter querido ir para o estrangeiro, 33% afirmaram que não tinham meios para o fazer; perto de dois terços (63%) dos que o conseguiram tiveram de recorrer a um financiamento privado ou a poupanças. Com a 'Juventude em Movimento' (a que se juntam os programas de mobilidade estudantil, como o Erasmus) a Comissão Europeia quer também apoiar financeiramente os jovens para que estes possam dar um salto. Com ambição, dinamismo e qualidade. Em nome de um futuro melhor.

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