Correio do Minho

Braga, quinta-feira

- +

Uma estratégia para a mobilidade em Braga

As bibliotecas são espaços inclusivos?

Ideias

2015-05-04 às 06h00

Pedro Morgado Pedro Morgado

Aparte um ou outro surto episódico e muito circunscrito de cidadania colectiva (como a ASPA, o Projecto Braga Tempo, o Estaleiro Cultural Velha-a-Branca ou a mobilização em torno do regresso do eléctrico), Braga nunca foi uma cidade particularmente vocacionada para mobilizar os seus cidadãos para a construção e desenvolvimento da(s) causa(s) pública(s). Assistimos, por isso, com grande expectativa ao lançamento do Orçamento Participativo, uma iniciativa da Câmara Municipal de Braga que pretende pôr os cidadãos a escolher alguns projectos onde investir uma pequena parte do orçamento municipal.

O balanço da edição de 2015 é extremamente positivo. Em primeiro, pela implementação de uma nova filosofia na relação do município com os cidadãos; em segundo, pelos elevados níveis de participação; e, em terceiro, pela coordenação e organização excelentes e acima de quaisquer suspeitas. Curiosamente, a estrutura do Orçamento Participativo de Braga favoreceu o desenvolvimento de pequenos projectos que respondem aos interesses de pequenas comunidades e, em alguns casos, de entidades particulares ligadas à Igreja. É uma estratégia entre as várias que seriam possíveis, assente num conceito de que da aglomeração dos diferentes interesses de pequenos grupos de cidadãos se constrói o interesse colectivo da comunidade.

Aparte estes pequenos projectos impulsionadas pela participação cidadã, penso que o Orçamento Participativo tem uma organização suficientemente capaz para fazer evoluir o projecto para um formato em que os cidadãos se envolvem na definição das opções estratégicas do município, escolhendo as prioridades entre os grandes projectos públicos municipais (que seriam naturalmente propostos pela gestão autárquica).

É que, uma cidade como Braga necessita de uma visão estratégica global que não se esgote na aglomeração de pequenos projectos. E necessita também que essa estratégia tenha coerência e visibilidade para que os cidadãos se possam identificar e envolver com ela.
No que respeita à mobilidade, por exemplo, ainda não se percebeu qual é a estratégia do município para a cidade.

Se, por um lado, se percebe uma aposta clara e muitíssimo relevante no aperfeiçoamento da rede de transportes públicos colectivos e na melhoria dos serviços prestados pelos Transportes Urbanos de Braga (TUB) verifica-se, por outro lado, que há uma política de inaceitável condescendência perante a apropriação dos espaços públicos pedonais pelos automóveis, revelando um enorme desprezo pela necessidade de manter a ordem e a civilidade no estacionamento nas zonas do centro da cidade.

Ao longo dos últimos meses, centenas de imagens foram partilhadas nos fóruns de Braga nas redes sociais a atestar a insatisfação dos cidadãos com a apropriação dos passeios, das ruas pedonais e mesmo dos jardins públicos por viaturas particulares daqueles que não pretendem aparcar nas áreas definidas de estacionamento. Descrevem-se situações de grande dificuldade experienciadas por pessoas com mobilidade reduzida ou por famílias que se deslocam com carrinhos de bebé. E há uma situação que impressiona particularmente: na última semana foi partilhado um vídeo em que a passagem de uma ambulância do INEM em serviço de emergência é barrada por vários veículos estacionados no Largo João Penha.

Não há responsáveis? A quem aproveita esta situação absolutamente desregrada do estacionamento no espaço público? Confesso que a passividade do município nesta matéria impressiona de sobremaneira até porque contrasta com a sua proactividade noutros domínios.
A relação dos automóveis com as pessoas apeadas é um determinante fundamental do desenvolvimento de um projecto de cidade. Aparte a poluição atmosférica, sonora e visual, os automóveis causam constrangimentos à mobilidade e à fruição da cidade que importa minimizar.

Há muito que se identificou que a cidade de Braga tem um problema nesse domínio, seja pelos constrangimentos provocados pelo atravessamento de grandes eixos viários que compartimentam o espaço urbano em várias micro-cidades pouco interligadas entre si, seja pela excessiva utilização do veículo automóvel com todas as consequências ambientais e sociais que se conhecem. Questões que não se podem dissociar da necessidade de repovoar o centro da cidade e da imperiosidade de dinamizar o comércio a que chamamos tradicional.

É por isso que não é possível continuar a viver como se este problema quotidianamente presente na vida das pessoas e na dinâmica da cidade não existisse. No imediato é urgente repor a ordem no que respeita à ocupação das áreas pedonais e ajardinadas do centro da cidade pelos automóveis para, de seguida, se desenvolver uma estratégia coerente no domínio da mobilidade. Só assim se recupera um equilíbrio sustentável entre o uso do automóvel individual e a circulação das pessoas apeadas que se possa constituir como determinante fundamental para o desenvolvimento de Braga e para o seu posicionamento estratégico num futuro próximo.

Deixa o teu comentário

Últimas Ideias

26 Novembro 2020

Quo vadis União Europeia?

Usamos cookies para melhorar a experiência de navegação no nosso website. Ao continuar está a aceitar a política de cookies.

Registe-se ou faça login

Com a sessão iniciada poderá fazer download do jornal e poderá escolher a frequência com que recebe a nossa newsletter.




A 1ª página é sua personalize-a

Escolha as categorias que farão parte da sua página inicial.

Continuará a ver as manchetes com maior destaque.

Bem-vindo ao Correio do Minho
Permita anúncios no nosso website

Parece que está a utilizar um bloqueador de anúncios.
Utilizamos a publicidade para ajudar a financiar o nosso website.

Permitir anúncios na Antena Minho