Correio do Minho

Braga, terça-feira

Um ano de Geringonça

Desprezar a Identidade, Comprometer o Futuro

Ideias

2016-10-10 às 06h00

Carlos Pires

Foi do ato eleitoral ocorrido no dia 4 de Outubro de 2015 que resultou o atual Governo de Coligação PS/PCP/BE. As discussões doutrinárias quanto à sua legitimidade, atendendo a que a coligação PSD/CDS-PP fora a mais votada, mostraram-se estéreis e ultrapassadas, pelo que urge ora avaliar este primeiro ano de Governação.

Tivemos um ano de estabilidade, o que foi bom, para o país e para a imagem deste junto dos parceiros, credores e instituições internacionais, aos quais de alguma forma está condicionado, nomeadamente a União Europeia. Confesso que, há um ano atrás, receei por tempos mais tumultuosos. Enganei-me. Os partidos que integram a Coligação Governativa, alguns a experimentarem pela primeira vez essa posição, perceberam que para a boa continuação do projeto teriam que ajustar-se. E, salvo um “sapo” aqui e outro acolá que os respetivos lideres tiveram que engolir, certo é que a geringonça tem funcionado. E nova prova de fogo se avizinha: a aprovação do orçamento para 2017… Veremos!

Há ainda outros aspetos positivos a assinalar: um défice aparentemente controlado, uma banca aparentemente estabilizada (em particular, a solução encontrada para a Caixa Geral de Depósitos).

Voltemo-nos agora para os pontos negativos, porque também os há. Onde está o crescimento económico? Esta tinha sido uma das bandeiras da propaganda política dos partidos da esquerda. Para já, nada se vê e Portugal, muito recentemente, desceu pontos no Ranking Internacional da competitividade. O país está inundado em impostos; em muitos casos “mais vale não trabalhar”, ouve-se dizer. E isto é mau. Mau para o investimento. Mau para o país, com menos receitas e mais dívidas. Mau para um país para o qual a palavra (novo) “resgate” ainda não foi abolida.

Mudemos o ângulo da análise: a atuação dos respetivos líderes. Comecemos pelo primeiro-ministro, António Costa. Continua a revelar-se um surpreendente (e exímio!) negociador, interna e externamente. Revela dinamismo e serenidade e tem conseguido de facto “levar a água ao seu moinho”, pelo que merece uma nota positiva. Por seu turno, Jerónimo de Sousa parece empenhado em que a Coligação resulte, sendo até de enaltecer o facto de já ter anunciado que o PCP avançará para as próximas autárquicas de forma isolada: parece-me uma forma saudável de transmitir que encara o projeto Coligação de forma excecional, mas responsável, atenta a necessidade de estabilidade governativa.

Por último, as senhoras do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, mas também Mariana Mortágua, tal é o protagonismo que esta teima em ter, responsável por desestabilizadoras e intempestivas declarações públicas. Parece-me que a linguagem utilizada por ambas, demasiado “revolucionária” para os nossos tempos, bem como alguma arrogância, à mistura com aparente “ingenuidade” quanto à complexidade de alguns dossiers, são fatores suficientes para que lhes atribuamos a única nota negativa no seio da Coligação. Os próximos atos eleitorais certamente refletirão aquilo que está a perpassar para a opinião pública.

E a oposição? Antes de mais: onde está o Passos Coelho? Sim, que anestesia tomou e que o coloca numa total abstinência política? Não se ouve. Fugiu. Parece fazer “ouvidos de mercador” às elementares regras de como se manter à tona na vida política. Não tarda nada e será ultrapassado, dentro da própria casa partidária. Nota negativa, pois, por falta de comparência. Já quanto ao CDS-PP, tenho que reconhecer que Assunção Cristas está a empenhar-se, revelando um aguerrido papel enquanto líder do partido e como voz ativa da oposição. Arrojada, apresentou candidatura pessoal à Câmara Municipal de Lisboa, no próximo ato eleitoral autárquico. Veio para ficar e promete dar luta.

E assim vão as glórias da política portuguesa. Os portugueses, esses, são uns heróis. E lá vão resistindo. Com esforço, suor e lágrimas. E por falar em portugueses, temos (orgulhosamente) um no topo de mundo, António Guterres, recentemente aclamado secretário-geral das Nações Unidas. Bravo!

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