Correio do Minho

Braga, quinta-feira

Três Andamentos de um Hino à Cidadania

Um futuro europeu sustentável

Escreve quem sabe

2016-04-22 às 06h00

Carlos Alberto Pereira

Este fim de semana alargado será particularmente importante para o Corpo Nacional de Escutas da região de Braga, para a vida cultural bracarense e para os portu- gueses em geral.
No sábado, comemoramos o patrono mundial dos escuteiros - São Jorge. Este mítico cavaleiro santo, cuja vida se confunde com o mito, está, desde há muitos séculos, relacionado com a vontade de “ser português”, por oposição ao “ser castelhano”, pois o sentimento de independência dos nossos antepassados levou-os a substituir o grito de batalha “por Santiago” pelo novo “por São Jorge”. É certo que podemos encontrar várias influências para esta mudança, mas a sua missão foi sempre a de marcar uma nova realidade: a independência de Portugal.
Porque “o Escuta é filho de Portugal e bom cidadão”, este novo grito de evocação do nome do patrono mundial é muito feliz, pois permite uma ligação da nossa portugalidade e cidadania, enfocadas pela disponibilidade em relação aos mais desfavorecidos.
Ao referirmos a portugalidade, somos transportados para, no dia 24 de abril, desfrutarmos da presença do Maestro António Victorino d’Almeida no palco do Theatro Circo que, na companhia do bracarense Miguel Leite, nos conduzirão pelas raízes profundas na portugalidade, através da palavra suportada na música, que fluirá do piano que acompanha esta conferência/concerto. Desta forma, a comunicação ilustrada dará vida aos intérpretes e compositores evocados, conduzindo-nos ao suave perfume das suas vidas e obras.
Victorino d’Almeida que, com a simplicidade dos sábios e dos virtuosos, soube “cativar”, nos termos evocados por Saint-Exupéry, os portugueses para a chamada música erudita, desmistificando-a, retirando-a do círculo das elites e colocando-a ao alcance de todos, isto é, o Maestro com a sua ação, ao longo da sua vida, democratizou a música erudita.
Esta conferência/concerto, versando a portugalidade, será um excelente prelúdio para as festividades da segunda-feira, dia 25 de Abril, sejam elas realizadas no íntimo do nosso ser ou em qualquer «ágora» das nossas terras.
Celebrar «Abril» é sentir o perfume, quente e intenso, dos Cravos libertadores, é evocar os militares que nos libertaram dos grilhões que nos impediam de ser cidadãos livres, é honrar este Movimento de Liberdade e Democracia.
Quarenta e dois anos depois, podemo-nos orgulhar de termos sabido conservar e aprofundar este estado democrático, é certo que nem sempre da melhor maneira, mas temos a certeza que as crianças, que vão nascer no próximo dia 25 de abril, serão acolhidas no regaço da democracia. A todos nós, cidadãos adultos, cumpre-nos a nobre tarefa de os cativar, com o nosso exemplo, para o exercício de uma cidadania livre, ativa e solidária, enfocada pelos valores de justiça e de paz.
Cada um de nós, cidadão ou instituição, tem esta dívida de gratidão para com os construtores da portugalidade, desde os primórdios do sonho até à realidade dos nossos dias.
Nós, que recebemos esta belíssima herança, que não é nossa propriedade, pois pertence aos vindouros, temos a obrigação de a enriquecer para que, os que nos vão suceder possam ter o mesmo orgulho que, apesar de termos nascido num regime opressor, nós tivemos quando recebemos, dos Homens de Abril, um país de esperança na democracia nascente, marcado pela pluralidade de Visões e de Verdades, sem termos “senhores da verdade”.
No Escutismo, onde a educação para a cidadania é o centro das preocupações educativas, também nós, mantemos viva a convicção profunda do modelo de vida participativa em sociedade, marcada por esse magistral verso de Zeca Afonso “O povo é quem mais ordena”, da canção «Grândola, vila morena», que, qual prelúdio, anunciou, ao início da madrugada do dia 25 de Abril de 1974, o nascimento desta esplendorosa obra que ficou, popularmente, conhecida pelo nome de «Revolução dos Cravos» e que marca, indelevelmente, as nossas vidas.

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