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Twilight Zone

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Twilight Zone

Ideias

2020-04-24 às 06h00

Margarida Proença Margarida Proença

Pelo menos os mais velhos, lembrar-se-ão eventualmente de uma série americana com este título, ainda a preto e branco, que fez história; a versão original é de 1959, mas na verdade foi sendo objeto de novas temporadas nestes anos mais recentes, sem grande sucesso. A designação escolhida cá em Portugal creio que foi A Quinta Dimensão; tudo aquilo era bastante estranho, ficção científica claro, com ingredientes típicos das histórias de terror, usada como metáfora para abordar diferentes situações sociais e discutir até comportamentos sociais e políticos.

Um dia destes, fazendo as necessárias compras de primeira necessidade num hipermercado, lembrei-me subitamente dessa série. Os comportamentos sociais tão diversos da normalidade a que estávamos habituados, e muito bem porque necessários pelo distanciamento social exigido pelas normas sanitárias, o medo latente, mas claro, da maioria das pessoas com que me cruzei, fez-me sentir como se fora participante ativa nesse ambiente estranho, nesse mundo próprio crepuscular da Twilight Zone. De acordo com o Google, esta designação traduz uma “situação ou área conceptual que se pode caracterizar por ser não definida de forma clara, intermédia ou misteriosa”.

O que queremos por agora saber é quanto tempo demorará a regressar à normalidade que tomávamos por certa e segura. Mas a resposta é certamente “não definida de forma clara” – vai ter de ser faseada e rodeada de todas as devidas precauções até que exista uma vacinação ou um tratamento que seja rápido e seguro. Temos certamente os grandes e pequenos laboratórios, a uma escala global, a procurarem pelas soluções milagrosas, e surpreendentemente a cooperarem entre si. Mas mesmo confiando na ciência, é preciso tempo - para pensar, para descobrir, para testar, para produzir. E cada um de nós é agente ativo na melhor utilização desse tempo, controlando e minimizando a hipótese de uma segunda vaga do vírus, porventura mais grave.

Em termos económicos, o impacto é global e impressionante. Uma medida clara desse impacto foi o comportamento dos preços do petróleo esta semana. Preços abaixo de zero, negativos (-36 dl o barril), em resultados da significativa queda na procura (tanto na produção, quanto nas viagens) e do excesso de oferta, sendo que os custos de armazenamento do petróleo são muito elevados. Quer isto dizer que os produtores de petróleo, no fundo, estão a pagar para lhes levarem o dito! e tudo indica que poderá voltar a acontecer.

O desemprego, nos Estados Unidos, já chegou aos 26 milhões. Na Europa, a Organização Internacional de Trabalho prevê a perda de 16 milhões postos de trabalho. Em Portugal, o mês de Março encerrou com 343.761 pessoas desempregadas, atingindo principalmente o setor dos serviços. E claro, as ofertas de emprego diminuíram também, 11% face ao mês anterior. Mas ainda se estava no início, porque só a partir de meados de Março é que as empresas foram confrontadas com a exigência de confinamento, e logo os números virão na verdade a ser bastante mais elevados. Estes dados apontam para um comportamento do mercado de trabalho talvez ainda pior do que aconteceu na crise de 1929.

O retorno a uma normalidade possível vai trazer a possibilidade de alterações na organização tradicional de trabalho. As empresas que o possam fazer devem utilizar este tempo para repensarem novas estratégias organizacionais que permitam maior produtividade. As empresas de restauração que divulguem pelas redes sociais, ou de outras formas, a entrega de refeições em casa, ou o levantamento das mesmas. Há já diversas experiências, mas fora dos grandes centros, Lisboa ou Porto, quase nada. Quem o fizer primeiro, e melhor, com mais qualidade e respeitando os consumidores, ganhará o desafio. E as empresas que o puderem fazer, evitem baixar os salários.

A participação no mercado de trabalho pode vir a modificar-se; num contexto da 4ª Revolução Industrial, com a pressão agora sentida de um maior recurso a tecnologias de informação e comunicação, pode ficar clara a vantagem de um acréscimo em termos do capital humano, das capabilidades individuais e organizacionais. Que no fundo possa permitir uma maior diferenciação da nossa produção, com mais valor acrescentado em termos de marcas, de atributos, de inovação, etc.

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