Correio do Minho

Braga, sexta-feira

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Um orçamento irrealista, onde já vi esta novela?

O sofisma

Ideias Políticas

2016-02-09 às 06h00

Francisco Mota Francisco Mota

O orçamento do Estado 2016 toma contornos de irrealismo técnico e político. É o orçamento “do dar e do tira”, com um prejuízo enorme e muito provavelmente irreversível nas contas públicas, nas famílias, na economia e nas empresas. O sacrifício dos portugueses dos últimos quatro anos, pode ser posto em causa por culpa de uma geringonça socialista que não sabe o que faz nem como faz, em que não olha ao custo do país em prol da sobrevivência demagógica, populista e facilitista do PS, Bloco de Esquerda e PCP.

Este relatar de factos leva-me a uma pergunta: onde já vi esta novela? Não foi há muito e requer um avivar de memória aos agentes políticos, mas sobretudo aos Portugueses, pelo perigo que é caminhar neste sentido. Foi com o PS e com este tipo de receitas que o País caiu no abismo, foi por esta falta de compromisso político que as gerações vindouras vivem sucessivos pagamentos de facturas que apenas comprometem o seu próprio futuro, foi com estes políticos que Portugal e os Portugueses sofreram condicionalismos e não evitaram a bancarrota do País e a perda de soberania económica e financeira e foi com esta irresponsabilidade que herdamos uma agricultura perdida, uma segurança social falida, uma economia amorfa e um estado intrometido. Esta novela não a quero voltar a viver nem a fazer das famílias portuguesas actores e atrizes do sofrimento heroico em nome da Nação. Basta de jogar no tabuleiro da politiquice desbarata a vida e as espectativas de cada um de nós.

Este governo com este orçamento apenas vai cavar as dificuldades das famílias e das empresas. Mais impostos nos combustíveis, menos isenções nos incentivos às empresas que é quem criam emprego, substituição do quociente familiar por uma dedução fixa, ataque cerrado às escolas com contrato de associação, retirada de autonomia à escola pública, renegociação dos transportes públicos de lisboa e Porto, reversão do negócio da TAP, a restituição das 35 horas na função pública, a recondução de privilégios nas empresas públicas. Mas no final quanto custará tudo isto? Muito mais que o custo imediato, que vai além das dúvidas da Europa ou das metas atingíveis que sejam possíveis de ser negociadas com as entidades externas, é a onde vamos terminar e em que factura é que esta receita vai resultar.

Durante os últimos anos deparamo-nos com a oposição ao governo de direita a reclamar, sem razão, uma crise geracional, entre pais e filhos, mas hoje é essa mesma oposição que com este orçamento de estado cria um foço entre portugueses de primeira e portugueses de segunda. Os de primeira, Funcionários públicos que trabalham menos horas por dia e menos anos para ter acesso à reforma; Trabalhadores, familiares e ex-empregados que usufruem de estatutos nas empresas do Estado e os de segunda que trabalham para pagar as regalias dos de Primeira. Este não é certamente o caminho que pretendemos para Portugal.

Este orçamento de estado deveria reflectir uma governação responsável, séria e consciente. Três meses depois e um documento orçamental produzido, não tenho dúvidas: a geringonça não funciona, o PS está preso pelos arames do Bloco e do PCP e a qualquer momento comadres zangam-se e aí voltaremos realidade, só espero é que não seja tarde de mais.

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