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Um conjunto de palavras para 2019…

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Um conjunto de palavras para 2019…

Ideias

2019-12-30 às 06h00

Filipe Fontes Filipe Fontes

Ao findar de um ano, é hábito o exercício da escolha da palavra dominante, ou mais central, nos trezentos e sessenta e cinco dias vividos.
Recorrendo a múltiplos critérios, raramente recolhendo unanimidade, estas escolhas retratam um esforço de síntese da leitura e análise que, “valendo o que seja”, ajudam-nos tantas vezes, neste mundo de “correria e mudança”, a melhor entender e perceber o tempo transformado já em passado.
Não procurando uma palavra, antes aceitando que várias existem e são pertinentes, também aqui, aproveitando a coincidência temporal deste artigo com o fim do ano, se tentará fazer esse exercício de síntese no campo do território da(s) cidade(s) e do urbanismo, campo este que, reconhece-se, não necessita de nenhuma palavra em destaque, não carece de nenhuma expressão sublinhada para acentuar ou visibilizar um tema ou assunto. Como, por si só, é todo ele central e complexo, omnipresente e intemporal, todas as palavras escolhidas não mais serão do que partes truncadas ou delimitadas de um todo tão complexo quanto uno e, fundamentalmente, tão carente de leitura e actuação holística.

Sem preocupação hierárquica, livremente, identificam-se algumas:
• Cidades cada vez mais emergentes na polarização do mundo e protagonistas das mudanças e das políticas. Cidades que revelam mais produto interno bruto, possuem mais habitantes, fomentam mais viagens e trocas comerciais, geram mais cultura e história que tantos e tantos países;
• Interior e desertificação quando falamos de um “naco territorial” afastado dos centros de decisão, produção e trocas, que não encontram modo de (sobre)vivência e definha, desesperando por emprego… já que, acredita-se, será fundamentalmente este o grande motor de atracção e fixação de pessoas;
• Migração e demografia no retrato desequilibrado de um mundo que precisa de pessoas para se tornar melhor mas é incapaz de equilibrar e acolher a mudança, abdicar para partilhar. E aceita construir cidades complexas e provisórias feitas de tendas sem conforto e ausência de infraestruturas. Enquanto isso, nalguns lugares, encolhemo-nos com medo da imensidão do espaço livre que nos rodeia e, noutros, todos se encavalitam para alcançar um lugar um pouco menos mau…
• Alterações climáticas que, múltiplas ocasiões, se confundem com sustentabilidade. E, de tanto repetirmos estas palavras, acabamos por nos esquecer o que significam e implicam: equilíbrio entre as partes natural e humana, mudança do modo de vida, sem cobrança ou exigência;
• Mobilidade que foi palavra-chave no discurso da mudança do “paradigma ambiental” das nossas cidades. Mobilidade, vezes sem conta, confundida com acessibilidade e infraestruturas, outras tantas vezes reduzida ao “modo eléctrico e ciclável” e que, no meio de tanto, foi objecto de colagem da palavra inventada “uberização”, nova forma de deslocação que contrasta entre o conforto do utilizador e o desconforto de quem vê o seu rendimento económico perigar…
• Alojamento local como nova apropriação do edificado urbano, expressivo motor da reabilitação urbana e indutor da paisagem de muitas ruas e vielas. Alojamento local que se confunde com a turisficação das cidades e sua gentrificação, que acentua a dicotomia turista | residente e expõe o quanto é necessário valorizar a cidade como espaço nobre e natural para residir;
• Habitação como função primordial da cidade e que não pode, em nome da disneyficação do espaço público, turisficação da vivência da cidade e da financeirização do sistema imobiliário e habitação, ficar sem actuação eficaz e eficiente na prossecução de um direito que, agora, encontra expressão e materialização legal na publicada e em vigor, lei de bases da habitação;
• Solo, seja urbano ou rústico, cada vez mais palco de guerra disciplinar e conceptual e que carece, na sua ocupação e transformação, de realismo e capacidade de melhoria… dir-se-á, de reforma e de fazer caminho… ajustando-se à realidade próprias de “cada território”…

E muitas outras palavras poderiam ser identificadas, escritas e eleitas. Esta é uma das riquezas do território e do urbanismo: infindável nas questões e desafios que nos colocam…
Para o novo ano, que rapidamente tomará conta das nossas vidas, fica a esperança que tudo melhore, elegendo-se a palavra consequência para o novo ano: num campo (urbanismo) tão fértil em intenções, programas e planos, tão afirmativo no campo propositivo e fiscalizador… (mas que, na prática, tantas dificuldades revela em se estabilizar, consolidar e produzir resultados) que à coerência do pensamento e à assertividade da decisão se some a palavra consequência. Ou seja, que se comece, que se acabe e que se deixe viver e consolidar… para, depois, racionalmente, se corrigir o que de menos bom existir, se potenciar o que de melhor se revelar… Bom ano!

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