Correio do Minho

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O mito do roubo de trabalho

Ideias Políticas

2014-11-25 às 06h00

Carlos Almeida

Aqui está um título de filme que poderia descrever na perfeição a sucessão de casos de corrupção, abuso de poder, tráfico de influências e branqueamento de capitais conhecidos nos últimos meses em Portugal.
Na verdade a situação política nacional tem vivido tempos conturbados, espelhando o que de mais negro pode sobressair da condição humana exposta ao sistema capitalista, como se de um argumentário de gangsters se tratasse.

Nos casos mais relevantes constam as fraudes cometidas pelo Grupo Espírito Santo, situação que evidenciou as fragilidades dos mecanismos de supervisão do sistema financeiro, deixando o Banco de Portugal, tal como já havia sucedido nos casos do BPN e do BPP, muito mal no retrato. Por explicar continua a transação de acções do BES mesmo depois de já ser conhecida a sua grave situação económica, bem como a fuga de informações absolutamente relevantes no processo.

De impacto semelhante, sucede-se o caso da atribuição de vistos oportunamente apelidados de “gold”. Um negócio de milhões no qual estão directamente envolvidos responsáveis de entidades da maior confiança política do actual governo, bem como altas figuras do Estado. Mais preocupante ainda é a confirmação de que existiam ligações entre a rede criminosa e membros do governo.

Não se julgue, porém, que a demissão de Miguel Macedo do Ministério da Administração Interna será condição suficiente para ilibar as responsabilidades políticas do governo. Muitas outras terão que vir à superfície, independentemente dos resultados da investigação criminal.

A coroar estas espantosas exibições da corrupção ao mais alto nível, eis que se dá a detenção, pela primeira vez na sua história, de um antigo primeiro-ministro de Portugal. Ainda que não se possa, para já, confirmar as responsabilidades de José Sócrates no processo, não podemos ignorar a relevância de uma acusação que visa responsabilizar um ex-governante máximo pelos crimes de corrupção, branqueamento de capitais e fraude fiscal.

Todos estes casos, tratando-se obviamente de casos de polícia, sobre os quais devem ser apuradas todas as responsabilidades criminais, são, em simultâneo, casos de flagrante promiscuidade entre os interesses económicos e os políticos.

Em comum têm a evidente subserviência em que se coloca o poder político em favor do capital económico e financeiro. Revelam ainda a postura interesseira e oportunista de quem ocupa cargos públicos para se servir do aparelho de Estado, fazendo das suas instituições casas de corrupção, compadrio e clientelismo.

É desta forma que quem governa o país procura tirar a credibilidade que ainda resta a um estado de direito democrático, desviando para outros aquela que é a sua própria imperfeição: a vulnerabilidade à corrupção.
E a esses não resta outra opção. Façam como o Miguel. Ele já foi a abrir o caminho que o povo lhes vem apontando há muito tempo. Tempo demais.

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