Correio do Minho

Braga, quarta-feira

Um ano de governo PSD/CDS nos 36 de política de direita

‘Tu decides’ e o AE Maximinos move-se pela cidadania

Ideias Políticas

2012-06-05 às 06h00

Carlos Almeida

Cumpre-se hoje um ano desde a eleição que ditou a composição de um novo governo em Portugal. Um governo de coligação composto por dois partidos que, juntos, também haviam assumido tal responsabilidade entre 2002 e 2005, anos em que Durão Barroso e Paulo Portas - o tal dos submarinos - foram os trágicos rostos da liderança governativa.

Na verdade, desde 1976 que os portugueses não provam outra coisa. No governo ou fora dele, PSD, CDS e PS têm assegurado ao longo destes 36 anos confortáveis maiorias parlamentares, o que lhes tem permitido cumprir os desígnios da política de direita sem grandes constrangimentos institucionais.

Mas não é só o actual governo que não traz nada de novo. Não é nova também a ingerência de instituições internacionais na política nacional. Já em 1977 e em 1983 fora comprometida a nossa soberania com a entrada do FMI em Portugal. Nesse período foram testadas oito formas de governo no país, do PS à AD (PSD/CDS/PPM) até à curiosa coligação PS/CDS ou ao célebre bloco central PS/PSD.

Na altura, como agora, os mesmos agentes políticos, as mesmas receitas e a mesma condenação ao fracasso.
Agora, um ano passado desde a chegada ao poder de Passos e Portas - o tal dos submarinos, outra vez! -, somos um povo (ainda) mais pobre.
Diziam-nos que os sacrifícios eram para todos e indispensáveis. Tínhamos que honrar os compromissos do país e pagar a dívida. Hoje, pouco mais de um ano depois da chamada assistência financeira, a dívida é ainda maior.

O défice das contas públicas foi pelo mesmo caminho e agravou-se.
Apesar disso, os portugueses viram encerrar serviços públicos, subsídios retirados e salários cortados. Viram também o aumento dos custos com a energia, os transportes, o ensino e a educação. Viram ainda aumentar os impostos, mesmo sobre os bens e serviços essenciais. Resultado: ao mesmo tempo que aumenta o custo de vida, diminuem os rendimentos dos portugueses.

Então a “ajuda” externa não era para pagar salários e manter os serviços públicos abertos? Não era para equilibrar as contas públicas e ajudar o país a sair do buraco? Para onde foi então o dinheiro “emprestado”?
A verdade é que o país encontra-se numa recessão profunda, que está destinada a agravar-se com as políticas de austeridade a que nos condenam.

Mas eles - PS, PSD e CDS - não mentiram. O FMI, o BCE e a CE vieram de facto ajudar. Ajudaram o país a afundar-se ainda mais económica e socialmente. Ajudaram à aceleração da pobreza. Ajudaram a bater máximos históricos nos números de desempregados e de trabalhadores precários. E, o mais importante de tudo, ajudaram os principais grupos económicos e financeiros a atingir lucros fabulosos.

É caso para perguntarmos: se eles - PS, PSD e CDS - são tão bons a governar porque chegamos ao ponto em que nos encontramos?
Se estes partidos já experimentaram as mais variadas posições em governos de coligação (superando um inimaginável kamasutra do poder!) e, mesmo assim, só têm conseguido afundar mais e mais o país, não constituirão eles próprios a causa do problema?

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