Correio do Minho

Braga, quinta-feira

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Transformar o Campo das Hortas numa grande Praça

O plano que permitirá um Portugal mais resiliente

Escreve quem sabe

2014-05-16 às 06h00

Rui Marques Rui Marques

Há algum tempo utilizei este mesmo espaço de opinião para fazer uma breve reflexão sobre a necessidade e oportunidade de se promover uma intervenção urbanística na Avenida da Liberdade. Referi, nesse texto, existirem dois eixos comerciais estruturantes no centro de Braga. O primeiro, que atravessa o Largo dos Penedos, a Rua dos Chãos e a Avenida da Liberdade até ao Largo de São João da Ponte e o segundo, que liga o Arco da Porta Nova ao Largo da Senhora-a-Branca, passando pela Rua D. Diogo de Sousa, Rua do Souto e Avenida Central.
Retomo essa reflexão, neste texto, acrescentando mais um contributo para uma discussão participada da regeneração urbana desta cidade.
O segundo eixo, acima referido, atravessa, de forma longitudinal, o centro da cidade e faz a ligação da estação de comboios ao centro. É percorrido diariamente por milhares de pessoas com motivações diversas, seja em percurso de compras, turismo, trabalho ou para meros passeios.
Ao contrário da Avenida da Liberdade, este eixo está bem requalificado. Porém, apesar de na sua extremidade estar localizado um dos monumentos mais icónico da cidade - o Arco da Porta Nova - e de nas suas imediações estar igualmente localizado o monumento mais visitado de Braga - a Sé Catedral - a verdade é que, comercialmente, os consumidores que percorrem este eixo, no sentido descendente, ao chegarem à interseção da Rua do Souto com a Rua Justino Cruz e a Rua Francisco Sanches, ora viram para a esquerda ora para a direita, e uma parte significativa faz até inversão de marcha. Parece que estão presos por um elástico e que são impelidos para trás como se tivessem chegado ao ponto mais avançado que o elástico permite.
São de facto poucos os que continuam a percorrer este eixo urbano até ao seu final. Dir-me-ão que o mix comercial não é tão atrativo a partir deste ponto. É verdade, mas isso também sucede porque existe este comportamento num conjunto significativo de consumidores.
À semelhança da Avenida da Liberdade era fundamental que este grande eixo funcionasse de forma harmónica e em massa em termos comerciais para se dar a profundidade que se pretende à cidade. Portanto, era relevante que este eixo pudesse estar bem dinamizado e animado em termos comerciais, propagando-se, posteriormente, para as ruas paralelas e perpendiculares desta área.
A pergunta de um milhão de dólares neste caso é: O que fazer para se conseguir esticar os movimentos das pessoas até ao Arco da Porta Nova?
Do meu ponto de vista, uma das soluções passa pela requalificação do espaço que conhecemos como o Campo das Hortas, transformando-o numa grande praça da cidade, estrategicamente orientada para o lazer e o convívio da população. Um espaço dedicado sobretudo à restauração, que já existe e que é um dos cartões de visita da cidade, e aos estabelecimentos de bebidas, nomeadamente cafés e bares, que também lá se começam a instalar. Um espaço público desenhado para ser ocupado por dezenas de esplanadas e assumir-se assim como o “meeting point” da cidade. Um espaço de socialização que una turistas, visitantes, residentes e trabalhadores do centro histórico em torno de uma oferta gastronómica de ótima qualidade. Um espaço multifuncional que permita a realização de eventos ao ar livre, sejam espetáculos de música, teatro ou de cinema. Um espaço que assuma a função que o Campo da Vinha deveria ter assumido, não tivesse ele sido sujeito a uma das mais infelizes operações urbanísticas de que há memória em Braga ou no país.
Acredito que uma operação deste tipo poderá animar e estruturar comercialmente esta cidade e transformar-se num enorme contributo para a sustentabilidade e dinamização do centro da cidade.
Essencial é que em futuras intervenções urbanísticas desta ou doutras câmaras municipais da região exista uma estratégia clara e conhecida do que se pretende. Que os projetos tenham sobretudo uma dimensão estratégica e não apenas estética, para que se minimizem as operações urbanísticas de simples melhorias dos pisos ou do mobiliário urbano. Aquilo que nas lojas comerciais designamos de meras operações cosméticas: renovar tetos, paredes e piso, e, no essencial, tudo se mantém. Numa época em que os recursos financeiros são tão escassos, temos de ser capazes de colocar a racionalidade económica à frente de quaisquer outros critérios de decisão. É fulcral acrescentar estratégia e racionalidade económica às tomadas de decisão. O dinheiro é escasso, por isso, temos de ser capazes de fazer mais por menos. Eficiência é a palavra de ordem. Mas, atenção, a escassez de recursos não deve servir de desculpa para a não realização de projetos estratégicos para a cidade. Isso provavelmente será reflexo de falta de capacidade de definir prioridades ou de tomar decisões.

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