Correio do Minho

Braga, sábado

Um Quadrilátero como alavanca

Investir em obrigações: o que devo saber?

Ideias

2012-05-29 às 06h00

Jorge Cruz

Deve o Quadrilátero Urbano assumir outra forma geométrica, aumentando os seus vértices e transformando-se assim numa figura multilátera que possa vir a acolher novos municípios minhotos? A interrogação, que se ajusta a uma noção de desenvolvimento de escala, isto é, a uma ideia de crescimento da dimensão da actual associação de municípios, foi colocada há dias por João Duque numa conferência que o Diário Económico promoveu em Barcelos.

Ao contrário do que tinha feito aquando da “missão” de que foi incumbido pelo ministro Miguel Relvas, altura em que debitou certezas sobre manipulação e censura na RTP, desta vez o economista João Duque foi mais modesto, quedando-se pelas dúvidas sobre eventuais vantagens do alargamento do Quadrilátero a outros concelhos. As suas incertezas, contudo, tiveram mais a ver com as questões que se prendem com a economia de escala do que propriamente com o conhecimento da realidade local, matéria em que se mostrou fraco conhecedor embora declarando-se positivamente surpreendido com o que encontrou.

Acontece que, no caso do Quadrilátero Urbano, não estamos a falar de uma rede temática, como é o caso, por exemplo, da Rede de Cidades Educadoras, que pode e deve abrir-se a um número elevado de cidades já que o seu principal objectivo é o intercâmbio de conhecimentos e experiências numa determinada área.

Neste exemplo minhoto, do que se trata é de uma rede de proximidade, logo bastante mais reduzida porque a sua configuração deve atender à dimensão e infra-estruturas funcionais das cidades para evitar potenciais riscos de hierarquização entre elas.
A criação desta rede urbana assume-se, portanto, como a grande oportunidade que os autarcas não quiseram desperdiçar de rentabilizar o enorme potencial de cada cidade, designadamente através da inovação, internacionalização e reforço da capacidade competitiva.

Ganhar escala e gerar e potenciar as sinergias daí decorrentes terá sido precisamente uma das razões que levou os autarcas dos quatro concelhos a avançar para a constituição da associação de fins específicos que dá pelo nome de Quadrilátero Urbano. Mas não nos podemos esquecer do fundamental, ou seja, do peso determinante que outros factores terão tido para tal decisão.

A proximidade geográfica entre os quatro municípios, com territórios contíguos, e o facto de alguns dos constrangimentos que apresentam serem análogos e reclamarem soluções comuns terão sido, desde logo, decisivos para os autarcas se abalançarem na constituição desta rede urbana. Claro que essa constatação de pouco valeria se, entretanto, a própria União Europeia não tivesse apostado em políticas que encorajam este tipo de soluções.

Mas estou em crer que o cimento que efectivamente associou estes municípios terá sido precisamente a convicção de que a união de esforços e o aproveitamento do novo conjunto de sinergias seriam decisivos na busca de soluções para problemas comuns e, consequentemente, para tornar as quatro cidades mais inovadoras e mais competitivas.

E a verdade é que com a massa demográfica que possui, ou seja, cerca de 600 mil habitantes nos quatro municípios e uma área de influência que rondará o milhão, o Quadrilátero Urbano se apresenta como uma rede urbana de enorme relevo, a terceira logo a seguir às áreas metropolitanas de Lisboa e Porto. Dispõe no seu território de clusters de excelência e de relevante competitividade internacional além de reputadas instituições de ensino e investigação bem como estruturas tecnológicas o que, aliado às enormes potencialidades endógenas, o colocam num patamar invejável.

Ainda é demasiado cedo para ajuizar se a lógica de constituição desta rede urbana é apenas a de aceder a fundos comunitários, como alguns críticos sugerem, ou se, como todos esperamos, nela está implícito um autêntico espírito de cooperação territorial. Todavia, as acções já desenvolvidas fazem acreditar na bondade dos propósitos dos autarcas e no ambicioso projecto a que se propuseram.

Neste particular, creio ser de valorizar convenientemente a iniciativa de promoção e internacionalização da região, em especial dos sectores do vinho e do turismo, que foi o Concurso Mundial de Bruxelas, certame que o Quadrilátero Urbano conseguiu trazer para as quatro cidades no início deste mês. Afinal, este é “apenas” um dos maiores e mais prestigiados concursos, que arrasta centenas de especialistas, entre jornalistas, produtores e compradores, constituindo uma oportunidade ímpar para divulgar a região e os vinhos portugueses.

Particular destaque merece também o trabalho de campo que está há dias no terreno no âmbito do Quadrilátero Mobilidade, um projecto que tem em vista “construir uma solução integrada para um sistema multimodal de transportes”. Este objectivo, a concretizar-se, resolverá um dos principais problemas da região e contribuirá decisivamente para o desenvolvimento económico e social, para a competitividade e para o reforço da articulação e da unida-de na área geográfica abrangida pelo Quadrilátero

É também por saber que neste como em tantos outros casos a unidade faz a força e que só com o trabalho de equipa será possível solucionar desequilíbrios e assimetrias que acredito que este projecto comum de gestão territorial se vai afirmar cada vez mais e melhor para bem do desenvolvimento desta região.

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