Correio do Minho

Braga, sábado

Um bom Ano Novo

Menina

Ideias

2010-12-31 às 06h00

Margarida Proença

O INE acabou de publicar um trabalho importante de compilação de indicadores sociais referentes a 2009. O retrato é o de um país com mais de 10 milhões e seiscentos mil habitantes, que vai envelhecendo de forma significativa. Dado que a taxa de natalidade continua a diminuir - apenas 9,4 nados vivos por mil habitantes, e 1,32 crianças por mulher fecunda - o crescimento efectivo da população em Portugal fica a dever-se a um movimento migratório que é positivo, mas que tem vindo a decrescer.

Por cada 100 crianças até aos 14 anos, havia 115 pessoas com mais de 65 anos em 2008, e 118 em 2009. Complicado, já que as projecções demográficas apontam uma situação que tenderá a agravar-se até, pelo menos, 2040. O número de beneficiários de pensões de velhice aumentou cerca de 2% entre 2007 e 2009; as despesas em prestações sociais , por habitante, aumentaram 4,2% no mesmo período. Nas regiões do Norte, Centro e Lisboa e Vale do Tejo viviam, em 2009, 86,6% da população.

Do ponto de vista cultural, remete também para uma sociedade que se vai alterando. Porque a mulher participa mais activamente no mercado de trabalho, porque a situação económica tem agravado a discriminação negativa da mulher (78% da variação no desemprego total no 3.º trimestre de 2010 foi devida exclusivamente às mulheres), porque cada vez o dinheiro é menos para fazer face às múltiplas utilizações alternativas com que todos os dias a comunicação social, a publicidade, até as redes sociais nos aliciam, porque nunca existiu uma política social, clara, de apoio à natalidade, a par de outras razões porventura igualmente válidas, o certo é que cada vez se casa menos e mais tarde, e também cada vez mais tarde se tem o primeiro filho.

A tendência para adiar a fecundidade é generalizável a todo o país; as taxas mais baixas são nas regiões do Centro e do Norte. As mulheres, em 2009, representavam já cerca de 52% da população portuguesa, mas a taxa de actividade das mulheres (56,3%) apesar de tudo é ainda bem inferior à dos homens (67,7%), atendendo a dados do 3.º trimestre deste ano.

Em 2009, o número de pessoas em agregados familiares com atrasos em pagamentos como rendas de casa, água, electricidade e outros aumentou, bem como o endividamento em termos relativos ao rendimento disponível, que passou de 106,1% em 2003 para 137,7% em 2009. Mas o consumo das famílias aumentou de forma significativa nesse período (23,3%).

Os indicadores sociais mos-tram sem margem para dúvidas como o país apesar de tudo vai caminhando no sentido de um maior desenvolvimento. Os ganhos na diminuição da mortalidade são significativos; em quarenta anos os homens ganharam 12,5 anos de vida, e as mulheres 13,7 anos, o que é notável, e diz bem do sistema de saúde português. A mortalidade infantil é inferior á comunitária.

Entre 2003 e 2009, a população entre os 25 e os 64 anos em processos de aprendizagem formal ou informal duplicou, e o abandono precoce de educação e formação baixou 10 pontos percentuais. A taxa real de escolarização subiu em todos os níveis; o número de doutoramentos passou de 1027 para 1569. A despesa total em I&D, tanto no sector público como no privado aumentou. O acesso em casa a tecnologias de informação e comunicação, computador e internet tem vindo a tornar-se cada vez mais significativo. As histórias de sucesso de empresas em sectores de alta tecnologia já não se contam pelos dedos.

Um ano novo está aí; 2011 ainda nos trará dificuldades, sem dúvida alguma. Para muitos, será o ano em que se vai ter de apertar o cinto. A taxa de risco de pobreza em Portugal baixou ligeiramente entre 2005 e 2008 apenas considerando os valores após as transferências sociais e as transferências relativas a pensões, e isso pode ser um problema num ano necessariamente marcado por contenção da despesa pública. Por isso mesmo também, nesta altura do Natal e da passagem do ano, temos que pensar que para asseguramos uma distribuição de rendimentos mais equitativa, vamos ter de ser mais produtivos e mais eficientes.

Deixa o teu comentário

Últimas Ideias

18 Julho 2019

Jacques Delors

Usamos cookies para melhorar a experiência de navegação no nosso website. Ao continuar está a aceitar a política de cookies.

Registe-se ou faça login

Com a sessão iniciada poderá fazer download do jornal e poderá escolher a frequência com que recebe a nossa newsletter.




A 1ª página é sua personalize-a

Escolha as categorias que farão parte da sua página inicial.

Continuará a ver as manchetes com maior destaque.