Correio do Minho

Braga, sábado

Uberização dos táxis ou taxização da Uber?

Mercado de Trabalho em Portugal, uma visão crítica

Escreve quem sabe

2016-10-15 às 06h00

Fernando Viana

Já abordei o tema da Uber. Mas o mesmo continua aí na ordem do dia a suscitar atenções, polémica e divisão de opiniões. Ainda por estes dias (10 de outubro), os taxistas organizaram uma gigantesca manifestação em Lisboa, para tentar forçar o Governo a aceitar as suas reivindicações.
Como dissemos trata-se de um tema polémico e que suscita em todos nós uma opinião e uma tomada de posição. Estou a analisar a questão na ótica do consumidor. Para este a oferta de mais bens e serviços é sempre positiva. No caso concreto do transporte de passageiros e em particular do transporte em viaturas ligeiras de passageiros, a única oferta até há bem pouco tempo era a dos táxis. Contudo, esta atividade tem sido exercida de uma forma altamente regulada, por força dos interesses em presença: governo, autar- quias, empresas de táxis, nomeadamente. Por conseguinte, o serviço de táxi pouco mudou desde os anos 20 do século passado.
Contudo, a mudança está sempre presente e neste mundo frenético em que vivemos, dominado por idéias novas, tecnologias e globalização, existe sempre alguém a pensar em novas formas de satisfazer as necessidades dos consumidores. E depois é uma questão de tempo. Se a idéia for boa, se valer a pena, o mercado rapidamente a adota. A Uber é indiscutivelmente uma boa idéia. A prova é que em meia dúzia de anos transformou-se numa gigantesca empresa avaliada em cerca de 50 biliões de dólares. A plataforma tecnológica que está na base do seu funcionamento está aí nos smartphones de quem quiser. Existem milhares de condutores a conduzir carros ao serviço da Uber e as pessoas são transportadas ao seu destino de forma cómoda, rápida e a um preço mais acessível do que o dos táxis.
Não é possível alterar esta realidade como parece que muitos dos taxistas pretendem.
Da mesma forma que o desenvolvimento do correio eletrónico reduziu a atividade postal, ou as máquinas multibanco satisfazem a maior parte das necessidades bancárias do cidadão comum (para já não falar no homebanking), a Uber proporciona um serviço mais personalizado e mais adaptado às necessidades dos consumidores, até em termos de preço. Impedir isto contraria a racionalidade económica e o densolvimento das sociedades.
Claro que para os taxistas a Uber surge como uma ameaça aos seus interesses económicos e profissionais. É por conseguinte natural que tentem contrariar a sua cada vez mais notória presença. Contudo, os argumentos que têm esgrimido, mais do que beneficiar o serviço de táxi, têm prejudicado de forma notoría a sua imagem junto da população. Parece que os seus argumentos se baseiam apenas na força, no ruído, em provocar o caos nas estradas das grandes cidades, em vez de procurarem formas de atarir mais clientes e prestar um melhor serviço. Há um provérbio árabe que pode ser convocado: “quando Maomé não vai à montanha, vai a montanha a Maomé”, o qual faz muito mais sentido do que afirmar que as “leis são como meninas virgens, são para ser violadas”!
Como muitos têm afirmado, a solução poderá estar numa uberização do serviço de táxi. Em nossa opinião fará mais sentido do que tentar taxizar a Uber. Por outro lado ainda, o serviço de táxi tem algumas vantagens sobre a Uber que devem ser maximizadas. Se a sua atividade fosse objeto de alguma desregulamentação e baixassem as despesas de transformar uma viatura num táxi, bem como as taxas que pagam pelas licenças e alvarás, o seu preço também poderia ser mais competitivo e dessa forma apresentar mais argumentos para concorrer com a Uber.

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