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Um país a prazo

Viagem a Viena

Ideias

2010-10-10 às 06h00

Felisbela Lopes Felisbela Lopes

O Orçamento de Estado vai ser aprovado? Parece que não, mas não há certezas… O Presidente da República vai recandidatar-se? Parece que sim, mas Cavaco Silva ainda não disse nada… José Sócrates consegue fazer-se eleger primeiro-ministro, se se demitir e se se apresentar novamente a eleições? Parece que não, mas as sondagens são uma coisa e o país é outra… O cidadão comum vai ter uma vida mais difícil? Parece que sim, mas todos somos avessos a mudar os nossos estilos de vida… Enfim, não há certezas de nada. O que nos afunda num pessimismo crónico.

No sábado, o jornal i era inequívoco. Em manchete lia-se isto: “Sócrates apresenta demissão em Belém a 29 de Outubro”. O texto desenvolvia mais: “no dia 29 de Outubro, uma sexta-feira, o PSD chumbará o Orçamento do Estado e o primeiro-ministro irá a Belém pedir a demissão do cargo e passar para o Presidente da República a resolução do imbróglio”. Sem ter acesso às mesmas fontes jornalísticas (!), o ministro das Finanças, que, por acaso, está no centro de tudo, dizia no mesmo dia isto ao jornal “Expresso”: “estou aberto a medidas alternativas do PSD”. Nós até poderíamos acreditar, mas essa crença manter-se-ia apenas até ao virar da página. Logo a seguir, aparecia no mesmo semanário uma notícia com este título: “Passos deixa Sócrates sob pressão máxima e prepara-se para eleições”. Quem deve estar também a fazer a mesma preparação será Cavaco Silva que deixa passar para o espaço público alguns sinais de preocupação. No “Diário Económico”, o Presidente da República evidenciava no sábado as suas preocupações. O essencial, defende o PR, não está na luta dos políticos, mas na vida concreta das pessoas. É verdade, mas a classe política tem, por vezes (demasiadas vezes!), dificuldade em perceber aquilo que é óbvio.

Neste contexto, é difícil sermos optimistas. Aliás, segundo dados divulgados este mês pela Caixa Geral de Aposentações, a depressão foi a causa que, em 2009, levou ao maior número de reformas antecipadas de mulheres em Portugal. Há gente que não tem força para continuar e desiste. Fica doente. Hoje, dia Mundial da Saúde Mental, ouviremos falar de estudos que realçarão, por certo, um país esquizofrénico, deprimido, bipolar… O colectivo que nos liga uns aos outros através de uma espécie de cola invisível é a outra face daquilo que vivemos a nível individual. É triste. Pronto, lá estou eu a dobrar-me a este modo tão português de ser resignado. Temos de pensar de modo diferente. É triste, mas é nas dificuldades que se distinguem os homens dos rapazes. É assim que costuma dizer alguém que me é próximo. Vamos lá, então, procurar vias alternativas. Uma espécie de quarta via... Porque a terceira já foi bem explorada por Anthony Giddens, o sociólogo de serviço do governo de Tony Blair.

Com ou sem orçamento aprovado, com estes ou com outros ministros, com o mesmo Presidente da República ou com outro, o certo é que cada um de nós tem urgentemente de encontrar o seu caminho. Daqui a alguns dias, o país sairá à rua para aquela que se prevê ser uma gigantesca greve geral. Todos em protesto contra as recentes políticas de José Sócrates. Percebo as motivações daqueles que gritarão frases de ordem, mas também é preciso não esquecer que se gastou demasiado e que o chamado Estado Social não é propriamente a caixa forte do Tio Patinhas. Até poderia ser, se tivesse havido uma maior preocupação com o dinheiro que de lá se foi retirando ao longo destes anos. Acontece que não houve e agora há que abrir o cofre e fazer aí reter o dinheiro e, se possível, rentabilizá-lo. Os funcionários públicos são os primeiros a dar uma ajuda, através dos respectivos salários. A este respeito, retomo aquilo que escreveu há dias, neste espaço, a Professora Margarida Proença: “Cortar onde então? Para mim é claro. Embora não goste.”.

Para mim, o corte salarial também parece ser inevitável, embora me custe a aceitá-lo. Mas mais do que debitar queixas, é melhor criar alternativas que neutralizem este impacto nas nossas finanças pessoais. Seria isto que se esperaria dos políticos. Mas talvez fosse pedir muito…

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