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Um-Xis-Dois

As bibliotecas e as leituras no verão

Um-Xis-Dois

Escreve quem sabe

2022-01-23 às 06h00

José Manuel Cruz José Manuel Cruz

Ao que parece, só de tripla acertamos no resultado das legislativas. Bem, a vitória de Costa ainda paga menos, mas a ideia que faz curso é a de que tanto pode dar para um, como para outro, o que levanta questões acessórias, a saber, até que ponto o Bloco e a CDU se apagarão; seguidamente, que destino conhecerão os desenganados do CDS? E o PAN, tão louvado por surdo Costa, levará uma chumbada na batida das urnas? Já agora, crescerá o IL, a pontos que ganhem ares para propor a privatização da Assembleia da República? E o Chega, por fim, terá noite de grande arraial, com peregrinação a Fátima e Te Deum profano contra as muralhas de Guimarães?
Paira a sugestão que São Bento possa apresentar uma composição aos olhos de hoje aberrante, mas com novos foliões se fará nova romaria, e só me lembra a Banda Plástica de Barcelos, pandilha que qualquer sarau abrilhanta, músicos não sendo de todas as seriedades. É! Se calhar o Parlamento é para levar com igual pilhéria, senão digamos, que crédito nos merece a tirada de Costa, o apelo para que se lhe outorgue uma maioria, que Marcelo se encarregará de o manter na linha?

Quantas sinetas temos que desligar para não vermos o embuste? Não saberá Costa em que regime de separação de poderes governa desde Guterres? Se sabe que negligenciável é a força de Belém, porque usa de logro de propagandista errante, tão próximo de trumpice que desqualifica quem se preste à conivência? Por que diabos há de um País ficar refém de autocrata autoinstituído? Não nos chegou Sócrates?
Às urnas, por conseguinte. Na eleição reflectida de igual por iguais assenta o racional da Democracia. De responsabilidades imbuímos o eleito, e toda a perrice, capricho ou ceninha lhe estão vedados, porque se é para isso qualquer um serve, independentemente do seu grau de torpeza e destempero.

Governar releva da arte laboriosa de ver o futuro e de procurar consensos, hoje com uns, amanhã com outros, se por acaso os primeiros derivam para terreno inconveniente. Governar não é fazer calar, como se o outro não deva ter voz. Governar não é atirar osso a cão e carapau a gato, distribuindo pelo mínimo, amansando quem dessa forma se entretenha de bucha em bucha.
O que é uma eleição? Este malhão de ferreiro de quem reclama maioria para si, ou esse vira pinchado de quem não a quer para o outro? Não temos nós urgências que não se compadecem com cristas ou umbigos?

Deixemo-nos de condescendências e intentemos responder a algumas questões. Há quantas décadas temos o problema da habitação por solucionar? Com que desgostos vive quem trabalha para pagar contas básicas? E se não sai banal cidadão da cepa torta, com que sorriso encara a sociedade que lhe trava a menor fantasia? Há quantas dezenas de anos arrastamos a lengalenga da sobrevivência no limiar da pobreza, da subqualificação, da paupérrima produtividade. E a Justiça! E o milhão que passa de geração em geração sem médico de família?
E o saldo demográfico, bom Deus! Mas desde quando estamos em declínio de natalidade?

Tudo é sabido, e se mais não temos em estatística, é porque em detalhe temamos inquirir. Tudo ponderado, que progrediu Portugal em meio século? Se eramos os mais atrasados da europa ocidental, o que somos hoje?
Com ritual acto de contrição nos lábios, com decalcado “eu cidadão me confesso a democracia todo-poderosa…” vou revisitar os salmos do Sérgio Godinho, em particular aquele em que se exaltam as virtudes do senhor Casimiro Baltazar da Conceição. Talvez afine, quiçá apanhe o jeito e acabe por ganhar faro para as imitações. Prove o leitor da mesma farmacopeia.

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