Correio do Minho

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Uma geração em Liberdade

Escrever e falar bem Português

Ideias Políticas

2014-04-22 às 06h00

Hugo Soares Hugo Soares

Nasci e cresci em liberdade. Não sei o que é não poder dizer ou escrever. Não tenho a ousadia de imaginar o que viver com censura ou com a PIDE. E ainda bem. Foi para isso que muitos, como o meu Pai, fizeram o 25 de Abril. Para que os seus filhos crescessem em liberdade, em democracia plena e pudessem fazer as suas escolhas.

Há hoje em Portugal uma geração que não tem memória - que não seja do que leu ou ouviu - da ditadura. Uma geração que hoje gere empresas, dá aulas, assume lugares na hierarquia do Estado, advoga ou faz justiça. Homens e mulheres que não são diminuídos, nem admitem sê-lo, por não terem vivido o 25 de Abril. Para eles a Democracia é um adquirido que se constrói todos os dias. Faço, orgulhosamente, parte dessa geração. É, por isso, que me causa grande consternação ouvir alguns arautos da defesa democrática referirem-se às conquistas de Abril. Parecem os seus donos. Parecem os seus únicos guardiães. Lamento, mas não são. E como é bom de ver se a Liberdade tivesse dono então era uma ditadura.

Isto dito, leva-me à reflexão de como eu, e toda uma geração, devemos olhar para as conquistas de Abril e honrá-las todos os dias. Se nos guiarmos pela solidariedade, pela igualdade e pela justiça social construímos liberdade. Porque só somos manifestamente livres se combatermos as assimetrias sociais. Porque só somos verdadeiramente livres se a todos forem proporcionadas as mesmas oportunidades. Porque só somos efetivamente livres se fizermos da fraternidade muito mais do que um conceito e da igualdade muito mais que um sinal aritmético.

Honrar Abril é poder fazer as nossas escolhas. Não permitir que o peso asfixiante do Estado nos obrigue nos caminhos a trilhar ou nos vede outros. É não tolerar que o peso da dívida onere as futuras gerações. É não deixar que as opções do presente inibam as do futuro. É renovação. Mas também é, e sobretudo, justiça inter-geracional.

Cumprir Abril não pode deixar de ser abdicar. Abdicar de alguma coisa para que alguns, os de agora ou os que hão-de vir, tenham coisa alguma. Numa altura em que de forma impiedosa os Portugueses perceberam que os recursos não são ilimitados e que volvidos 40 anos de Democracia voltamos a ficar condicionados na nossa soberania por opções políticas catastróficas do passado, os sacrossantos direitos adquiridos merecem reflexão.

E são esses, principalmente esses, os responsáveis por opções erradas, por má gestão ou incompetência, os que mais bradam contra quem tenta corrigir os erros do passado; os que não admitem abdicar. É neste egoísmo de redoma em que estes se situam para encontrarem os seus argumentos e até invocam Abril; mesmo que o estejam a violentam.

Sou da geração da liberdade. Sou da Democracia, da igualdade, da solidariedade e da justiça social. Sou pela dignidade da pessoa humana. Sou de Abril. Como tantos e tantos que não o fizeram. 

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