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Transitamos

O espantalho

Ideias

2015-09-22 às 06h00

Analisa Candeias Analisa Candeias

Amanhã regressamos ao trabalho. Às origens, à forma das rotinas que nos ajudam a percecionar o equilíbrio que necessitamos para nos mantermos em sociedade. Amanhã regressamos aos afazeres, aos pequenos-almoços engolidos e não saboreados, à vida das compras de casa, do pagamento atempado das contas. Amanhã regressamos à realidade que nos permite fugir duas ou três semanas por ano e que nos ajudam a manter a saúde, nos seus diversos níveis.

São estes os tempos de setembro, que nos permitem o gozo de um fim-de-semana de sol e calor, que nos permitem lembrar um junho, julho ou agosto com bastante deleite e que nos preparam para os costumes que aí vêm. Os estudantes iniciam ritmos, os pais preocupações, e todos, em conjunto, vivem o chamar de umas folhas que vão passando e que fazemos por esquecer. O tempo é precioso, útil para evoluir, para viver, para ajudar quem precisa, para simplesmente estar, se for apenas esse o caso. São essas folhas que passam que nos lembram a originalidade dos dias, e que nos despertam para a vida momentânea que vamos vivendo.

Os tempos vão criando algumas angústias, as rotinas e deveres também. São as formas como vemos as experiências que nos orientam a estados de espírito diferentes, que nos enriquecem - porém que nos podem igualmente conduzir a momentos de menor bem-estar, de maior insatisfação ou até frustração.

Devemos estar atentos aos sinais, esses que nos transmitem sensações diferentes do habitual e que nos podem ajudar a identificar algo de invulgar, distinto do sentir comum. É nessas alturas que é urgente pedir ajuda, olhar à nossa volta e identificar quem nos poderá dar apoio e estabelecer pontes para um maior conforto, para uma maior tranquilidade. As angústias devem ser ouvidas, trabalhadas, superadas. Devem ser levadas até ao outro que nos poderá ajudar a caminhar, a levantar, a prosseguir.

As transições são períodos marcantes, porém igualmente de risco. Transitar de escola, de trabalho, ser mãe, ser pai, ingressar na universidade, a reforma, … Todos estes são momentos importantes e vitais para a contribuição em sociedade, todavia podem ser a génese de angústias e ansiedade, preocupação e contenção interior. As transições ajudam-nos a mudar, a ser melhores, diversos e incomuns. São importantes. Existem quase sem darmos por elas - algumas. Exigem atenção, vigilância, cuidado. Exigem vivência, dinâmica, movimento. Envolvência e empenho - outras. Acompanham-nos e moldam-nos, tornam-nos mais flexíveis ou menos parciais. Mas existem. E o importante é que devemos aprender a passar por elas.

Não há que ter medo, receio, em pedir ajuda. É um primeiro passo para a promoção da nossa saúde e pode ser um último na determinação de problemas. Os cuidados de saúde na comunidade oferecem já serviços de apoio e encaminhamento, consultas e especialistas. Basta aquele passo, aquela pergunta de partida que nos permite o acesso a estratégias de adaptação à realidade, de adaptação ao que poderá vir. A ajuda no momento de transição pode ser essencial para a sua melhor e maior vivência. Porque não aproveitá-la?

Estes são os tempos de nos colocarmos em primeiro lugar. Se não o fizermos, não nos vai ser possível preservar as relações familiares que tanto gostaríamos de manter, dar o apoio aos filhos que consideramos necessário, estudar com concentração e sem anseios, trabalhar e produzir tal como nos pede a sociedade e, não menos importante, ajudar igualmente os outros que precisam de nós. Estes são os tempos de setembro, das transições do tempo e das estações, das conversas curvas que nos remetem para o cuidado ao nosso próprio Eu.

Amanhã regressamos ao dia-a-dia. Amanhã regressamos ao comum, aos nossos grupos, mantendo os diversos papéis e tarefas. Amanhã pode ser já hoje, ou daqui a uma semana, ou até mesmo amanhã já foi ontem. Porém, o que interessa, é que hoje tomamos uma decisão - de colocarmos a nossa saúde em primeiro lugar.

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