Correio do Minho

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Tudo do mesmo

O abandono e o adulto difícil

Ideias

2012-01-13 às 06h00

Margarida Proença Margarida Proença

Acabaram de ser divulgadas as informações estatísticas sobre a evolução económica, tanto em termos nacionais como internacionais. Como é habitual, as projeções para o futuro dos diversos organismos não são rigorosamente iguais, e cada um defende a sua “dama”, mas o sentido em que as coisas se estão a mover é o mesmo; no que respeita a dados estatísticos do passado, são factos.

De acordo com o Instituto Nacional de Estatística, os dados estatísticos de Novembro de 2011 que estão a ser divulgados são todos negativos. O índice de volume de negócios nos serviços, já com todos os ajustamentos, registou uma quebra de 11,7% face a Novembro de 2010, e manteve a trajetória descendente, tendo sido 8,7% mais baixo do que em Outubro de 2011.

Todas as secções revelaram o mesmo comportamento (comércio por grosso e reparação de veículos, transportes e armazenagem, restauração e alojamento e atividades imobiliárias, de informação e comunicação, consultadoria, técnicas e administrativas e serviços de apoio). E se olharmos para o emprego ou para as remunerações, até mesmo para as horas trabalhadas a história é a mesma, tudo a cair.

Como era de esperar, as notícias que chegam do sector da construção são complicadas. O índice de produção caiu, em Novembro de 2011, 11,6% face ao mesmo mês de 2010, e reforçando a queda face aos meses anteriores. E claro, tanto o emprego quanto as remunerações efetivamente pagas diminuíram.

A hotelaria ia também no mesmo sentido; os dados estatísticos agora mesmo publicados e relativos a Novembro de 2011, revelavam menos 3,4% de dormidas, uma quebra largamente justificada por uma contração significativa da procura interna, reforçando a tendência negativa que já se vinha registando.

A rentabilidade baixou também, principalmente na Região Norte (- 17,3% ). Isto já parece a listagens das más notícias … pois é, a indústria recebeu menos 8,7% de novas encomendas, uma redução que se manifestou tanto no mercado externo quanto no mercado interno. E o problema é que este comportamento se verificou também na generalidade dos sectores, e foi mais acentuada nos bens intermédios, o que indicia uma menor produção por estes meses.

Claro que também houve aumentos. Por exemplo, o índice de preços no consumidor em 2011 subiu 3,6% face a 1,4% no ano anterior. Em Dezembro, a taxa foi superior á estimada para toda a zona euro, de acordo com a Eurostat. Ou seja, pagamos as coisas mais caras, e a tendência é de agravamento, dados os recentes aumentos nos transportes, na energia, no IVA, etc .

Outra coisa que aumentou foi o desemprego, que no terceiro trimestre de 2011 atingiu os 12,4% - quase 700 mil pessoas, e tal como nos outros casos revelando um comportamento consistente de subida. As mulheres e jovens à procura do primeiro emprego continuam a ser os mais afetados. A taxa de desemprego com que Portugal se confronta, e a sua evolução, é completamente inédita no nosso país; desde os anos quarenta que nunca foi tão alta, nem sequer tão pouco se aproximou.

Claro que todos os indicadores vão no mesmo sentido - os posi-tivos para a evolução da economia decrescem, e os outros aumentam. Como os economistas não são bruxos, e apenas conseguem prever o futuro com base no comportamento do passado, o Banco de Portugal acaba de rever em baixa as suas projeções para o crescimento económico ao longo de 2012 . O Boletim Económico de Outono previa uma contração de 2,2% para este ano, enquanto que o Boletim Económico de Inverno a situava já nos 3,1% . Se continua a descer assim…

O próprio Banco de Portugal refere que ainda assim esta projeção reflete as medidas adicionais que o governo estabeleceu para que fosse possível a consolidação orçamental. No entanto, sabe-se agora que o cumprimento referido das metas se deve a medidas que não podem voltar a ser implementadas, como a transferência dos fundos de pensões do sector bancário para o Estado.

Ou seja, o dinheiro transferido este ano entra como receita extraordinária, mas isso significa tambem que a partir do próximo ano irão aumentar significativamente as despesas com as pensões e reformas. Claro que se começa já a ouvir rumores de aumento de impostos…
Num texto recentemente publicado por Manuel Maria Carrilho, ele cita Augustina Bessa Luís referindo que Portugal vive numa “improvisação do destino”.

As reformas vão tardando, as medidas necessárias para prevenir o desemprego são esquecidas, o apoio às empresas fica por conversa, e vamo-nos entretendo com as decisões estratégicas de empresas, com a existência de grupos mais ou menos secretos que combinam entre si o assalto ao poder, com a colocação dos amigos nos lugares de relevo. Tudo do mesmo. Complicado.

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