Correio do Minho

Braga,

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Uma Fazenda em África

Datas que não podem ser esquecidas durante todo o ano

Ideias

2012-03-16 às 06h00

J.A. Oliveira Rocha J.A. Oliveira Rocha

Foi-me recomendado por pessoa amiga que lesse Uma Fazenda em África, de João Pedro Marques. Confesso que iniciei a leitura com alguma suspeição. A ideia que tenho deste tipo de literatura, escrita em português, é francamente negativa. Excetuando O Equador de Miguel Sousa Tavares, não se consegue chegar ao fim. Ou se trata de áridas descrições históricas, ou de enredos com suporte histórico sempre muito discutível. Não é o caso.

O livro liga três factos históricos muito desconhecidos da generalidade dos portugueses: o Brasil pós- independência e as atrocidades cometidas sobre aqueles que optaram por continuar a ser portugueses; o tráfico de escravos e a sua sede na costa do atual Daomé; e os primórdios da colonização da costa ocidental africana.

Uma Fazenda em África retrata uma aventura de uma centena dos portugueses nos idos tempos de 1948, os quais depois de uma noite de assaltos e roubos decide abandonar a cidade de Recife no Pernambuco e fundar uma colónia agrícola no outro lado do Atlântico, na atual Moçâmedes. É o começo da colonização do sul da Angola, já que a existência de portugueses se limitava a Luanda e Benguela. Foi uma aventura muito dura numa terra quase deserta e sujeita á invasão das tribos africanas que só nos finais do seculo XIX foram relativamente pacificadas. De resto, é importante sublinhar que a pacificação da Angola só foi possível durante um período muito curto, entre o final da segunda Guerra Mundial e a revolta dos movimentos de libertação no começo da década de 60.

O livro desfaz muitos mitos á volta da colonização portuguesa e da epopeia da imigração para África. A ocupação não e muito diferente da dos outros colonizadores europeus e realiza-se depois da conferência de Berlim nos finais do século XIX. Até aí a presença portuguesa em África limitava-se a alguns entrepostos comerciais ligados predominantemente ao tráfico de escravos, o qual continuou apesar da proibição internacional.

Sobre o ponto de vista literário, Uma Fazenda em África é uma agradável surpresa. Pese embora a seriedade do enquadramento histórico, a leitura prende completamente o leitor, acrescentando algo á sua cultura e curiosidade.

Faço votos para que este exemplo prolifere. Portugal tem muitos períodos da sua história envoltos em mitologia em frases feitas que seria bom que fossem explorados, sobretudo nesta hora de crise. Na verdade, a história do nosso País foi sempre muito difícil e se teve alguns momentos gloriosos, teve muitos outros tenebrosos e de ignomínia.

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