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Um desejo de Natal... A Escola que merecemos!

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Um desejo de Natal... A Escola que merecemos!

Voz às Escolas

2019-12-04 às 06h00

Flora Monteiro Flora Monteiro

Foi em 1985 que a Escola Secundária de Amares abriu as suas portas aos estudantes, professores, auxiliares de acção educativa e pessoal administrativo. Foram tempos de alegria, de celebração da nova escola que tanto nos orgulhava apesar de ainda não ter as condições ideias, que foram sendo construídas ao longo do tempo. No entanto, era a nossa Nova Escola! E mais importante… a existência do ensino secundário em Amares.
A iniciar o meu 9.º ano, não esquecerei os cheiros dessa nova escola, o ambiente de alegria e expetativa perante um futuro que era nosso, e todas as oportunidades que se vislumbravam. Desde a primeira associação de estudantes, da qual fui secretária, à criação da associação de pais, com quem lidávamos frequentemente, às primeiras jornadas culturais, à abertura de uma incipiente biblioteca, à organização de atividades, à alegria de estar e aprender em salas novas e com o entusiasmo de docentes que ficaram nas nossas memórias para toda vida. Os funcionários que tantos ralhetes e mimo nos davam… Era a nossa escola… Ainda hoje, ao entrar em alguns espaços, sinto aquele arrepio de voltar ao passado e ver-me sentada em debates calorosos, aprendizagens e trabalhos importantes que nos ajudaram a crescer e formar.

É esta escola que tem marcado várias gerações de alunos. Alguns, como eu, já tiveram o prazer de ver os seus filhos a serem formados e educados na ESA. O tempo vai passando e são tantos os ex-alunos que agora trazem os seus filhos, que nos visitam, que recordam a escola com carinho. Como tantos alunos afirmam – saem da Esa para outras paragens, mas a ESA nunca sai do coração de cada um daqueles que a frequentaram e escreveram a sua história.
É muito bom ouvir, é muito bom sentir que esta escola deixa marcas pela proximidade entre os seus agentes, pelo humanismo que a caracteriza, pelos afetos que serão sempre um dos seus traços distintivos. Por isso, tantos adoram regressar, independentemente do motivo.

Esta semana tive a oportunidade de receber uma das minhas ex-alunas que pertence à minha história e que aproveitou uma visita ao diretor de turma do seu filho para nos revisitar. Após um passeio pelos diferentes espaços e a constatação de tanta coisa boa que a escola tem, de todos os novos projetos, dos belos espaços exteriores, de tantas obras de arte, de tanto ensino de qualidade, de tantos sorrisos e abraços de professores e funcionários que ainda se mantêm, da simpatia e cordialidade de tantos alunos à nossa passagem… uma afirmação fez-me voar para outra direcção… “A ESA está igual!”. Creio que se tratava de um elogio por todas as coisas boas que soubemos preservar, pela luta diária por um ensino cada vez melhor, por uma escola com valores, por um ambiente de inclusão, por tentarmos sempre fazer mais e melhor. Era uma afirmação de orgulho, sim! Até porque consegue essas evidências no acompanhamento do seu filho.

No entanto, mudando o foco… A ESA está igual? Enumerando os valores apontados anteriormente, sim. Até está melhor, graças a tantos projetos enriquecedores que desenvolve, ao envolvimento de toda uma comunidade nos seus sucessos, à entrega por parte dos seus profissionais, aos inúmeros sucessos dos seus alunos.
Mas não está igual no seu aspeto, nos seus edifícios, na sua segurança… Está envelhecida, está a transformar-se num espaço físico pouco atraente, não está ao nível dos seus atores que nela trabalham diariamente. Como tive oportunidade de dizer há pouco tempo, à tutela… A sensação de frequentar, trabalhar e viver numa escola que não teve o privilégio de ser requalificada ou sujeita a obras de envergadura, começa a ser humilhante…
A Escola Secundária de Amares pertence ao conjunto de escolas construídas nas décadas de 70 e 80 no âmbito do Projeto do Sistema Escolar apresentado pelo então ministro da educação Veiga Simão, em 1971, visando promover a democratização do ensino. Muitas dessas escolas já foram requalificadas, modernizadas. A ESA não! Muitas dessas escolas já receberam novos materiais e espaços modernos, preparados para um ensino/aprendizagem com dignidade. A ESA não!

Em 2007, foi aprovado o Programa de Modernização das Escolas destinadas ao Ensino Secundário (PMEES), visando a requalificação das infra-estruturas escolares e a implementação de um sistema abrangente, sistemático e duradouro de manutenção e gestão das respetivas instalações. No mesmo ano, foi criada a Parque Escolar que visava cumprir três objectivos (passo a citar): 1) Requalificar e modernizar os edifícios das escolas com Ensino Secundário, criando condições para a prática de um ensino moderno, adaptado aos conteúdos programáticos, às didáticas e às novas tecnologias de informação e comunicação; 2) Abrir a Escola à comunidade, garantindo o aproveitamento integral das potencialidades instaladas na infraestrutura escolar; 3) Otimizar os recursos instalados, garantindo uma correta gestão da conservação e manutenção dos edifícios após a intervenção. Não chegou ao concelho de Amares. Ainda participamos em reuniões introdutórias, mas… ficamos na entrada do túnel!

Ruralidade e urbanidade? Obviamente que não! Nos tempos que correm, já o afirmei algumas vezes, não considero que esse estigma se possa estender ao nosso concelho, às nossas escolas! Trabalhamos e competimos em diversas frentes! Em termos de qualidade, inovação e empenho, temos provas dadas a nível regional, nacional e internacional. Não somos uma escola rural!
A falta de um olhar para esta necessidade imperiosa de obras na Escola Secundária de Amares prende-se, talvez, com outras razões que não quero explorar aqui. Queremos, sim, uma escola digna, agradável à vista, acolhedora e confortável, sem infiltrações, sem humidade, sem caixilharias obsoletas, sem pinturas desbotadas, sem problemas de saneamento e eletricidade, sem cobertura de fibrocimento, sem infiltrações de água e com um parque informático e multimédia que não esteja completamente ultrapassado, mas que possa responder às atuais exigências de uma escola do século XXI. Desejamo-lo e merecemo-lo, todos nós (alunos, doentes e assistentes). É obrigatório, é urgente e será a nossa luta diária em todas as frentes!

Nos últimos anos procedemos, à substituição das coberturas nos dois blocos de aulas, à troca parcial da cobertura de fibrocimento, à compra de caldeiras para o aquecimento central e dos balneários, à substituição da caixilharia dos balneários e revestimento das paredes, da caixilharia de um bloco de aulas, entre tantas outras pequenas obras. Umas feitas por nós, outras com ajuda da tutela e do Município. Mas não chega! Merecemos a dignidade que têm quase todas as escolas dos concelhos que nos circundam. É uma questão de necessidade e, nós os que ainda acreditamos, não vamos desistir!

A todos e em particular à comunidade do AEAmares… um excelente dezembro e um Feliz Natal.

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